(continuação)Não conseguiu adormecer. A escuridão enchia-se de guerrilheiros negros, com pinturas de guerra, traços de tinta branca fosforescente transformando os seus rostos em caveiras. Desdentadas. A rir, sardonicamente, um riso de metralhadora em disparo ininterrupto. Vinham carregados de minas anti-pessoal. Atiravam-lhas à cara, com violência. Eram muitos. Cada vez mais, vindos de todos os ângulos da escuridão. Mário sentia uma G3 na mão. Tentava desesperadamente disparar. Mas a arma não lhe obedecia. Estava encravada. E os negros cada vez mais próximos, apertando cada vez mais o círculo asfixiante. Impedido de disparar, Mário esquivava-se como podia às minas, as quais, com a força imprimida, se perdiam no infinito.
Transpirando suores frios, Mário saltou da cama. Pegou na arma. Dirigiu-se ao limar do quartel voltado para a bolanha. E despejou dois carregadores na escuridão. Sentiu-se aliviado e voltou a deitar-se, enquanto alguns homens corriam para os abrigos, alertados pelos tiros.
(continua)
Magalhães Pinto
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