Há vinte anos que o PSD não ganhava umas eleições europeias. A última vez havia sido em 1989, com Cavaco Silva quase no seu zénite. Uma vitória tanto mais inesperada quanto todas as sondagens vinham a dizer que o PSD perderia por cerca de 3%. Penso que este resultado se deve, como sempre se devem os resultados eleitorais, a um conjunto de razões.Este resultado é, antes de tudo e de novo, a derrota da arrogância. José Sócrates, Vital Moreira e Santos Silva ficaram a saber que o povo português não gosta de zaragateiros de feira, que não têm pejo de afirmar gostar de malhar nos outros.
Este resultado é, também, a derrota da incompetência. José Sócrates farta-se de dizer que o PS faz o trabalho de casa. Não é verdade. Todos nos recordamos de situações, como a do novo aeroporto de Lisboa ou do TGV, em que o trabalho não estava, não está, feito.
Este resultado é a derrota da trapaça. Trapaça na carreira. Trapaça nas estatísticas. Trapaça nos argumentos. Falta de explicações para tantos factos obscuros e duvidosos.
Este resultado é a derrota da propaganda confrontada com a seriedade. Não é por acaso que os grandes vencedores da noite são Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã. De longe, os dois políticos actualmente mais sérios do panorama português.
Este resultado é a derrota de Ministros que, sob a capa de reformar, quase destruíram sectores importantes da vida portuguesa, como são a Saúde e a Educação.
Este resultado é a derrota do oportunismo governativo, bem espelhado no facto de o Governo ter emitido, há cerca de um mês, avisos de multa para 150.000 contribuintes, só para, na semana das eleições, lhes dizer que lhas perdoava.
Este resultado é a vitória da simplicidade, da seriedade e da inteligência do candidato do PSD, Paulo Rangel, um brilhante político futuro de que o país passa a dispor. Uma simplicidade, uma seriedade e uma inteligência que contrastaram violentamente com a personalidade do candidato socialista, Vital Moreira, que não resistiu a reassumir velhos tiques da sua antiga condição de comunista, como a deslealdade e o caceteirismo.
E este resultado foi, sobretudo, a vitória da coragem, da fibra, da política de verdade e não populista, da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. Com este resultado, ela conseguiu várias coisas, das quais ficam como verdadeiramente importantes duas:
- a capacidade para unir o Partido à sua volta e acabar com as lutas fratricidas dentro do Partido, com líderes a surgir de todos os lados;
- a capacidade para se afirmar como verdadeira alternativa à política socialista, uma política baseada na verdade e na simplicidade.
Crónica RESULTADO DE QUÊ? - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 9/6/2009
Sem comentários:
Enviar um comentário