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9.4.11

CRÓNICA DA SEMANA - II

AS PANCADAS

O golfe, como todos sabemos, é um desporto onde os jogadores batem bolas com tacos apropriados, partindo de um certo ponto e procurando, com o mínimo de pancadas possível, meter a bola num pequeno buraco situado a 200 ou 300 metros dali. E pode ser jogado individualmente ou em pares. E conta-se a história daquele casal que foi jogar uma de pares. Sai o marido que, com uma pancada excepcional, coloca a bola a 150 metros, bem no meio do relvado por onde deve ir. Segue-se a mulher. Com uma pancada desajeitada, põe a bola no meio das árvores. Depois de procurar a bola durante dez minutos, o homem encontra-a e bate-a com imenso cuidado, colocando-a no green, a meio metro do buraco. Para a mulher falhar, na quarta pancada, terminar o percurso. Com a bola a três metros do buraco, o homem lá consegue terminar. E comenta para a mulher:

- Vê lá se jogas com mais jeito. Fizemos uma pancada mais do que devíamos…

O que mereceu uma resposta lapidar da mulher:

- A culpa é tua! Das cinco pancadas, eu só dei duas!...

Com a devida vénia, aquilo a que vimos assistindo na política portuguesa assemelha-se muito a esta história. Durante seis anos fomos governados por um homem que, praticamente, fez tudo. Inventou projectos faraónicos para gastar dinheiro. Não foi capaz de travar a recessão económica. Deixou o desemprego aumentar para níveis nunca antes atingidos. Deixou a despesa do Estado crescer desmazeladamente. Assistiu ao crescimento da dívida de Portugal para níveis astronómicos. E fez tudo isto anunciando-nos, permanentemente, que Portugal estava bem e se recomendava. Até que ficamos sózinhos, no meio da praça, de mão estendida, a pedir esmola. E, no fim, a culpa pertence inteirinha, segundo ele anuncia aos quatro ventos, à oposição.

Sabemos que ele faz isto porque já não está a governar Portugal. Nem isso lhe interessa para nada. Para ele, já só contam as próximas eleições. E o resto que se lixe. Aliás, todo o seu comportamento governativo sempre foi orientado por isso. Ainda que tivesse de mentir aos Portugueses muitas vezes.

Mas, se isto acontece com ele, não pode acontecer connosco. Temos a estrita obrigação de abrir as portas da nossa memória e vermos bem tudo quanto se passou nestes anos de governo de José Sócrates. Para tirarmos as nossas conclusões e escolhermos bem quem possa melhor servir Portugal no futuro.

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