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11.4.07

SORRISO DO DIA

O primeiro computador inteiramente português...

10.4.07

MEMORIA


Há muito tempo, vem esta minha coluna reflectindo as preocupações, nos mais diversos domínios, da subversão completa das regras negociais. Desapareceu, quase por completo, a honestidade que era a base de todo o comércio (aqui tomado o termo em sentido lato, abrangendo toda a actividade económica). Hoje, seria impossível assistir ao suicídio de um homem de negócios tão só por ter uma letra a pagar e não o poder fazer. E, vamos lá, nem tanto seria necessário. Mas o gesto, que não foi tão incomum como poderá pensar-se, ainda há menos de um século atrás, falava de como estavam no negócio os homens de negócio.

Tudo o vento levou. Se não chega a experiência de cada um, basta ler os jornais. A fraude é um dos factores do negócio a que os especialistas têm que passar a tomar como variante. Toda a gente tenta levar toda a gente, passe o exagero. As facturas cobradas por serviços não prestados pelas grandes empresas monopolistas ou cartelizadas. Os encerramentos das empresas e o despedimento de trabalhadores, depois de exauridos, sabe-se lá por que cano de esgoto, os subsídios recebidos exactamente para o não fazer. A ruptura unilateral dos contratos, designadamente nas condições de pagamento, com atrasos inadmissíveis e, muitas vezes mesmo, injustificados a não ser pela ganância. A falta de pagamento dos impostos que sejam legitimamente devidos. A manipulação das cotações na Bolsa, levadas a cabo por gestores sem escrúpulos, por ambições ilegítimas e moralmente condenáveis. A gestão em tantos casos demagógica da coisa pública. As falências fraudulentas.

Centremo-nos nestas últimas. Acaba de ser publicada legislação para punir os fautores de falências fraudulentas. Sinceramente, não percebo porquê e para quê. Em primeiro lugar, porque já existia legislação que punia as mesmas. E, apesar disso, elas não terão deixado de existir, como a publicação de nova legislação parece provar. É que o problema das falências fraudulentas não é punir os seus autores. É conseguir provar que há fraude na falência. E isso, vai continuar. Só um ou outro incauto e inabilidoso é que deixa o rabo de fora. Os outros, que são a grande maioria, sabem esconder muito bem - em contabilidades bem urdidas, em incêndios providenciais, em condições macroeconómicas desfavoráveis - a gordura que, neles, não desaparece.

Para ser verdadeiro, devo também confessar que já não entendia o argumentário legal relativo às falências. Uma falência é a confissão de uma de duas coisas: ou da desonestidade ou da incapacidade para ser comerciante (aqui também tomado o termo em sentido lato). E um ambiente são de actividade económica não devia ter pudor em expulsar das funções desempenhadas seja os desonestos, seja os incapazes. Donde, haver uma sanção a aplicar antes da averiguação da existência de fraude ou não. A inibição definitiva e vitalícia de exercer a actividade de empresário ou de gestor. Ligado, fosse quem fosse, a uma falência, a única alternativa deixada aos donos e gestores ligados a uma falência deveria ser a de trabalhadores independentes ou por conta de outrém. E, só depois, se conseguida a difícil prova da fraude, haveria lugar a procedimento criminal.

A perturbação inserida, pela fraude, na actividade económica é, seguramente, uma das razões maiores para o subdesenvolvimento. Uma razão que justificaria uma atenção permanente dos cidadãos contra ela. No fim, ficamos quase todos a perder com a fraude. Mesmo aqueles que dela tendo beneficiado, transitoriamente, pensam que não. Por isso é que assistimos ao súbito aparecimento, e não menos súbita saída de cena, de alguns "heróis" nacionais, regionais e locais. Risíveis marionetas deste teatrelho de feira em que a fraude sistemática transforma o país. Mas, enquanto estão em cena, tais actores conseguem transformar o país numa tragicomédia. Na qual eles são os comediantes e os desprovidos de força as vítimas da tragédia por aqueles encenada. Importaria, por isso, saber se não há modo de colocar um ponto final no espectáculo. Não é fácil.

...

Excerto da crónica A FRAUDE - Magalhaes Pinto - "VIDA ECONÓMICA" - 30/3/2003

PERGUNTAS SEM RESPOSTA


Uma nova secção, a partir de hoje, Pode tentar responder...

***

A Universidade Independente fecha devido ao escândalo da licenciatura do Primeiro Ministro, o escândalo existe devido ao estado da Universidade Independente ou as duas coisas são apenas uma espantosa coincidência?

PENSAMENTO DO DIA


Depois desta OPA (Millenium BCP sobre BPI) nada ficará igual. Ou o BCP se afunda ou o sistema financeiro nacional ficará insuportavelmente concentrado para os consumidores.

FRASE DO DIA


"Mariano Gago acabou por apunhalar o seu companheiro (José Sócrates) ao dizer que ele se licenciou numa escola caótica."

José Manuel Fernandes - "Público" - 10/4/2007

***

Por este andar, ainda vamos ter o Primeiro-Ministro a jurar que nunca pôs os pés na Universidade Independente...

A DUVIDA - 32º. fascículo

(continuaçao)

Lentamente, um torpor delicioso tomou posse dela. O sangue devia ter regressado à marcha costumeira, no dédalo das suas veias. Do negrume, porém, uma forma humana, de contornos mal definidos, rosto barbudo no qual dois olhos, coruscantes e irados, a fitavam, parecia apontar-lhe um dedo acusador, gritando-lhe em silêncio: "Pecadora! Arrepende-te!". Fechou os olhos, apertando as pálpebras com força, num esforço inglório para escapar à visão, só bem sucedido quando os primeiros livores do amanhecer, a custo penetrando pelas fendas das portadas da janela, a esbateram, deixando-a entregue a um sono intranquilo, povoado de pesadelos infernais.

A mãe despertou-a, já o dia ia alto. Enguliu à pressa as sopas de café com leite, amalgamadas na tigela, e correu à igreja. Ajoelhada aos pés do Senhor dos Passos, mal encontrou forças, por entre o debulho de lágrimas, para soluçar um confuso pedido de salvação. E, no domingo seguinte, era a primeira da fila de mulheres para o confessionário. Transida de vergonha, que a rede do confessionário mal filtrava, là deu conta ao senhor abade do pecado mortal incorrido. E perdoado, à custa de dois terços rezados de afogadilho, não fora morrer antes de cumprida a penitência salvadora.

Se a absolvição divina aliviou, temporariamente, os temores de Maria do Céu quanto à perda eterna das delícias celestiais, a noção da culpa, pela violação da intimidade dos pais, foi ganhando raízes cada vez mais profundas, à medida que os anos foram correndo. Em breve, na aldeia, todos a chamavam de arisca, devido ao modo pressuroso como se escapava aos bailaricos no adro e evitava os rapazes da sua idade. A custo a levara a mãe, uma noite, à desfolhada na eira do Ti'Joaquim. Talvez aquela filha, tornada cada vez mais bicho de mato, em contacto com os da sua igualha e envolta nos folguedos brejeiros da circunstância, ganhasse um pouco da alegria que lhe ia minguando. Raio de rapariga! Se continuava daquele jeito, bem seria seu destino aturar sobrinhos em vez de filhos!

(continua)

SORRISO DO DIA

Espectador do Beira-Mar x Benfica. Não consegui identificar a que claque pertencia...

9.4.07

PENSAMENTO DO DIA


Face a uma directiva da Comunidade, que imporá eventualmente aumentos de capital às companhias de seguros, estas ameaçam com aumento dos prémios a pagar pelos clientes e com despedimento de funcionários, a fim de manter a rentabilidade. Depois de já sermos todos donos não sei de que banco, vamos seguramente também ser donos das companhias de seguro.

FRASE DO DIA


"A nossa querida terra está cheia de manhosos, de manhosos e de manhosos e de mais manhosos. E, numa terra de manhosos, não se pode chegar senão a falsos prestígios."

Almada Negreiros, citado por Santana Castilho - "Público" - 9/4/2007

***

Ai Almada! Havias de ver a descendência que essa gente teve!...

A DUVIDA - 31º Fascículo

(continuação)

Uma noite, andava já pelos catorze anos, uma inquietação desconhecida não a deixara dormir. O sangue corria, à desfilada, no interior das suas veias, afogueando-a. Ouvidos a zumbir. Cabeça azoratada incapaz dum pensamento. Às reviravoltas na cama, enrodilhada nos lençóis a queimarem-lhe a carne, sentia-se incapaz de adormecer. A certa altura, uns gemidos vindos, pareceu-lhe, do quarto dos pais, ao fundo do corredor, prenderam-lhe a atenção. Olhos arregalados a devorar a escuridão, procurou interpretá-los. Estaria o pai doente? Pareciam-lhe gemidos. Como continuassem, levantou-se, sorrateira, e foi ver, não fosse a mãe estar a dormir e o pai precisar de ajuda. Uma fímbria de luz escapava-se pela frincha da porta, mal fechada. Evitou-a, embrulhando-se na penumbra. Espreitou para dentro do quarto. Ficou pregada, cara colada ao lambril, fascinada. Comendo as imagens com os olhos, na indagação duma interpretação inteligente. Mais intuindo do que percebendo. Em cima da cama, lençóis e cobertores cuidadosamente enrolados junto aos pés, o corpo peludo do pai, nádegas nuas lambidas pela luz a escorrer do candeeiro, escondia quase por completo o corpo da mãe, também nú, entregando-se a um ritmado vai-vem vertical, ao compasso de gemidos sibilinos, afogados pelo travesseiro.

Hipnotizada, alvoroçada com a subconsciente sensação de ter entrado num mundo proibido, Maria do Céu ficou suspensa do espectáculo. Despertou-a um rouco estertor, fazendo-a estremecer. Confundida, correu a refugiar-se no quarto. Um susto, ao quase derrubar, no corredor, a coluna de torcidos que sustentava a avenca preferida da mãe. Na consciência, uma imprecisa noção de haver cometido um pecado muito grave lutava para escorraçar a visão clara dum segredo, até aí desconhecido. A pouco e pouco, retornava ao estado de excitação que a apoquentava, desde o início da noite. Um calor palpitante foi-se apoderando do seu baixo ventre, donde irradiava, transformando-lhe o corpo num braseiro. Insensívelmente, começou a acariciar o sexo humedecido com uma mão, enquanto a outra deslizava, suavemente, dum mamilo para o outro, nos seios a despontar. Perdeu a noção do tempo e do espaço, tornada difusa pela percepção dum invisível corpo, peludo, sem rosto nem voz, enroscado no seu. Explodiu, corpo transformado num formigueiro, uma miríade de estrelas, de rara luminosidade, a rasgar a escuridão do quarto em todas as direcções.

(continua)

SORRISO DO DIA

Patinou...

8.4.07

CRÓNICA DA SEMANA (I)


Os autores genuínos têm muito cuidado com o que escrevem. Têm sempre presente a possibilidade de estarem a decalcar algo visto ou lido algures. Porque um dos "crimes" mais hediondos entre autores é algum deles plagiar as ideias ou as palavras de outrem.

Pois bem. Na última semana, o jornal "Matosinhos Hoje" trouxe uma crónica assinada por Narciso Miranda, na coluna "Notas Soltas", sob o título "Carta a Sua Excelência Prof. Doutor António Oliveira Salazar", que é, na sua maior parte, descaradamente, despudoradamente, um duplicado, não apenas nas ideias mas também em numerosíssimas frases inteiras, de um artigo publicado na Revista "Única", do "Expresso", edição de 30 de Março de 2007, de autoria de um jornalista do mesmo semanário, chamado Henrique Monteiro e que assina como Comendador Marques de Correia.

Só para dar um ou dois exemplos - porque são tantos e tão grandes que não caberiam aqui - atente-se nesta frase assinada por Narciso Miranda:

"Senhor Presidente, gostaria de avisar V. Exa. que, daqui a cerca de quarenta anos, a RTP, a nossa televisão…vai organizar um concurso no qual V. Exa. vai a votação para se saber quem é o maior português de sempre… Não é aceitável colocar a dúvida se V. Exa. é ou não o maior português de todos os tempos. Nós temos a garantia de que V. Exa. vai ganhar sem equívocos a votação. No entanto, consideramos subversivo que alguém admita que o maior português possa ser outra pessoa qualquer como, por exemplo, Afonso Henriques, Fernando Pessoa ou Marquês do Pombal."

E veja-se esta de Henrique Monteiro publicada quase uma semana antes:

"Senhor Presidente, venho por este meio avisar Vexa. que daqui a 50 anos a RTP, que com tanto labor fundámos, irá organizar um concurso no qual V. Exa. será posto à votação para se aferir se é V. Exa. um dos maiores portugueses de sempre… Ao colocar a dúvida se V. Exa. é - ou não - o maior português (e temos garantias de que Vexa ganhará, sem espinhas, a votação) somos forçados a admitir que o maior português pode ser outro qualquer, incluindo pessoas como o Marquês de Pombal ou mesmo o poeta Fernando Pessoa, o que seria manifestamente subversivo.".

Ou ainda esta frase de Narciso Miranda:

"Embora com a certeza de que Vexa. ganha, o modelo seguido pela televisão é errado e uma vitória neste modelo pode ser uma derrota a prazo. Não serve de nada Vexa ganhar o concurso se, com o mesmo modelo e os mesmos princípios, se pode perder no país.".

E coteje-se com esta de Henrique Monteiro:

"Ainda que a RTP e mais as claques organizadas por não se sabe quem nos dêem garantias de que será - indubitavelmente - Vexa, Senhor Professor, o vencedor do certame... acho que devemos impedir a sua realização sem qualquer dúvida. Há princípios de que se não abdica em nome de uma vitória. E há vitórias que se tornam, a prazo, em autênticas derrotas. De que nos serve vencermos um concurso se os mesmos princípios nos podem fazer perder um país?".

Há mais. Mas já chega. Face a esta dupla de artigos, palavras para quê? Um deles - ou Henrique Monteiro ou Narciso Miranda - é um grande artista português. A não ser que trabalhem em parceria - o que em nenhum sítio é dito - ou o Henrique, que publicou primeiro, teve acesso ao computador de Narciso; ou Narciso, que publicou depois, fez da crónica do Henrique mais de metade da sua. Sem citar a fonte. E, se assim for, um deles cometeu um "crime" que, geralmente, leva à proscrição como autor e à não aceitação de mais trabalhos para publicação, a não ser no boletim paroquial.

Crónica PLÁGIO - Magalhães Pinto - "Matosinhos Hoje" - 10/4/2007

MOMENTO DE BELEZA

Inesquecível...

INTERLUDIO

Os italianos têm duas coisas boas, a pizza e a música. Enquanto espera pela pizza, delicie-se com Toto Cotugno e L'Italiano Vero...

PENSAMENTO DO DIA


A política é uma devoradora da verdade. Só assim se entende que Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz e candidato a Presidente da República de Timor, afirme que a Austrália tem tanta simpatia pelo seu país como Portugal, esquecido já dos contratos entre os indonésios e australianos para a exploração do petróleo de Timor e para a oposição que estes últimos fizeram, num primeiro momento, à independência do pequeno país. Atitude que só mudaram quando a ONU entendeu que Timor devia ser independente.

(Imagem de Wikipedia)

FRASE DO DIA


"Semana Santa envia espanhóis para Portugal."

Helena Teixeira da Silva - "Jornal de Notícias" - 8/4/2007

***

Minha Cara, anda distraída! Eles já estão por aí, aos montões, todos os dias do ano!...

A DUVIDA - 30º. fasciculo

(continuação)

Foi por essa altura que a etapa da doutrina houve de ser cumprida. Um certo misticismo apoderara-se dela. Desde muito pequena, acompanhara a mãe à missa dominical, celebrada na pequena capela, ao lado do cemitério, onde o senhor abade da vila vinha alimentar a espiritualidade dos aldeões. Mais a das mulheres e menos a dos homens. E alertá-los para os perigos deste mundo, com o demónio à espreita em cada canto, à espera do mais pequeno descuido para comprometer irremediavelmente a vida eterna, legítima aspiração de todo o cristão convicto. Insensatez! Insensatez seria trocar a vida esplendorosa, de mel e sol, de radiosa luz, num jardim celeste recheado de flores variegadas e solícitos anjos, pelas trevas infernais, onde, até ao fim dos tempos, um fogo violento queimaria, sem consumir, as almas pecaminosas, vencidas pela tentação da carne ou dos bens materiais ou, ainda, faltassem à missa ao domingo ou escusassem a côngrua pascal. Ah! e não se confessassem ao menos uma vez em cada ano.

A doutrina, aprendida pelos outros em jeito de papagaio, foi por ela interiorizada com tal força que, a pouco e pouco, as obrigações caseiras começaram a passar para segundo plano. A sujeição dos deveres terrenos ao poder do ser omnipotente, omnipresente, omnisciente. Omnívoro. A fuga a todos os actos e omissões ofensivos do deus todo poderoso. Nos sonhos, um deus parecido com o Senhor dos Passos, aquele do canto da direita da capela, joelho em terra, vergado ao peso duma enorme cruz, donde pendiam cachos de feias serpentes, uma por cada pecado da gente da aldeia. Ou, quando os sonhos eram trazidos pela consciência pesada dum pensamento inocentemente mais matreiro, um deus escondido sob umas barbas enormes, irado, imponente, agigantado, dedo espetado acusadoramente na sua direcção, tal e qual como o senhor abade fazia, nas homilias, quando, com voz estentórea, fazia estremecer a igreja e as almas com o comando irrecusável de "Pecadores! Arrependei-vos!".

O pavor de Maria do Céu pelo pecado foi progressivamente aumentando, fazendo-a correr, semanalmente, para o confessionário, em busca do perdão para as mil e uma faltas cometidas, desde a pequena mentira pregada à mãe quando se atardava nos recados, por via do tempo perdido na igreja, na contemplação do Senhor dos Passos, até ao surripio de pequenas moedas, esquecidas em cima da cómoda, pressurosamente depositadas na caixa de esmolas do Santíssimo, não fora ele zangar-se da devoção que o outro lhe merecia.

(continua)

SORRISO DO DIA

Se fizermos a OTA, é muito provável que a próxima geração de tanques para o Exército Português seja esta...

7.4.07

PENSAMENTO DO DIA


Que tenha visto, eu fui o único analista em Portugal a levantar dúvidas e a não acreditar na bondade do défice de 3,9% anunciado pelo Governo há pouco tempo. Hoje, trabalho de casa feito, começam a ouvir-se as vozes dos que, em primeira hora, cantaram hossanas ao Governo. O que mostra a superficialidade com que se abordam os problemas verdadeiramente sérios no nosso país. Continuemos a assistir, com gáudio, à rábula da licenciatura de Sócrates. Para sermos romanos, já temos o circo. Só falta o pão.

(Imagem: creepyclown.com)

FRASE DO DIA


"Só 7% dos Portugueses querem OTA."

Título do "Expresso" - 6/4/2007

***

Provavelmente, apenas os licenciados em engenharia civil pela Universidade Independente de Lisboa...

A DUVIDA - 29º. fasciculo

(continuação)

Na infância, Maria do Céu não foi muito diferente das restantes crianças do sítio. Aprendeu a andar atrás da ninhada de pintaínhos, sob o cacarejar atento da "Amarela", anafada galinha que estaria na origem do seu primeiro e grande desgosto de miúda, quando acabou os seus dias, no baptizado do irmão seguinte, para dar lugar a almoço mais apaparicado. Muito cedo, ainda antes de frequentar a escola, quando um saco de dois ou três quilos deixou de ser pesado, começou a ir todos os dias à cortinha do Ti'Joaquim, por carejó e leitugas, para alimentar os coelhos, sempre em grande número e permanente reprodução, substancialmente compensada, porém, numa espécie de equilíbrio natural, pelo abate pendular de um coelho em cada domingo.

Fez a primária, com regularidade, no velho edifício do largo, onde uma só professora, todos os anos diferente, repartia os seus dias ensinando as primeiras letras e contas, de manhã, aos miúdos da primeira e segunda classes, e os rios e as serras e os reis, de tarde, aos mais graúdos das duas classes restantes. Aprendera quase tudo com facilidade; só lhe provocara alguma confusão aquela história do caminho de ferro; não conseguia perceber porque era preciso fazer estradas de ferro, quando de terra batida serviam muito bem, como se via pelas carreiras das três da tarde e das nove da noite, a levar e a trazer quem precisava de ir à vila. Mas tal confusão não fora suficiente para a impedir de chegar a bom destino, ao fim de quatro anos, quando dois professores, desconhecidos, tinham vindo apreciar o que ela, a Maria da Purificação, o Miguel, o Chico, a Rita e o Zeca tinham aprendido durante esse tempo todo.

(continua)

SORRISO DO DIA

O melhor é nunca dormir completamente despido...

6.4.07

A DUVIDA - 28º. fasciculo

(continuação)

Sentou-se no sofá, pernas cruzadas, cabeça recolhida nas mãos enclavinhadas, corpo sacudido por soluços inaudíveis, a expulsar um rio de dor feito choro, a escorrer no leito dos seus seios, nus ainda. Pouco a pouco, sossegou. Olhou-me, com uma expressão decidida e baixou novamente o olhar. E, numa voz monocórdica, sem tom nem amplitude, quase um murmúrio, percorreu recordações dolorosas, há muito escondidas por detrás do biombo do esquecimento aparente.


V


Rala vem em letras minúsculas nas cartas militares, perdida entre as sinalefas de dois postes de alta tensão. Quando Maria do Céu nasceu, ainda não havia nenhuma daquelas moradias estrangeiradas, de azulejos reluzentes e telhados do império, de caixilhos anodizados e vidros apenas translúcidos, que, vistas do monte, lhe dão aquele ridículo aspecto de reminiscência parisiense, onde toda a beleza desapareceu e só ficou a Bastilha.

Maria do Céu nasceu, como toda a gente na aldeia, em casa dos pais, no largo de Santo António, trazida ao mundo pela Ti'Cassilda, lavradeira avantajada de carnes e faladora como uma galinha a sair da poedeira. Gabarola, com fama avultada e escasso proveito, de ter servido de parteira a quase toda a gente da aldeia com menos de quarenta anos. E nenhum lhe tinha saído morto. A Ti'Cassilda atribuía, jocosamente, tal facto à experiência própria, dada pelos seus onze filhos, e aos ensinamentos do homem, o Ti'Joaquim, ele mesmo presença indispensável junto de qualquer vaca da aldeia, no momento de parir.

(continua)

SORRISO DO DIA

Teorema de Pitágoras simplificado...


(realmente assim respondido em exame)

PENSAMENTO DO DIA


Já não sou só eu a dizê-lo. É já um clamor. O Governo procura aplicar rapidamente a lei da rolha à Comunicação Social. Como dizia a Passionária, não passarão.

(Imagem de vidaslusofonos.pt)

FRASE DO DIA


"O Tribunal de Contas vai reapreciar o relatório dos gabinetes ministeriais publicado na semana passada, na sequência de um pedido do Governo."

***

O melhor mesmo é pedir um estudo à Universidade Indcependente...

A UNIVERSIDADE INDEPENDENTE E A LICENCIATURA


Confesso os meus pensamentos íntimos. Neste ruído todo que envolve a licenciatura do Primeiro-Ministro e a Universidade Independente, com duas vertentes - a licenciatura e as convulsões na Universidade - estou inclinado a favor do Primeiro-Ministro na vertente da licenciatura, devido às convulsões da Universidade. Se não houvesse as convulsões na Universidade Independente neste momento, se estivéssemos perante uma Universidade prestigiada e sem problemas, a margem do Primeiro-Ministro para contradizer o que os documentos parecem demonstrar seria praticamente nula.

A conclusão (democraticamente terrível) deste pensamento é que ou eu sou parvo ou as convulsões na Universidade vieram numa altura extremamente conveniente para o Primeiro-Ministro.

Magalhães Pinto

5.4.07

PENSAMENTO DO DIA


Morreu um poeta. Armando Zeferino Soares. Caboverdiano. Que num só poema, mostrou ao mundo a finura e a gentileza da alma do seu Povo. Chama-se "Sôdade", o poema. É a letra de uma canção que os naturais daquele arquipélago trazem impressa na alma. É momento de luto na Língua Portuguesa.

FRASE DO DIA


"A redacção da SIC foi gentilmentente alertada, pelo Gabinete de José Sócrates, para a infundada notícia que o "Público" preparava (sobre a licenciatura do Primeiro-Ministro)."

***

Com toda a autoridade. Engenheiros entendem de fundações. E devem ter feito o alerta acompanhado de um saquinho de amêndoas...

4.4.07

A DUVIDA - 27º. fasciculo

(continuação)

Depois, quando tornámos a ser donos dos nossos sentidos, Maria do Céu, olhámo-nos e sorrimos. Tínhamos acabado de aprender, creio, que um mais um pode ser um! O vidro transparente dos teus olhos, via-o pela primeira vez, deixava-me sentir a tua emoção como se minha fosse. O que adensava o teu mistério, Maria do Céu! Recordo, como se estivesse a acontecer agora, que, naquele instante, já não era só o meu corpo a exigir o desvendá-lo. Era a minha alma, era a minha voz rouca, a gritá-lo surdamente. Diz-me qual é, diz-me, não te recuses! Verás! Se fizeres meu o teu mistério, ele deixa de apavorar-te. Abre os olhos, não fujas de ti! Conta-me! Claro, tenho interesse em saber, bebo, devoro, respiro o desejo de conhecer-te, conhecer a tua história! Quero perceber porque apagas, conscientemente, o fogo que em ti crepita. Insisto! E insistirei enquanto me não contares, enquanto não souber, enquanto me não sentir o vento que dum fósforo faz uma chama e duma chama uma fogueira! Quero sentir o calor, encerrado em ti, feito num pedaço de vida inextinguível! Recordo como, durante todo o tempo da minha exigente súplica, os teus olhos fixos em mim deixaram apagar-se o fogo que, fugazmente, os iluminara. E o breve lampejo de raiva também.


Muralhas protectoras derrubadas, passara a ser uma batalha com vencedor assegurado. A resistência de Maria do Céu era cada vez mais débil, embora estrénua. À míngua da força moral correspondia o desespero do vencido, a julgar virar-se do avesso o mundo construído ao longo de tanto tempo, esquecido do eterno retorno ao real permanente. Nem a súplica de misericórdia, quase raiva, a fazer dos seus olhos um misto de sibilino látego, a fustigar-me, e de suave pena, a acariciar-me, abrandava a minha implacável vontade de a libertar do que quer que fosse que a peava.

(continua)

SORRISO DO DIA

Upa...upa... um encanto...

ILUSAO


Eu tenho prevenido! Não acredite em tudo o que os seus olhos vêem. E eis mais um exemplo. Que é que está a ver desenhado na imagem junta?... Pois.... A letra E... E, todavia, a letra E não está lá. Apenas três linhas quebradas...

MEMORIA


É, no mínimo, curioso regressar a 1974 (há trinta e tres anos) e ver o que sucedeu nos primeiros trinta dias da Revoluçao de Abril:

25 de Abril
- Saída das tropas dos quartéis para depor o Poder estabelecido.
- Nomeaçao, pelo MFA (Movimento das Forças Armadas) da Junta de Salvaç\ao Nacional

26 de Abril
- Apresentaçao pública do Programa do MFA
- Libertaçao dos presos políticos do Forte de Caxias
- Amnistia dos crimes políticos
- Golpe de Estado do MFA na Guiné
- Capitulaçao da polícia política (PIDE)

27 de Abril
- Libertaçao dos presos políticos do Forte de Peniche
- Primeira reuniao da Intersindical em liberdade
- Primeiro de Maio declarado feriado nacional
- Paraquedistas depoem o Governo de Moçambique

28 de Abril
- Chegada de Mário Soares a Lisboa

29 de Abril
- 700 Oficiais da Armada aderem ao Programa do MFA

30 de Abril
- Chegada de Álvaro Cunhal a Lisboa
- Início dos saneamentos nas Forças Armadas
- Primeiro Plenario de Estdantes, em Lisboa
- Primeira ocupaçao de casas desabitadas
- Greve dos noticiaristas da Rádio Renascença

1 de Maio
- Grandes manifestaçoes populares em todo o país

2 de Maio
- Apresentaçao de caderno reivindicativo pelos traballhadores da Siderurgia Nacional

3 de Maio
- Nada de relevante

4 de Maio
- Primeira manifestaç\ao de boicote ao embarque de tropas para o ultramar
- Surge em Bissau um movimento alargado de militares
- Ocupaçao das casas da Fundaçao Salazar pelos moradores no Bairro do Casalinho, em Lisboa

5 de Maio
- Plenário de trabalhadores dos CTT

6 de Maio
- Mais saneamentos de oficiais nas Forças Armadas
- Surge a Comissao de Trabalhadores na Timex
- Fundado o PPD (hoje PSD)

7 de Maio
-Restabelecimento da hierarquia em Bissau com a chegada de Carlos Fabiao, representante do MFA

8 de Maio
- Nada de relevante

9 de Maio
- Plenário de trabalhadores na Lisnave

10 de Maio
- Amnistia militar
- Primeira greve: Timex

11 de Maio
- Fundada a UDP

12 de Maio
- Nada de relevante

13 de Maio
- Nada de relevante

14 de Maio
- Extinçao da Assembleia Nacional e da Camara Corporativa
- Plenário de sargentos das Forças Armadas
- Extinçao da censura a espectáculos
- Criaçao de uma comissao de apoio ao Conselhod e Ger|encia dos CTT, para defesa dos interesses dos trabalhadores
- Definiçao da estrutura constitucional provisória

15 de Maio
- António de Spínola investido nas funçoes de Presidente da República
- É determinada, na Guiné, a integraçao de todos os oficiais, sargentos e praças no MFA
- Greve geral na Lisnave
- Caderno reivindicativo dos trabalhadores da Messa

16 de Maio
- Tomada de posse do I Governo Provisório, chefiado por Adelino Palma Carlos

17 de Maio
- Nada de relevante

18 de Maio
- Nada de relevante

19 de Maio
- Nada de relevante

20 de Maio
- Aparecimento da Fretilin em Timos
- Desterro de Américo Tomás e Marcello Caetano para o Brasil

21 de Maio
Trabalhadores das Águas de Lisboa ocupam a sede da empresa

22 de Maio
- Trabalhadores da Timex apresentam caderno reivindicativo

23 de Maio
Nada de relevante

24 de Maio
- Todos os militares - oficiais, sargentos e praças - onde quer que estivessem - sao integrados no MFA por decreto interno das Forças Armadas


***

Nao se pode dizer que tenha sido moralmente muito violenta a caminhada inicial da Revoluçao. Mas no ar ficavam já alguns indícios do que viriam a ser as graves convulsoes de 1975.

ACTUALIDADE


António Aleixo nasceu em Loulé, às quatro horas da madrugada do dia 18 de Fevereiro de 1899. É um homem do Povo. Um Poeta. De versos simples, plenos de sabedoria e de profundo espírito de observaçao. A perfeita actualidade das suas sentenças rimadas prova que atingiu, com o seu peculiar modo de ver as coisas, os níveis mais profundos da natureza humana. Em tempos de mundo conturbado - se é que já houve algum tempo que tal nao fosse - olhe-se para este exemplo:

À guerra nao ligues meia
Porque alguns grandes da Terra
Vendo a guerra em terra alheia
Nao querem que acabe a guerra.

António Aleixo

AVISO

Pode enviar a um amigo qualquer dos posts feitos neste blog, clicando no sobrescrito que encontra no radapé de cada um.

PENSAMENTO DO DIA


Tal como adiantei, ainda decorriam os estudos, a modificação do nome da Contribuição Autárquica para Imposto Municipal de Imóveis teve apenas um fim em vista, aumentar desmesuradamente a receita do imposto. Mais do que duplicou a arrecadação do Estado. E assim é sempre. Esperem só pela modificação do Imposto Automóvel.

A DÚVIDA - 26º. fascículo

(continuação)

Quedou-se, imóvel, por largo tempo. Não ousei interromper. O gira-discos silenciara e fui repô-lo em movimento, sem lhe alterar o volume. Aproximei-me dela, passei os braços à altura do seu peito, apertei-a ternamente contra mim. E depositei um beijo na rósea confluência do pescoço com o ombro. Senti-a rígida, bloco novamente. Num beijo único, percorri-lhe o pescoço, de lado a lado, demorando um pouco mais na nuca. Fui-a arrastando lentamente para o sofá, enquanto desabotoava, um a um, os botões de madrepérola da blusa.


Não sei bem como foi, Maria do Céu. Habitualmente, a roupa vestida comporta-se como o maior adversário do romantismo de um acto de amor, espécie de sublinhado duma desobediência ancestral, intervalo entre um suave prelúdio e um grande final, durante o qual dois amantes se vêem forçados a descer dos etéreos espaços dos sentimentos e dos sentidos exacerbados, às comezinhas e reais complicações dos colchetes e fivelas, dos ligueiros e fechos de correr, olhos cravados no chão, envergonhados da culpa própria no paraíso perdido. Mas estava tão concentrado no objectivo supremo de te conduzir à vida, Maria do Céu, que nem me lembro como nos desenvencilhei das roupas, nem me recordo que tenhas dado por isso.

Depois, foi um longo monólogo. Nunca um fastídio. Não sei por quanto tempo o meu corpo, despido de preconceitos e fremente de desejos, todo ele concentrado no afã de desfiar, cuidadosamente, para que se não rompessem, os fios do casulo do seu refúgio, se atardou. Fazendo de cada anseio um gesto, de cada gesto uma promessa, de cada promessa um acto, acariciou longamente o seu. Quando, por fim, a surpresa de duas lágrimas, depositadas ao canto dos olhos cerrados de Maria do Céu, atingiu com fragor a minha consciência semi-adormecida, senti repicar em mim uma sinfonia de alegria, tocada pelo campanário da maior catedral do mundo, sinfonia que me conduziu, que nos conduziu, num crescendo imparável, até à explosão dos nossos seres, corpos e almas, numa via láctea de milhões de estrelas.

(continua)

FRASE DO DIA


"Alugar quartos (a estudantes, sem passar recibo) é crime?"

Jorge Mota - Leitor do "JN" - 4/4/2007

***

Ó homem! Ofereça a estadia em sua casa e cobre os cuidados com a roupa, comparticipação na energia eléctrica, na água, no aquecimento e no Imposto Municipal sobre Imóveis!...

SORRISO DO DIA



Um pirata entrou num bar da Jamaica e pediu um copo de rum. O barman encetou converso com ele.

"Olá capitão! Já não o via há muito tempo!.. Como é que vai isso?"

"Tudo numa boa...", respondeu o pirata. "Tenho passado uns tempos bem alegres."

"Não acredito", contesta o barman, "quando o vejo com essa perna de pau. Da última vez que o vi, tinha as duas... Como é que foi isso?"

"Oh! Nada de importante. Uma bala de canhão na penúltima batalha acertou dirfeitinho nela... Tirando isso, estou estupendo!"

Insiste o barman: "O pior é esse gancho também... Da última vez que o vi, o capitão ainda tinha as duas mãos..."

"Nada de importante. Na última abordagem que fizemos, o capitão do outro barco, antes que eu pudesse defender-me, cortou-me a mão com a sua espada. Felizmente, o médico de bordo conseguiu colocar-me este gancho e sinto-me bem... estou estupendo...", retorquiu o pirata.

"Ainda bem que assim é, capitão... Só é pena essa pala sobre o olho esquerdo. Da última vez, também ainda tinha os dois olhos...", retorquiu o barman.

" Oh!... Isto foi com a porcaria que um passário deixou cair do céu e que me acertou no olho..."

O barman arregalou os olhos e questionou:

"Não brinque comigo, capitão! A porcaria de um pássaro não o cegava assim..."

Enfastiado, o pirata olhou o barman e terminou a conversa:

"Pois!... O pior e que eu ainda não estava habituado ao gancho...."

3.4.07

CRONICA DA SEMANA


Recordemos primeiro algumas coisas sobre a emigração portuguesa. A qual se faz, essencialmente, de três modos:

- O emigrante vai, legal ou clandestinamente, para o país estrangeiro por seus próprios meios, seja à aventura, seja porque já tem trabalho assegurado no país de destino, seja porque tem lá familiares ou conhecidos que lhe prometem emprego;

- O emigrante vai clandestinamente para o país estrangeiro, recrutado por empresas "pirata" de contratação de trabalhadores ou por angariadores de trabalho clandestino, ambos sem qualquer controlo legal; julga ter trabalho assegurado e acredita mesmo que vai ter condições de digna sobrevivência;

- O emigrante vai legalmente para o estrangeiro, contratado por uma empresa também legal, de fornecimento de trabalho, com contabilidade organizada e subordinada a todas as leis portuguesas.

Nada a dizer no primeiro caso. O emigrante vai por sua conta e risco. Embora sem qualquer controlo do Estado Português, no que respeita a impostos e contribuições para a Seguramça Social. Não esqueçamos que, na maioria dos casos, estes emigrantes terminarão a sua vida em Portugal, beneficiando de todas as condições sociais que o Estado Português assegura aos idosos.

A segunda hipótese é, em muitos casos, dramática. Para os próprios emigrantes, em primeiro lugar, caídos nas malhas do trabalho escravo muitas vezes, como reiteradamente, a Comunicação Social traz ao nosso conhecimento. Depois, as suas contribuições para impostos e Segurança Social, tantas vezes descontadas no seu vencimento, não chegam ao destino. E os próprios lucros das empresas "pirata" ou dos angariadores caem fora do controlo fiscal do Estado Português.

A terceira hipótese é, de longe, a mais limpa. Primeiro, para o próprio emigrante, que encontra trabalho, por um lado, e, geralmente, algo melhor remunerado. Não corre riscos. O seu contrato é celebrado com uma empresa portuguesa, está sob a alçada da Lei portuguesa, quando e se quiser regressar, tem o regresso assegurado. Depois, para o Estado Português, o qual tem absoluto controlo sobre todos os impostos e contribuições associados ao trabalhador no estrangeiro, assim como sobre os ganhos que a empresa portuguesa contratante venha a realizar. Ganhos que são legítimos, na medida em que essa empresa corre riscos. Só para citar dois dos mais comuns, recordemos que a empresa paga as viagens, salários e ajudas de custo aos trabalhadores contratados e, por vezes, não recebe o que, pelo seu contrato com a empresa estrangeira beneficiária do trabalho prestado, está obrigada a pagar-lhe; ou, por exemplo, que um trabalhador contratado para trabalhar no estrangeiro não se adapta e quer regressar e tem que ser a empresa portuguesa a contratar, seja em que condições seja, o seu substituto.

Isto é, estas empresas portuguesas legais, de contratação de indivíduos para trabalharem no estrangeiro, desempenham uma função social de inestimável valia. Asseguram uma actividade sem outros riscos para os emigrantes do que aqueles que afectam o seu trabalho cá. Reduzem o desemprego no país. Asseguram ao Estado impostos e contribuições que, de outro modo, se perderiam. Fazem-no a troco de um pequeno ganho, necessariamente escasso, dadas as condições de competitividade neste domínio, recentemente agravadas pelo aparecimento de concorrentes da Europa do Leste.

Diz o bom senso – para além das teorias económicas, políticas e sociais – que tais empresas deveriam ser olhadas com simpatia e justiça pelos poderes públicos.

Mas isso é se o Estado Português fosse inteligente, justo, atento à verdadeira realidade social e económica do país. Mas não é. O Poder do Estado Português está cego pelo défice público, possuído pela mania de colher impostos seja onde seja sem olhar a nada, e, por isso, é estúpido e um autêntico sabotador da actividade de quem produz. As contas não estão feitas, mas um palpite inquietante toma conta de mim: porventura, os males que estão a ser causados por esta atitude, tendo em vista o futuro, são muito maiores do que os benefícios imediatos, nas finanças públicas, da cega política adoptada.

Exemplo disto...

...

Excerto da crónica ESTADO SABOTADOR - Magalhães Pinto - "Vida Económica" - 4/4/2007

(foto de museu-emigrantes.org)

HISTORIA DO FUTEBOL

Para quando tiver tempo. Quase meia hora de espectáculo, com os 50 melhores golos da hitsória do futebol (desde que podem ser gravados, claro...)

SUGESTÃO TURÍSTICA


Pois é. O calendário começa a fazer apelo de uma ida até à praia. Obviamente, não cá, aonde vai fazendo muito frio. Mas, não muito longe daqui e a um preço muito económico, já se pode matar a fome de sol. Em Tenerife, a maior das Ilhas Canárias.



De origem vulcânica, Muitas das praias de Tenerife são de areia escura. Todavia, através da importação de areia branca, já se podem encontrar muitas praias "artificiais" de areia branca.


A temperatura média do ar, nesta época do ano, ronda os 20ºC, sensivelmente idêntica à da água do mar.



Tenerife dispõe de serviços de hotelaria de grande qualidade, ao estilo do que os espanhóis já nos habituaram. A moda dos SPA já ali chegou e uma estadia, ainda que curta, pode proporcionar momentos de grande prazer.


A ilha oferece, ainda, aos visitantes paisagens fascinantes pela sua invulgaridade, bem como uma flora e uma fauna riquíssimas.


Preço por pessoa para sete noites, viagem e estadia no regime tudo incluído em hotel SPA de quatro estrelas: 496,00 euros mais taxas.

(Gentileza de Viagens 747)

PENSAMENTO DO DIA


Forças políticaa e económicas empenham-se em ter o TGV a funcionar, entre Porto e Vigo, até 2009. Felizardos os nortenhos. Passará a ser muito mais fácil ir ao Corte Inglês a Vigo do que a Vila Nova de Gaia.

FRASE DO DIA


"Salários dos deputados e ministros aumenta 26%, no Brasil."

Título de "Público" - 3/4/2007

***

Lá como cá. O socialismo de rosto humano em acção.

2.4.07

SORRISO DO DIA

Novo sistema anti-roubo...

A DUVIDA - 25º. fasciculo

(continuação)

De súbito levantou-se, ligeira, e foi apreciar de perto uma reprodução do "Guernica", pendente sobre a secretária. Passeou o dedo indicador direito por sobre as figuras sem relevo, como se procurasse um sinal qualquer de que a vida se não esvaíra dali. Quadro esquisito, todo pintado a preto e branco!... A tragédia dum momento suspensa na eternidade, disse eu, não podia ser pintada noutras cores. Qual tragédia!... A tragédia só é negra nas letras dos jornais e no traje das viúvas, de resto, veste-se de todas as cores!... O pintor devia era ser muito pobre e nem dinheiro teria para comprar lápis de outras cores!... Na escola, pintei uma vez o largo lá da aldeia com uns lápis emprestados pela professora e ficou muito mais bonito!... E coitadinho do menino!... Ainda é parecido com o touro, vaca ou lá que é!... Esta mania, dos artistas modernos, de desenharem umas coisas como se fossem outras!... Eu olhava-a em silêncio, sobressaltado pela surpresa das palavras em catadupa. Não, concluiu. Morto pelo estoque, na arena, ou por uma bomba atómica, no campo, um touro seria sempre um par de cornos afiados, duas narinas, a resfolegar se estava bravo, ou a palpitar se tranquilo, quatro patas curtas e um sexo enorme, como o do 'Surdina", que ela vira, em todo o seu tamanho, quando, há muitos anos, fora com o pai levar a "Malhada" à cobertura.

Pedi-lhe para me dizer, sabida que era, como imaginava a sua terra se, de repente, o céu se abrisse sobre ela num chuveiro de ferro e fogo. Olhou pensativamente a reprodução, foi lentamente encostar-se na ombreira da janela, pareceu abandonar o pensamento à tranquilidade do rio, e deixou escapar um murmúrio. Não entendi bem. Teriam morrido todos os touros ou algo de semelhante.

(continua)

PENSAMENTO DO DIA


As resmas de papel gastas para explicar um facto trivial - a eleição de Salazar como O Maior Português de Sempre, num concurso anodino - são uma confissão de culpa, escrita e assinada, daqueles que fizeram deste Portugal o menor de sempre.

FRASE DO DIA


"Estive oito meses sem beber. Recaí quando o Benfica ganhou o campeonato (há dois anos)."

Pedro (doente recuperado do Centro de Alcoologia do Sul) - "Público" - 2/4/2007

***

Pode estar tranquilo. Desta vez vai ter tempo para a recuperação completa...

(Imagem de sapo.pt)

1.4.07

MEMORIA



"Acho que o Mundo tem muito para aprender conosco, Portugueses. Andam para aí sábios a inventar teorias, a gastar rios de tinta e quilos de neurónios, nas construção de sistemas fiscais que, cada vez mais, aproximem o tributo da justiça, quando nós descobrimos a beleza da simplicidade. Há uns anos, aprendi na faculdade que o sistema fiscal mais justo era o progressivo. Isto é, quem mais ganhasse pagaria mais do que proporcionalmente. O que implicava uma correcta averiguação do que cada um ganhava. Teóricos, como vamos ver adiante. Subtilmente, quando começaram a ter fome de mais dinheiro, os políticos portugueses fizeram um quase imperceptível desvio ao que eu tinha aprendido. E passaram a dizer que quem tivesse mais pagaria mais do que proporcionalmente. Quase a mesma coisa. A diferença estava apenas entre o "ganhasse" e o "tivesse". O verbo ter é um dos mais universais de que dispomos. "Ter" tanto pode ser ganhar como possuir. No horizonte da modificação semântica, a tributação do património e não apenas a do rendimento.

Detenhamo-nos aqui um pouco. Pelo que de importantes reflexos esta atitude mental vai ter na evolução do sistema fiscal português. Tributar o património é algo que se fazia na idade média. Chegava o aguazil e perguntava: quantos porcos tens? Dez. Cinco são do teu senhor. E levava. Quantos alqueires de trigo colheste? Vinte. Dez são do teu senhor. E levava. Veja-se a simplicidade disto. Malditos teóricos que gastaram séculos para mudar o que estava tão bem! Figuras centrais daquela peça medieval: o piolhento do cidadão, o senhor e o aguazil. Os porcos, nessa altura, entravam na história apenas para a justificar. Estou mesmo a ver o que o meu Caro Leitor está a pensar. Mas isso era confisco! Claro que era. Mas com duas boas razões, meu Caro Leitor. Primeira, a da simplicidade. Meia dúzia de soldados, o aguazil, o édito do suserano e era só correr casa a casa, contar os porcos e levar. Havia quem escondesse os ditos debaixo da cama. Mas soldado confiscante não era preguiçoso. Era pago para isso. E, se necessário fosse, ajoelhava-se e espreitava. As mais das vezes, para encontrar apenas o vaso nocturno. O que, conta a lenda, chegou a dar ideias a alguns senhores sobre a hipótese de lançamento de um imposto sobre os vasos nocturnos. Não aconteceu então. Mas não desespere, meu Caro Leitor. Estas úteis ideias fiscais não se perderam no tempo. Talvez um dia destes apareça, por aí, o dito imposto. A segunda razão volta a ser semântica. "Confisco" e "com fisco" soam exactamente na mesma. Portanto, ninguém se admire se os nossos governantes, partidários da simplificação, decidirem usar apenas uma palavra em lugar de duas."

***

Excerto da crónica IMPOSTO DE PALHOTA - Magalhães Pinto -"Vida Económica" - 7/10/2002

(foto de pissarro.home.sapo.p)

SOLUÇAO DO TESTE DO DIA 27/3

Pela inexistência dos umbigos. Adão e Eva foram, em toda a história da humanidade, os únicos humanos que não foram gerados e não tiveram mãe, por isso também não tendo cordão umbilical.

:)

A DUVIDA - 24º. fasciculo

(continuação)

Era visível, Maria do Céu, que mesmo ali, comigo, depois de algumas horas de companhia, continuavas a sentir-te só. Como eu te entendia bem! De há dez anos para cá, a solidão era também a minha companhia permanente. Tanto, que já me habituara à sua presença. Se calhar, como tu. Do hábito me ficara tratá-la como um peluche: viver com ela, deitar-me com ela, adormecer com ela, tê-la ainda entre os braços ao acordar e quase não reparar nela conscientemente. Quantas vezes me achei a conversar com ela, num diálogo com bilhete de ida, exclusivamente. Eu também sabia, Maria do Céu, o que era jogar as palavras, os pensamentos, as iras e os queixumes, num pinguepongue com as paredes. O que era lançar um impropério para o receber, cinicamente, reflectido no eco da nossa consciência. Nunca cheguei a saber se contigo se passava o mesmo, Maria do Céu, mas ocasiões houve em que estendi as mãos para acariciar a minha solidão, como se fosse uma doce companhia de quem esperava retribuição, e não encontrei senão o vácuo da minha sombra. Quantas vezes, me pretendi usar a faca com que cortava o pão das minhas refeições solitárias, para a esventrar, para lhe pôr as vísceras à mostra, deixando-as escorrer, como lodo, para as margens do meu rio. E o meu gesto de angústia não encontrou senão um vazio pastoso, moldável, multiforme, a ajustar-se continuamente à lâmina com que pretendia destruí-lo. Como eu te entendia bem, Maria do Céu! Era como se fosses, nesse instante, um espelho de feira a escarnecer piedosamente de mim!

(continua)

SORRISO DO DIA

Como é que terão conseguido chegar até ali?...

POEMA DO MES


FIM

No meu espírito,
soam os gritos
que mais não fazem que chamar por ti...
São sonhos aflitos...
Frases soltas... a esmo...
são ditos que repito a mim mesmo...
São poemas que eu nunca escrevi...
E as fragas dos meus fantasmas
não me devolvem
senão o eco dos meus chamamentos...
São como miasmas
que enchem de sombras
os meus pensamentos...
Pequenos indícios
- sementes de estranha loucura -
parecem mentiras
de quem anda à procura,
nas curvas do tempo,
de coisas que não inventei...
Querendo ir mais longe...
Como se longe estivesse
aquilo com que sempre sonhei...
Chego a fazer uma prece
- sei lá a que deus -
para que me faça tocar
- uma vez só que seja -
a fímbria de um só dos meus sonhos...
Em vão, amanhece
e a luz que me escalda
não é luz que se veja....
Nas mãos vazias
do meu pensamento
ficam apenas os saldos medonhos
das noites em branco...
das horas mais frias...
que são como tijolos
deste meu sofrimento...
Como flocos de neve,
como chuva na aurora,
ficam feitos em nada
os gritos que, em vão,
vou gritando em silêncio...
O tempo é já breve...
O depois é já agora....
O sol é já lua...
O dia é já noite...
E a imaginação
fica por aí, num recanto,
feita apenas desejo
para alguém que se afoite...
Não eu, que já não tenho coragem...
Para ir mais além....
Para continuar
à procura de alguém
que se esvaíu na voragem
desta vontade de amar...

Magalhães Pinto

A DUVIDA - 23º. fasciculo

(continuação)

Mal chegamos a casa, procurei pô-la à vontade. Preparei-lhe uma bebida. Outra para mim. Puz a rodar, em surdina, o adaggio do Concerto de Aranjuez. As ondas melodiosas do inesquecível trecho de Rodrigo, meu preferido, encheram o apartamento, murmúrio dos ventos da Meseta num abraço de amor em árvores milenares. Esperei alguma reacção de estranheza ou curiosidade. Não surgiu, embora o trecho estivesse nos antípodas dos gritos musicais frequentes no "Borboleta". Tirei o casaco e a gravata, peguei no meu copo e sentei-me no sofá. Acendi dois cigarros simultâneamente, oferecendo-lhe um deles. Perguntei-lhe se gostava do meu apartamento meio desarrumado de solteirão. Deixou correr o olhar em redor, lentamente, como se quisesse guardar em fotografia mental tudo o que via. Da kitchenette, onde a louça de vários pequenos almoços aguardava ainda a enxaguadela purificadora, até ao bar, repleto de garrafas de todos os feitios. Da estante, onde pilhas de livros se haviam engalfinhado uns nos outros, até à secretária, com a máquina de escrever a emergir, sôfrega de uma pinga de ar fresco, Dos papéis amontoados na mesa redonda e nua, ancorada em quatro cadeiras desarrumadas, até à janela, sem cortinas, para além da qual se divisava, lá ao fundo, uma nesga de rio a lavar, tranquilamente, os pés da cidade. Encolheu os ombros. Se algo destoava de tantos outros seus conhecidos, era a barafunda. Aliás, disse, preferia estar na discoteca, horas sem fim, mergulhada naquela atmosfera atordoante, do que na solidão murmurada dum apartamento. Sim! Porque, mesmo a dois, não deixava de ser solidão.

(continua)

PENSAMENTO DO DIA


Assessores do Governo telefonam para as redacções dos órgãos de comunicação social, tentando impedir a divulgação de notícias desfavoráveis ao Governo e ao Primeiro-Ministro. Augusto Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, tem em preparação uma Lei para, no seu dizer, impedir o "jornalismo de sargeta". Nuvens negras acumulam-se sobre a liberdade de expressão.

FRASE DO DIA


"Investimento público aumenta em ano eleitoral."

Título do "Público" - 1/4/2007

***

Não, não estamos a falar do Tio Alberto da Madeira. Isto tem que ver com o Primo José de Lisboa...

(Imagem de Wikipedia)

SORRISO DO DIA

Traição e ciúme...