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12.2.09

MEMÓRIA

Parece destino. Não há modo de o início do ano lectivo se fazer com inteira normalidade. A cada ano que passa, são anunciadas reformas, novidades, que parecem destinadas a simplificar os processos, a acelerar as tarefas burocráticas. E a cada ano que passa, elas falham estrondosamente. Desta vez, foi uma bronca enorme com a colocação de professores. De tal modo que a listagem "definitiva" do Ministério da Educação corre o risco de ser impugnada e declarada inválida. Pelo menos, é o que resulta das tomadas de posição de muitos professores e dos respectivos sindicatos. O que, a acontecer, seria um sarilho monumental. Porque, quando um processo destes se instala, não há modo de sair dele. Aqueles que foram agora, presumivelmente, beneficiados, seriam depois prejudicados e encontrariam, seguramente, dezenas de razões para serem eles a impugnar o que viessem a ser os resultados pretensamente definitivos.

Quando olhamos para esta situação, ficamos sem entender. Vamos lá a ver. Naturalmente, tudo quanto se passa numa repartição é da responsabilidade do chefe. Neste caso, do Ministro. Mas também é óbvio para qualquer um de nós que não é o Ministro que faz os programas informáticos, não é o Ministro que planeia os acessos da internet necessários, não é o Ministro que faz aplicar os critérios de colocação. Quando muito, o Ministro é responsável pela definição desses critérios. Se isto que acabo de dizer é verdade, então, e mais uma vez, a culpa vai direitinha para os funcionários do Ministério que o fazem funcionar. E aqui surge, mais uma vez, esta coisa medonha que é ter emprego vitalício assegurado e não ser penalizado pelos erros cometidos. Passasse-se isto numa empresa privada e os funcionários responsáveis pela bronca estariam no olho da rua no momento seguinte. Assim, vamos assistindo, ano após ano, ao caos do reinício do ano escolar e, ao que sabemos, não há ninguém responsabilizado por isso.

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Excerto da crónica A CONFUSÃO - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 7/9/2003

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