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12.5.09

CRÓNICA DA SEMANA

Elisa Ferreira é militante destacada do Partido Socialista. É uma senhora com um sorriso agradável e com falas de política. Neste ano triplamente eleitoral, ela é bi-candidata. Vai a votos para a Câmara Municipal do Porto e vai a votos para o Parlamento Europeu. Quem disse que o sexo feminino é o mais fraco, não conheceu Elisa Ferreira. Duas campanhas próprias e ainda vai, seguramente, ajudar na campanha do seu amigo de peito José Sócrates. Mas não é esta última que nos interessa para aqui. São as outras duas. Nas quais a Senhora mostra aquilo que realmente é. Vamos a factos.

Elisa Ferreira é candidata à Câmara Municipal do Porto. Melhor dizendo, é candidata à Presidência da Câmara Municipal do Porto. Foi ela que o disse. Não está disponível para aceitar o seu lugar de vereadora, no caso de não vencer as eleições. Isto é, trocando o dito por miúdos, os portuenses só têm duas opções com Elisa Ferreira: ou fazem com que ela ganhe ou desperdiçam todos os votos nela. Mas como ninguém pode garantir em quem vota o vizinho, quem nela votar está a jogar no casino. Pode ser que saia.

Mas Elisa Ferreira também concorre ao Parlamento Europeu. E aí já se contenta com o lugarzinho que lhe calhar. Compreende-se porquê. É que o lugar no Parlamento Europeu é pago em milhares de euros por mês e ainda dá a oportunidade de o eleito colocar umas pessoas de família a seu lado, como consultores, a ganhar mais uns tostões. Poder-se-ia imaginar que estivesse a candidatar-se ao Parlamento Europeu devido à dignidade do lugar. Mas não é. Infelizmente, não é. É que numa reunião com eleitores aí pelo Porto, Elisa Ferreira afirmou que aquilo que quer é mesmo a Câmara e que só vai ao Parlamento Europeu assinar um papel, que eu presumo ser a folha de ponto.

Dificilmente a desfaçatez de um político podia chegar tão longe. Um autêntico despautério. Elisa Ferreira candidata-se ao Parlamento Europeu porque não tem a certeza de que lhe toque o cargo de Presidente da Câmara do Porto, o único que ela aceita. Mas diz que se for eleita para o Parlamento Europeu, só lá vai assinar a folha de ponto. Uma atitude carecida da mínima gota de dignidade política. Uma bi-candidata, como Elisa Ferreira, desprestigia-se a si mesma, desprestigia o Partido a que pertence e que aceita esta jogada e, o que é mais grave, faz dos votos que alguém decida conceder-lhe meras folhas de papel higiénico, que se descartam logo que servem o fim a que as destina quem as utiliza. Só há mesmo uma opção com dignidade. Esquecer Elisa Ferreira nas duas eleições, nem que seja para votar no mais humilde dos candidatos.

Crónica A BI-CANDIDATA - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 12/5/2009

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