(continuação)Na semana seguinte, El-Rei fez um mdiscurso ao país. Pela sua profundidade, pelo seu sentido de actualidade, pela força das suas ideias mobilizadoras, tal discurso haveria de ficar nos anais do Reino como uma das mais evidentes demonstrações do vigor de El-Rei. Transcrevemos um excerto dessa peça maravilhosa de oratória e actualidade. Disse ele, a certa altura:
- Portugueses! Há muitos abortos no Reino. Daí não viria mal ao mundo, porque os abortos também podem chegar até altos níveis da vida nacional. Mas o pior é que não sabemos como são gerados, onde são gerados, como nascem, onde nascem. E isso é inadmissível. Tem uma consequência importante. É que depois temos abortos espalhados por aí que sem o saber que o são. Quero dizer-vos que não sou contra o aborto. Até Sou a favor. Convivo facilmente com um aborto. Mas o que me aflige é o secretismo. Secreta só admito a minha polícia. Por isso, vou assinar um decreto real a liberalizar o aborto. É mais uma das minhas atitudes que mostra como eu prezo a liberdade. Portanto, a partir da semana que vem já todos saberemos por onde andam os abortos.
A multidão, reunida em frente à janela donde falava El-Rei, entrou num delírio de alegria. Até dava para esquecer a crise que tinha vindo lá das américas. Um popular, perdido na multidão, não se conteve e gritou bem alto:
- Viva o aborto!
(continua)
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