10.2.09

PÁGINA DO BRASIL

LONDRES (AFP) - O treinador brasileiro do Chelsea, Luiz Felipe Scolari, foi demitido nesta segunda-feira devido aos péssimos resultados recentes do clube no Campeonato Inglês, e à crescente contestação de seus métodos por jogadores e torcedores.

"Felipe trouxe muitos elementos positivos ao clube desde que chegou, e estamos tristes com o fato de nossa relação se terminar tão rapidamente", comentou o clube em comunicado. "Infelizmente, os resultados pioraram em um momento crucial da temporada. Para continuar brigando pelo título nas competições que ainda disputamos, consideramos que a única solução era efetuar uma mudança com efeito imediato", acrescentou.

O adjunto de Scolari, Ray Wilkins, vai assumir provisoriamente o comando da equipe na espera de um novo técnico, que o clube afirmou já estar procurando. Como a cada mudança de treinador desde a saída, em meados de 2007, do português José Mourinho, o holandês Guus Hiddink é o nome mais cotado para assumir o cargo. O atual técnico da seleção da Rússia mantém relações estreitas com o proprietário do Chelsea, o russo Roman Abramovich.

A imprensa também especula sobre uma eventual volta do israelense Avram Grant, demitido no fim da temporada passada e pouco popular entre os torcedores. O nome do italiano Gianfranco Zola, ex-jogador dos 'Blues' e atual técnico do West Ham, também foi citado. Também nesta segunda-feira, o técnico do Portsmouth, Tony Adams, foi afastado do cargo. No total, oito treinadores da Premier League já foram demitidos nesta temporada.

Dois dias depois de um insosso empate sem gols com o Hull em pleno Stamford Bridge, Scolari, 60 anos, acabou pagando pela série de resultados decepcionantes que provocaram a queda do clube inglês para a quarta posição da Premier League. O Chelsea, que recebe o Juventus de Turim no dia 25 pelas oitavas-de-final da Liga dos Campeões, está agora a sete pontos do líder Manchester United, que ainda tem um jogo a menos. Os 'Blues' ganharam apenas três de seus nove últimos jogos. Além disso, Felipão não venceu nenhum clássico contra os outros três grandes clubes da Premier League, Arsenal, Liverpool e 'ManU'. O balanço do brasileiro contra estas três equipes é patético, com um empate e quatro derrotas. Outrora famoso por sua invencibilidade em casa, o Chelsea perdeu para o Liverpool e o Arsenal em Stamford Bridge. A primeira destas derrotas, em 26 de outubro, foi o início do fim para Scolari. Dois meses antes, ele estreara na Premier League com uma impressionante goleada sobre o Portsmouth (4-0), suscitando elogios unânimes de jogadores, dirigentes e torcedores.

Scolari começara o campeonato a todo o vapor. O Chelsea era então o único time a conseguir acompanhar o Liverpool. Conhecido por um estilo de jogo pouco vistoso, o time londrino parecera se transformar com a chegada do brasileiro, ganhando um novo ímpeto ofensivo e apresentando lampejos de 'futebol-arte'. Contudo, a derrota para os 'Reds' mudou tudo. O jogo do Chelsea começou a perder brilho, sem que os 'Blues' consigam recuperar a capacidade de ganhar jogando feio que haviam desenvolvido durante a era Mourinho. Além disso, Felipão, conhecido por prezar valores como rigor e disciplina, perdeu o controle do vestiário, sendo cada vez mais contestado por jogadores-chave do elenco como Didier Drogba e Frank Lampard. No início de janeiro, o Chelsea foi humilhado pelo Manchester United (3-0), em um símbolo dos caminhos divergentes seguidos pelas duas equipes desde a final da Liga dos Campeões 2007/200. É para resolver este dilema que o Chelsea resolveu se separar de Scolari, cuja experiência inglesa terminou em fracasso.

Treinador desde o início dos anos 80, Felipão ganhou duas Copas Libertadores com Grêmio (1995) e Palmeiras (1999) antes de assumir o comando da seleção brasileira, com a qual se tornou campeão mundial em 2002. Ele teve em seguida duas rápidas experiências no exterior, no Kuwait e no Japão, antes de se tornar técnico da seleção portuguesa.

Com seus métodos baseados no rigor e no espírito de luta, Felipão reformulou a talentosa mas indisciplinada seleção lusitana. Dando espaço a jovens talentos como Deco - nascido no Brasil - e Cristiano Ronaldo, levou o país à final da Eurocopa-2004 e às semifinais do Mundial de 2006, tornando-se um verdadeiro herói em Portugal, onde acabou ficando por quase seis anos.

***

Ou me engano muito ou o Felipão ainda vai voltar à selecção portuguesa...

Sem comentários:

Enviar um comentário