(continuação)A imagem de El-Rei ia mudando, pouco a pouco. O povo reconhecia o seu grande esforço na alfabetização de crianças e adultos. Uma verdadeira paixão. Uma paixão que lhe havia ficado destes os tempos em que frequentara a escola para obtenção do diploma do segundo grau. Já lá iam as más línguas que diziam que devia o caniudo ao Morais. Sentindo essa paixão de El-Rei pela educação das massas analfabetas, o povo começou a não perder uma oportunidade que fosse de agradecer. Também apaixonadamente. Aproveitou uma visita da assessora de El-Rei para as bandas do norte para lhe enviar umas quantas dúzias de ovos para fazer pastéis de Belém. Sabiam que El-Rei convivia bem com o pastel de Belém. Mas o povo achou pouco. E decidiu deslocar-se em massa ao Palácio Real, para dar conta da sua gratidâo. Para se ter uma ideia, diziam os mais velhos que manifestação assim em frente do Paço Real só quando os amotinados de África tinham estado em perigo. Nem D. João I, quando visitara o Porto, tivera manifestações de tal jaez. E era lindo vê-los, com bandeiras enormes na mão, a desfilarem. Novos, velhos, homens, mulheres, crianças e, até, alguns paralíticos. El-Rei começava a fazer grande concorrência à Senhora de Fátima no amor da plebe.
(continua)
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