. . . OS SINAIS DO NOSSO TEMPO, NUM REGISTO DESPRETENSIOSO, BEM HUMORADO POR VEZES E SEMPRE CRÍTICO. . .
5.4.08
4.4.08
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
"Tenho a certeza de que não há, práticamente, licenciados desempregados."Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior - "PÚBLICO" - 3/4/2008
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"Há mais de sete mil licenciados desempregados."
Jornal Nacional - SIC - 3/4/2008
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Chama-se Mariano. Mas podia chamar-se Alice. No país. Das Maravilhas. Geralmente, é Gago. Mas quando propagandeia, não é gago. Ou o modo como se apanha mais depressa um Gago do que um coxo.
PENSAMENTO DO DIA
A Ministra da Educação tornou-se demasiado previsível. Publiquei, ontem à noite, em PERGUNTAS SEM RESPOSTA, a sua previsível reacção às declarações do Senhor Procurador-Geral da República. Acertei praticamente a 100%. Além de tudo quanto se disse, a Senhora Ministra é uma inconsciente. E quem dá guarida a inconscientes também o é.
FRASE DO DIA
3.4.08
MEMÓRIA...
...A Comunidade vai levantar um processo a Portugal, devido ao facto de termos excedido, em muito (quase cinquenta por cento) a percentagem do défice orçamental a que nos comprometemos perante os nossos parceiros, no ano de 2001. No desenvolvimento de tal processo, pesadas multas para Portugal podem ser a consequência. O que viria piorar ainda mais a nossa situação financeira (leia-se, do Estado Português). Quando olhamos para isto, as eleições autárquicas de Dezembro último, os seus resultados e a consequente demissão do Governo de António Guterres podem surgir a uma outra luz. Com efeito, em política nem tudo o que parece é. Pareceu que o PS perdeu as eleições autárquicas sem querer. E que a demissão foi uma consequência disso. De uma coisa estamos certos. Era impossível o Governo não saber o estado do Estado e as consequências que isso ia trazer. Será que o PS perdeu as autárquicas mesmo sem querer? Claro que não me refiro a querer racionalmente, por decisão tomada e firmada. E sim por subconsciente atitude de renúncia aos sacrifícios. A perda das eleições autárquicas – e a consequente queda do Governo de Guterres lhe facilitou a vida, lá isso facilitou. Colocou o Partido em posição de poder criticar as medidas destinadas a tapar o buraco gigantesco que ele próprio abriu como ainda evitou o descontentamento que seguramente se seguiria à adopção de tais medidas.
...
Excerto da crónica INCOMPREENSÍVEL - Magalhães Pinto . "VIDA ECONÓMICA" - 9/8/2002
PERGUNTAS SEM RESPOSTA
FIGURA DO DIA
EFEMÉRIDE DO DIA
OS HERÓIS E O MEDO - 223º. fascículo

(continua)
No Sábado daquela semana, o dinheiro do bilhete foi mal empregue. Passaram o “D. Roberto”, com o Solnado. Nitidamente mal escolhido. Quando não havia filme de aventuras, a malta não gostava. Teve uma virtude. Deu algum gozo aos nativos. Desta vez, não era um filme falado numa língua ininteligível, traduzido em legendas.. Eram muito poucos os capazes de ler as legendas. Teria sido preferível ouvir o artista principal a declamar a sua ida à guerra. Já alguns estavam a dormir nos seus lugares, quando se ouviu uma rajada de metralhadora lá para o outro lado da povoação. Gerou-se a confusão. Especialmente no seio da população civil. De pé, no balcão, os sargentos, oficiais e os poucos civis a assistir à projecção olhavam, como se fossem imperadores num circo romano, o pandemónio na plateia. Todos a pretenderem a fugir ao mesmo tempo. O capitão Paz sussurou para o lado o seu pensamento de ser o momento ideal para algum guerrilheiro disfarçado provocar grossos estragos. Ninguém parecia ter-se lembrado disso. Felizmente não aconnteceu nada, a não ser a interrupção da projecção da fita. Quando a confusão terminou, nem vivalma no cinema. Os nativos tinham recolhido à tabanca. E os homens foram ocupar os seus lugares nos abrigos de protecção. De onde sairam quando veio a ordem. Um sentinela mais nervoso tinha despejado o carregador contra o que lhe parecera ser um vulto furtivo. No dia seguinte, voltaram a projectar o Dom Roberto.
(continua)
Magalhães Pinto
FRASE DO DIA
"Se não obtiverem a respectiva classificação este ano, os sete mil professores contratados não verão renovados os seus contratos."Jorge Pereira, Secretário de Estado da Educação - "PÚBLICO" - 3/4/2008
***
... e para os substituir, o Secretário de Estado vai contratar sete mil novos professores que nunca foram avaliados por ninguém... Se não é anedota, é burrice!...
PENSAMENTO DO DIA
O Governo não hesita em exercitar a chantagem para fazer avançar a avaliação dos professores. E, ao mesmo tempo que afirma que "a lei é lei, é para cumprir", vai ele dando dicas como reduzir a avaliação até ao ponto em que seja possível realizar pelo menos UMA avaliação. Para poder dizer que foi obedecido. O absurdo no Ministério da Educação é uma roda sem fim.
FIGURA DO DIA
2.4.08
CONTRASTES
O Metro de Moscovo, construído ao tempo da antiga União Soviética...









O Metro de Estocolmo, na Suécia...









O dinheiro que, num sítio (Moscovo), foi tirado às pessoas para o espavento, foi noutro sítio (Estocolmo) utilizado na construção de um dos melhores sistemas sociais do mundo... E vá lá a gente dizer qual é o mais belo...
(Gentileza de F. Santos)









O Metro de Estocolmo, na Suécia...









O dinheiro que, num sítio (Moscovo), foi tirado às pessoas para o espavento, foi noutro sítio (Estocolmo) utilizado na construção de um dos melhores sistemas sociais do mundo... E vá lá a gente dizer qual é o mais belo...
(Gentileza de F. Santos)
PERGUNTAS SEM RESPOSTA
OS HERÓIS E O MEDO - 222º. fascículo
(continuação)A hierarquia militar e civil é prudentemente respeitada no cinema. Só algum soldado mais afortunado ao jogo de véspera consegue equiparar-se aos oficiais e sargentos no poder económico necessário à compra de um bilhete de balcão. Normalmente, vai para a plateia, para junto dos nativos. O Álvaro já uma vez chamou a atenção para o facto de aquilo ser, provavelmente, a tal miscigenação. O Manel teve artes de subornar o bilheteiro de modo a assegurar, para os três amigos, os lugares consecutivos aos do administrador civil e da mulher, os quais beneficiam de reserva vitalícia na primeira fila do balcão. À esquerda. Que à direita, o lugar, também reservado, é de António Soveral.
(continua)
Magalhães Pinto
FRASE DO DIA
FIGURA DO DIA
PENSAMENTO DO DIA
1.4.08
CRÓNICA DA SEMANA (II)
...Não entendo nada do assunto. Melhor, sou vesgo nele. Praticamente, só fui aluno. Professor, apenas em algumas horas vagas. Muito menos fui pedagogo, filósofo, advogado, sociólogo, antropólogo, reitor, presidente de conselho directivo, contínuo de escola ou mulher de limpeza. Isto é, não tenho nada que me recomende para emitir opinião sobre a portucação. Ademais, eu não sinto nada; mas, a acreditar nos modernos pedagogos, devo trazer comigo um qualquer recalcamento derivado das palmatoadas que abichei. Devo ter sido um inadaptado. O sucesso profissional que contabilizei deve ter sido devido às cunhas do papá. A minha inserção social deve ser um perigo para os demais. De cultura, só devo saber o plantar das batatas. Fui seguramente transformado numa máquina de calcular, sabendo quantos são dois vez dois automaticamente, em lugar de saber manusear uma dessas dignas auxiliares do raciocínio humano que são as calculadoras. Frustrado. É isso. Sou um grande frustrado. Só ainda não me apercebi disso. Por isso, desculpe o meu Caro Leitor eu meter a colherada em queque que não é o meu. Mas entenda-me, por favor. É moda.
Para não fazer má figura, comecei por pensar que, para comentar o assunto, eu devia perceber para que serve a escola. Para dar de mamar às criancinhas, não é. Elas chegam lá já fartas de mamar. Para tomar conta das criancinhas – no sentido de ter um olho em cima delas enquanto brincam , não será. A escola seria uma ama. Ainda se entende isso nos infantários. Na escola não. E a escola não é um infantário. Para os ensinar a brincar, também não. A generalidade dos alunos já sabe isso quando chega à escola. Mais, muitos dele dão autênticas lições na matéria quando já estão na escola. Ainda pensei que a escola poderia servir para lhes ensinar as aptidões fundamentais do sexo. Mas só se for aí até aos doze anos. Depois dessa idade, elas já sabem tudo também. A escola também não é um grupo de bem-fazer, tanto do agrado dos jovens. O dinheiro que os contribuintes lá metem não tem a ver com o que vai para a segurança social. Discoteca, não é. Bom. Começava a ficar sem hipóteses. Mudei a agulha. Apontei mais alto.
...
Excerto da crónica PORTUCAÇÃO - Magalhães Pinto - "VIDA ECONÓMICA" - 2008/04/04
PERGUNTAS SEM RESPOSTA
OS HERÓIS E O MEDO - 221º. fascículo
(continuação)Há cinema aos sábados. Ao ar livre. Por isso, nunca se sabe, na época das chuvas, se há ou não sessão. E se há, também nunca se sabe se chega ao fim. Quando chove na Guiné é preciso saber nadar. Uma das cenas mais hilariantes aconteceu quando, no “Beau Geste”, um dos legionários está a morrer à sede, enquanto a água da chuva escorria, em catadupas, pela tela abaixo.
A ida ao cinema é sempre um ritual burguês. Começa aí pelas sete da tarde com um minucioso banho. Até os mais preguiçosos lavam a cabeça nessa altura. Faz-se, de seguida, a barba, escanhoando os pelos mais resistentes e espremendo, ao mesmo tempo, imaginários pontos negros. Aparam-se as unhas. Desodorizam-se bem as axilas. E despejam-se frascos de água de colónia barata, até cada qual já não saber ao que cheira. Nos dias de cinema, todos querem imitar o Álvaro. O vestuário é objecto de cuidados especiais. E, verdade se diga, as lavadeiras já aprenderam que, nesses dias, as calças hão-de ser entregues impecavelmente enfestadas. Por fim, a tarefa mais complicada. Conseguir acamar, com a ajuda de fixadores e brilhantinas, a selva de cabelos, rebeldes por dias e dias de uso do capacete ou do quico. Depois de meia dúzia de espreitadelas preocupadas nos espelhos, é tempo de ir à sessão.
(continua)
Magalhães Pinto
PENSAMENTO DO DIA
FRASE DO DIA
FIGURA DO DIA
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