(continuação)A um sinal do chefe, alguns passaram revista às moranças. E foram acumulando víveres no largo. Arroz, mancarra, galinhas e porcos, tudo lhes servia. Os outros, os guardas dos atemorizados residentes na tabanca, divertiam-se, entretanto, apalpando os seios às bajudas. E um deles levara, inclusivamente, uma delas para lá da escuridão e regressara sozinho, ainda a apertar uma imitação de calças. Quando a recolha de víveres fora dada por terminada. O aparente chefe voltou a falar, desta vez dirigindo-se particularmente à Regina. E proibindo-a de ir avisar a tropa, como era da lei dos brancos, da passagem deles por ali. E, para terem a certeza do silêncio da mulher e dos dela, levariam com eles o filho mais velho da “mulher-grande”, a quem matariam se alguém fosse contar à tropa da sua passagem.
E a Regina não falou. Nem ela, nem nenhum dos seus. De qualquer modo, alguns dias passados, o “homem-grande” dos brancos soubera da visita dos guerrilheiros à tabanca. E mandara uma escolta por ela. Ela bem justificara que não podia ter cumprido a lei, senão matavam o seu menino. Mas o comandante ficara surdo às suas razões e mandara a Regina na prisão, disse ela.
Mário olhou-a com comiseração. Ainda pensou ir falar com António Soveral. Mas logo abandonou a ideia.
(continua)
Magalhães Pinto
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