19.5.09

CRÓNICA DA SEMANA

O Partido Socialista está a transformar-se numa coisa curiosa. Parece que alguns dos seus militantes mais destacados estão indecisos sobre o caminho a seguir. Três casos recentes indiciam o que acabo de dizer. Os casos de Manuel Alegre, de Elisa Ferreira e de Narciso Miranda. Para falar apenas nos mais destacados. Os quais são, aliás, complementares.

Manuel Alegre não podia fazer muito mais. Assumiu uma semi-ruptura. O que significa não assumir coisa nenhuma. Ficou dentro do Partido mas ficou fora das listas às próximas eleições legislativas. Aliás, acho que o caso de Manuel Alegre viveu, até aqui, de um erro de análise óbvio. Um erro na leitura dos resultados por si obtidos nas últimas eleições presidenciais. Com efeito, atribuiu-se a Manuel Alegre a capacidade de arregimentar mais de um milhão de votos, quando esse resultado tinha por origem não a capacidade de atracção do candidato, mas sim o erro de casting tremendo dos socialistas, ao escolherem, de novo, Mário Soares como seu candidato oficial. A partir daí, Manuel Alegre inchou com o resultado e o PS amedrontou-se. Chegados aqui, ou Manuel Alegre assumia completamente o divórcio com o Partido e, no caso dos previsíveis maus resultados dos socialistas nas próximas eleições, iria seguramente ganhar o epíteto de traidor. Do mal, o menos. Manteve alguma, pouca, coerência com o seu passado recente e não poderá ser acusado dos prováveis maus resultados de José Sócrates,

Elisa Ferreira é o que se sabe e que já aqui comentei. Essa está quase em todas as listas, sem bem se decidir para onde é que vai. De algum modo, compensa Manuel Alegre. Este não está em lado nenhum. Elisa está em todas.

Narciso Miranda assume uma posição intermédia. Concorre contra o seu Partido mas afirma aos quatro ventos que continua com ele. A artimanha de tentar separar o aparelho do Partido dos seus votantes é demasiado infantil para ser tomada a sério. É somente para levar os eleitores aos quais faz apelo, os de menor capacidade crítica, a pensarem que ele também é Partido Socialista e que, portanto, um eleitor socialista não comete traição nenhuma ao Partido ao votar nele. Veremos se José Sócrates terá a coragem de fazer o que se impõe nestes casos: expulsá-lo do Partido. Provavelmente não o fará antes das eleições, por não querer que Narciso se arme em vítima. E, até, por receio de perder alguns votos depois, nas legislativas. Mas não deixará de o fazer logo a seguir. O que matará, de vez, a história política do seu antigo homem forte.

Como quer que seja, sigamos alegremente para as eleições. Nunca foram tão divertidas como as deste ano. Nem tão importantes.

Crónica ALEGREMENTE - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 19/5/2009

2 comentários:

  1. Ainda e a propósito da sua crónica á algumas semanas atrás...começo a pensar que o pressuposto candidato jantou mesmo com alguém!!!
    Pergunta-se quando é que a oposição vai aparecer?

    Saudações Marítimas
    José Modesto

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  2. Parece-me que vamos ter um comnetador desportivo oriundo da Câmara de Gaia...

    Um abraço José Modesto

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