Em boa hora, foi publicada legislação que obriga os partidos a terem limites para os gastos que fazem em campanha e, mais do que isso, a darem contas dos gastos que fazem. O objectivo supremo é fazer com que não haja dinheiros escondidos, cuja proveniência, as mais das vezes, se afigura, pelo menos, suspeita. Não é que não exista a possibilidade de fundos suspeitos se envolverem na campanha, mas tal medida é sempre limitadora dos golpes.A Lei tem porém, um defeito. É que as campanhas não podem ser medidas pelo tempo oficial da sua duração. Muitas candidaturas – eu diria todas as candidaturas – começam a campanha muito antes da sua abertura oficial, com os inerentes gastos. O que custa rios de dinheiro. Rios de dinheiro que, para além de serem insultuosos num momento em que as famílias portuguesas se confrontam com graves dificuldades, acentuam o mal-estar de saber de onde vem – ou veio – o dinheiro que as financia. E isto que já seria mau para os Partidos, obrigados que são estes a terem contabilidade regular, torna-se ainda pior quando falamos de candidaturas independentes. Tomemos um caso, muito próximo de nós. O da Associação Matosinhos Sempre. Esta Associação está já há muito tempo em campanha, embora as eleições autárquicas ainda estejam a pouco menos do que um ano de distância. Não pode, obviamente, a Associação funcionar sem gastar dinheiro. Terá os seus sócios. Mas, ainda que desconhecendo-se qual a quota que paga cada sócio, não é difícil adivinhar que tal será uma quantia irrisória. O que, sendo assim, levanta uma questão extremamente importante: quem é que financia o seu funcionamento e os gastos de campanha em que já está a incorrer, afora aqueles gastos, muito mais avultados, em que vai incorrer até às eleições? De onde vem o dinheiro que é necessário para tudo isto?
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Excerto da crónica O FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 10/2/2009
1 comentário:
Para alguém que passa um programa inteiro, na Rádio Clube de Matosinhos, a falar dos pobres, para os pobres, das dificuldades para a compra de alimentação, de medicamentos, etc..., instala-se sumptuosamente numa casa enorme, no limite norte de Matosinhos Sul.
Não há dúvida que o discurso acompanha os actos praticados por esta pessoa...
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