(continuação)Mas os livros serviram de pouco a El-Rei. Ele bem dizia:
- Fizemos os trabalhos de casa... fizemos os trabalhos de casa...
Mas a resposta surgiu violenta. Um dos agiotas que tomava dinheiro de empréstimo na Praça da Casa Amarela, pagando juros chorudos, faliu. Dizia-se que foi por causa da crise vinda das américas. Mas o Povo não acreditava. Achava que a culpa era do Provedor Mor da Casa Real do Tesouro que não fiscalizara, como era sua obrigação, as operações do agiota. E pedia a guilhotina para o Provedor. El-Rei reuniu de novo o seu Conselho e disse:
- Eh pá! Temos que salvar o pescoço do Provedor. Elé é um gajo porreiro. Quando eu precisei que ele inventasse a desgraça que me foi deixada pelo meu antecessor, ele não hesitou. Não posso deixar guilhotiná-lo...
Ouviu-se, na sala, um bruááá dos Senhores Conselheiros. Ora aí estva um rei que sabia defender os seus. Bateram palmas e decidiram todos fazer ouvidos de mercador. O Povo haveria de calar-se. E o Tesouro Real arcaria com as perdas, para que o assunto ficasse por ali.
(continua)
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