6.3.09

SORRISO DO DIA (II)

O Silva chegou a casa, muito tarde, silenciosamente, para não acordar a mulher. Subia as escadas lentamente, já descalço, quando se desequilibrou e rolou escada abaixo, partindo uma garrafa de vinho que trazia no bolso de trás das calças. Foi à casa de banho, baixou as calças já ensanguentadas, olhou para o rabo e viu os cortes que tinha feito, todos a sangrar. Pegou na caixa dos pensos rápidos e aplicou como pôde, sobre os cortes. E foi-se deitar silenciosamente.

Ao outro dia de manhã, quando acordou, estava a mulher já de pé a olhar para ele e dizendo:

- Ontem vieste para casa bêbado outra vez...

O Silva olhou-a atarantado e perguntou:

- Quem te disse?...

E a mulher respondeu:

- Podia ser a porta de entrada aberta, mas não foi; podia ser o barulho que fizeste a rolar pelas escadas, mas não foi; podiam ser os cacos de uma garrafa partida ao fundo das escadas, mas não foi; agora os pensos rápidos todos colados no espelho da casa de banho e os lençóis cheios de sangue não enganam...

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