
Emocionei-me. Com a dignidade da parada militar em Santarém. Com o garbo das nossas Forças Armadas. Com o entusiasmo de quem assistia. Com a homenagem a Salgueiro Maia, E, sobretudo, com a referência do Senmhor Presidente da República aos ex-combatentes da Guerra Colonial.
Aos homens que fizeram a Guerra Colonial foram pedidos sacrifícios incontáveis. Mal preparados, mal equipados, mal alimentados, mal alojados, com uma logística militar apenas sofrível, esses homens disponibilizaram – para utilizar uma frase feita de bélico sabor – sangue, suor e lágrimas sem conta. Sofreram na pele as dores da metralha e no espírito o pavor do medo. Um medo que sempre sobrelevaram. Que dominaram. Para dele partirem para tantos actos de heroísmo, de fraternidade, de solidariedade. De uma solidariedade não esgotada no companheiro de armas e que, muitas vezes, tinha as populações locais por objecto. Fizeram-no sem esperar agradecimentos. Mas também não esperavam o insulto do labéu, a ofensa do esquecimento. Se foi possível, a Portugal, voltar a África e aos territórios libertados, escassa meia dúzia de anos depois do fim da guerra, a esses homens e ao seu comportamento se fica a dever.
Por isso e para que os filhos e netos dos soldados que fizeram a Guerra Colonial saibam que os seus pais e avós – por mais insultados que sejam - foram heróis autênticos, amantes da Pátria, homens bons preocupados com os seus compatriotas, geralmente sem um átomo de racismo a toldar-lhes o espírito. Que fiquem a saber que eles, os seus pais e avós, tal como tantos outros feitores das mais belas páginas da nossa História, fazem jus à seguinte expressão, sem qualquer pudor, nesta circunstância, roubada aos lugares comuns da ditadura: ditosa Pátria que tais filhos tem.
Faltou, por isso, algo naquela parada militar que soprou às brasas do nosso orgulho nacional. Um pelotão de antigos combatentes a desfilar como exemplo - o exemplo tantas vezes referido por António Barreto no seu discurso - para as gerações vindouras. Exemplo de Portugueses que cumpriram o seu dever.
1 comentário:
Assino em baixo.
Fiz o serviço militar (ainda obrigatório) no Hospital Militar do Porto e lidei de perto com ex. combatentes.
Os palhaços que são eleitos para governar o país e sejam eles quais forem. Teimam em esquecer esta gente, gente que sofre e que coloca em sofrimento esposas, filhos, amigos etc. Porque sofrem diariamente com os medos e com as recordações de verem os amigos morrer ou ficarem gravemente feridos.
Só fiz uma tropa de paz, mas deu para muitas vezes pensar como seria se tivesse que enfrentar um inimigo a sério.
Imagino o que foi para esta gente, ter um inimigo fortemente armado, muito motivado, enquanto o armamento e principalmente a motivação do lado de cá era praticamente 0000 (Zero).
Eles não foram para lá de férias, foram obrigados a ir contra a sua vontade por o Estado Português e esse mesmo Estado, apesar de ter mudado politicamente, tem que assumir a responsabilidade por o que fez a esta gente boa que não pediu para nascer homem e ter idade militar em tempo de guerra.
Respeite-se esta gente, eu aprendi a conviver com eles e a respeitá-los muito. São heróis que em outro país do mundo como os EUA, teriam tudo como pagamento pelo serviço à Nação. Com uma simples diferença, lá são mercenários bem pagos (como agora o são aqui) e estes veteranos da guerra colonial foram obrigados e (MUITO) mal pagos.
Haja decência e decoro.
Abraço
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