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12.6.07

FRASE DO DIA


"Economia alemã dá sinais de abrandamento."

Título de "Público" - 12/6/2007

***

Lá vai o nosso crescimento para o maneta, também! E logo agora, que estávamos a crescer um centímetro por ano!...

(Imagem de zegeraldo.free.fr)

CRONICA DA SEMANA (II)


Se precisássemos de mais alguma prova de que o Governo vive no afã de legislar, simplesmente legislar, muitas vezes mal, para dar a aparência que é um grande reformador, teríamos numa lei que se apresta para entrar em vigor a prova mais cabal que imaginar se pode. Trata-se da lei que pretende regular a publicidade nos preços dos produtos turísticos, com particular incidência no transporte aéreo. Uma lei feita no joelho, porventura inspirada nalguma conversa de café tida pelo responsável ministerial com algum técnico da Deco. Uma lei que se vê, de olhos fechados, ter sido feita por quem não entende nada do assunto. Uma lei que pretende que a publicidade ao produto turístico especifique o preço final a pagar pelo consumidor, estando nisso contido não apenas o valor dos produtos consumidos, mas todos os impostos e taxas, bem como a margem de ganho dos intervenientes no negócio quando se tratar de intermediários entre o produtor dos serviços e o respectivo consumidor.

Para que bem se entenda o que está em causa, é necessário ter presente em que consiste o negócio turístico, a organização do mercado do lado da oferta. Naturalmente, uma imensidade de serviços podem estar contidos dentro da designação genérica de "negócio turístico". Por isso, e para simplificar, vamos ater-nos às linhas gerais. São agentes principais do negócio turístico os seguintes:

- as companhias aéreas, que fornecem a viagem;
- os hoteleiros, que fornecem a estadia e a alimentação;
- os transportadores em terra, que fornecem as deslocações;
- os operadores turísticos, que constroem e vendem "pacotes" com aqueles produtos;
- os agentes locais, que dão apoio aos turistas vindos de outras paragens;
- os agentes de viagem.

...

Só este enunciado deixa ver as enormes dificuldades que se colocam para responder a uma lei como a que aqui comentamos. Mas há nela coisas de bradar aos céus. Vamos ver algumas:

- OBRIGATORIEDADE DE PUBLICITAR AS MARGENS DOS AGENTES

Em que raio de negócio - com provável excepção no comércio de preço fixo, como o dos medicamentos - é que um comerciante tem que declarar ao seu cliente quanto é que ganha? Ainda se entenderia se não estivéssemos num mercado profundamente concorrencial, como o do turismo é. Agora num produto que tem um vendedor em cada esquina, em que a concorrência é viva e eficaz, isso tem alguma justificação? Nenhuma. O objectivo é apenas o de passar o braço por cima dos ombros do cidadão e murmurar-lhe ao ouvido: "vês como eu estou a defender os teus interesses?". E que tal fazer o mesmo para os bancos - volto a insistir - que, com o beneplácito do Governo transfere para o cliente o o valor do Imposto de Selo que lhe competia pagar ou os custos com a comunicação? E que tal fazer isso com a PT ou com a EDP, fazendo com que elas nos revelem as margens brutas com que trabalham? E que tal o Governo publicitar quanto é que arrecada de impostos em cada litro de gasolina vendida? Com a vantagem de, nestes casos, estarmos a falar de mercados onde a concorrência não existe ou é fraca. Tamanha hipocrisia deve merecer o repúdio profundo do consumidor, do cidadão.

OBRIGATORIEDADE DE PUBLICITAR AS TARIFAS FINAIS NAS VIAGENS AÉREAS

Total desconhecimento de como é que funciona o mercado. O cliente aborda uma agência de viagens e pergunta qual o preço de uma viagem aérea para a cidade "X". O agente consulta o sistema e acha o preço disponível. Informa o mais barato de que dispõe. Mas sabe uma coisa, de que informa o cliente. O preço informado é válido para esse exacto momento, apenas. Daí por cinco minutos, esse preço pode já não estar disponível, por se ter enchido a classe correspondente. Ademais, mesmo que exista na mesma classe, no dia seguinte pode ter variado o custo do combustível e a taxa do aeroporto de destino. Uma e outra coisa, por autorização, quando não imposição, dos Governos. Seria bonito ver os clientes a exigir que, amanhã, lhe respeitassem o preço informado ontem! Um absurdo de quem, das viagens, apenas conhece o assento de Classe Executiva onde se senta e o conforto dos hotéis de cinco estrelas onde se hospeda. Para termos bem a noção do atabalhoamento legislativo do nosso Governo, bastará saber que ele próprio, inopinadamente e sem aviso, apenas dois dias depois da publicação do diploma legal em análise, aumentou as taxas aeroportuárias em Portugal. Se a lei já estivesse em vigor, esse facto, por si só, tornaria falsos os preços que tivessem sido dados aos clientes nesse mesmo dia!

Citando a APAVT, Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo - que não foi ouvida antes da publicação do aborto governamental nem lhe foi dada qualquer resposta pelo Governo quando pediu esclarecimentos - "Não pode o Governo permitir-se regulamentar deste modo o mercado porque, ao fazê-lo, ou obriga as empresas a sujeitarem-se a não publicitarem o seu produto, com todas as nefastas consiquências daó decorrentes, ou as força a não cumprirem a Lei".

AS TARIFAS DEVEM EXPRIMIR, ALÉM DE OUTRAS, AS CONDIÇÕES DE APLICAÇÃO DESSES PREÇOS, INCLUINDO O PAGAMENTO E AS CONDIÇÕES OFERECIDAS ÀS AGÊNCIAS

Ora essa! Isto é o mesmo que dizer ao vendedor de peúgas que informe o cliente do modo como paga ao seu fornecedor! Imagina-se - não tem outra utilidade - que seja para conceder iguais condições aos seus clientes. Ou para transferir para o cliente final as melhores condições que, pelo seu poder negocial, consiga obter. Nunca o absurdo de um Governo - para não lhe chamar patetice - atingiu as raias do inconcebível como neste caso. Salienta-se, novamente, que estamos a falar de um mercado altamente concorrencial, hoje mesmo com a concorrência da Internet.

AS REGRAS DO DIPLOMA APLICAM-SE AOS (sic) "SERVIÇOS CONEXOS COM O TRANSPORTE AÉREO"

Não se sabe bem o que isto quer dizer. Mas, tendo em conta todo o absurdo desta medida legislativa, pode bem acontecer que seja o transporte da aerogare até ao avião. Se assim for, então é bem possível que comece a ser necessário tirar bilhete para esse transportezinho. O comentário não consegue sair do gozo que esta lei inspira.

Até parece que o Governo, com esta lei, apenas quer evitar que os cidadãos saibam quais e de quanto são as alcavalas que, por força das decisões do Governo, impendem sobre os preços que o consumidor final paga. Reafirma-se: ou temos, em quem promulga os diplomas legais, alguém que olha para estas coisas, ademais com o espírito economista de que dispõe, ou este Governo acabará por dar, na actividade económica e financeira do País, um nó cego que ninguém conseguirá desatar. Tudo em nome da Reforma. Uma Reforma que nem Lutero conseguiu fazer de modo tão ineficaz e absurdo.

Excertos da crónica A LEI NO JOELHO - Magalhães Pinto - "Vida Económica" - 14/6/2007

A DUVIDA - 92º. fascículo

(continuação)

Acabei por me sentar na cama, ao lado de Maria do Céu. A olhar para as suas costas, de veludo, sabia eu. Acariciei-a. Sem reacção aparente. Desapertei os colchetes do soutien. Debrucei-me sobre ela e desenhei, com os meus lábios, arabescos nas suas costas. Lentamente, muito lentamente, percorri a sua coluna dorsal com a ponta humedecida da minha língua. Da nuca aos quadris, dos quadris à confluência das suas nádegas, puxando o slipe um pouco para baixo. Senti os seus soluços começarem a esmorecer.

Maria do Céu deixou-se conduzir pelos meus gestos, duma forma quase mecânica, numa oferta não regateada mas abúlica, não participada. Objecto apenas, inanimado. A sua lassidão foi tornando o meu assalto cada vez mais violento. Colei o meu peito nas suas costas. Como se quisesse arrancar-lhe a ferros uma verdade de que já desistira, penetrei-a vigorosamente, calando, com a mão em concha a simular uma carícia, os quase inaudíveis gemidos de dor a escaparem dos seus. Furiosamente, como se fosse uma sova, como se cada movimento pretendesse fustigar a sua consciência, continuei o acto até explodir nas suas entranhas, com um ronco de desespero a sublinhar a explosão.

(continua)
Magalhães Pinto

PERGUNTAS SEM RESPOSTA




Por onde tem andado a Sra. Dra. Morgado, encarregada-geral do inquérito conhecido como "Apito Dourado"?

SORRISO DO DIA

Tem humor... mas é desmoralizante!...

11.6.07

CRONICA DA SEMANA - I


O Governo tenciona fazer os cidadãos pagar pela entrada nos Parques Nacionais. Isto, depois de ter, há pouco tempo, retirado as autarquias correspondentes do processo de gestão dos Parques. É bem uma medida perfeita para mostrar o colorido do estilo de governação a que estamos sujeitos.

Um breve inquérito realizado pela SIC junto dos habitantes de dois desses parques mostrou, na opinião de quem neles vive e produz a sua vida, a verdadeira natureza da atitude do Governo. Segundo esses habitantes, da definição dos Parques Nacionais não resultou o menor benefício para eles. Como dizia um simples pastor entrevistado, são os habitantes que cuidam dos bens naturais, são eles que têm que abrir os caminhos, não houve investimento que se visse efectuado pelos poderes públicos e, até, as visitas aos referidos Parques não são, pelas dificuldades que surgem a quem se aventura a ser turista de um qualquer deles, sequer significativas.

Estava a ouvir isto e a lembrar-me do barulho feito, sobretudo pelo Partido Socialista, quando o Governo de Cavaco Silva pretendeu erigir uma barragem junto à foz do Rio Coa, na localidade que, desse acidente, recebeu o nome. Não foi sequer um concerto de protestos. Foi um encontro de todas as bandas bem pensantes do País. As quais se juntaram, num coro ensurdecedor. E recordo que um dos argumentos mais utilizados pelos opositores às ideias do Governo de então era o volume de proveitos que as visitas às celebradas gravuras rupestres - que desapareceriam debaixo de água com a barragem projectada - gerariam para a região. Passaram mais de vinte anos. E Vila Nova de Foz Coa é hoje igual ou mesmo menos do que era na altura. O nosso país está cheio de balelas políticas. Com a agravante de nós, os cidadãos eleitores, não aprendermos nada de umas ocasiões para as outras.

Se a ideia do Governo for avante, aí vamos ter nós uma receita para o Estado, sem bem sabermos porquê. Talvez não seja grande. Mas não é isso que importa. Talvez se justificasse, se o Governo investisse esses valores nos referidos Parques. Mas não é isso que importa. O que verdadeiramente importa é que nada foi feito - a não ser alguns Decretos-Lei - e a cobrança que o Governo quer fazer não é outra coisa senão outra espoliação. Como disse um dos entrevistados no tal inquérito, ainda se compreendia se o dinheiro fosse para as populações locais e para os proprietários dos terrenos que integram os Parques. Porque, prosseguiu ele, "isto é nosso, não é deles". Nós sabemos quem são os "eles" desta locução. Os espoliadores.

Crónica ISTO É NOSSO! NÃO É DELES! - Magalhães Pinto - "Matosinhos Hoje" - 11/6/2007

PENSAMENTO DO DIA


A subida dos juros vai "comendo" paulatinamente o rendimento das famílias. Os impostos crescentes vão "devorando" paulatinamente o que resta. Uma satisfação: nunca serão capazes de comer mais do que há no prato.

FRASE DO DIA


"Não disse que não concordava com a proposta de Jardim Gonçalves, disse que concordava com o modelo vigente."

Paulo Teixeira Pinto - "Público" - 11/6/2007

***

Perfeito. É que se tivesse dito que concordava com Jardim Gonçalves, seria obrigado a dizer que não concordava com o modelo vigente, o que o conduziria a dizer que o que tinha dito não era bem o que queria dizer, pelo que dizia agora que a sua posição era estar de acordo com o que o Presidente do CSG/BCP dissera, pelo que dava o dito por não dito... Entenderam?

PERGUNTAS SEM RESPOSTA




Se a OTA voltar atrás, como dizem, aterrará no Aeroporto da Portela?

A DUVIDA - 91º. fascículo

(continuação)

Quando te vi assim, Maria do Céu, chorosa e alquebrada, tive um rebate de consciência. Senti amolecer a minha raiva. Estava, pensei então, a ser profundamente injusto contigo. Nada mais natural do que a tua curiosidade levar-te a explorar Paris sozinha. Não te tinha avisado eu do meu regresso cerca das seis horas? Porque haverias de voltar mais cedo ao hotel? Como de costume, a minha raiva escoava-se, progressivamente, nos teus soluços. O desatino, que tu não viste e me levava a deambular pelo quarto, sem objectivo, era já o desejo de pôr ponto final na querela. Queria parar o teu choro e não sabia como. Sabes, o homem irado é assim. Fere, mata mesmo, as coisas de que mais gosta. Julgando-se rei e senhor de quanto existe em seu redor, solta a força impetuosa da sua intolerância, faz dela um cavalo selvagem, desenfreado, a derrubar tudo na passagem. E, depois, fica sem saber como dominá-lo de novo, olhando os destroços caídos pelo caminho, com olhar triste, como se quisesse restituir-lhes a existência. Eu também olhava o teu corpo caído na cama, arrependido já do acontecido por inteira vontade minha. Não o sabia ainda. Mas, naquele dia, alguma coisa morrera entre nós. E como podia eu adivinhar, naquele instante, naquelas circunstâncias, a tua necessidade do meu auxílio, muito mais do que quando te havia encontrado no Borboleta Negra? Esse desconhecimento não me serve de desculpa, não! O meu dever era confiar em ti! Mas que queres? A confiança é um bicho estranho! Surge, aproxima-se subrepticiamente, instala-se. E fica por ali, tranquilo, sem que demos, sequer, conta dele. Mas é um animal tremendamente assustadiço. Ao mais pequeno gesto agressivo, foge a sete pés, perde-se na selva da suspeita. Normalmente, para não regressar mais. E na alma fica o espaço por ele ocupado antes. Enorme. Avassalador. Aterrador. Dor. A dúvida. Uma verruma gigantesca a aprofundá-lo cada vez mais. Um buraco no qual se vai sossobrar irremediavelmente.


(continua)

Magalhães Pinto

SORRISO DO DIA

Reforço para a Selecção Nacional, face à lesão de Ricardo; pouco segura no jogo por alto mas lesta a sair da baliza...

10.6.07

GENIO

SALVADOR DALI não é apenas originalidade. Também é beleza. Note-se o rosto de Mulher...

INTERLUDIO

Um ADAMO vintage e uma canção - TOMBE LA NEIGE - que alimentou muitas almas enamoradas, já lá vai quase meio século..

A DUVIDA - 90º. fascículo

(continuação)

Durante alguns minutos, eu parecia um gato a brincar com um rato. Maria do Céu negava ter saído, mas com um ar aparentemente brejeiro, como quem quer guardar espaço para recuar, se for necessário. Olhava-a fixamente, ferozmente. Os seus olhos pareciam pés de bailarinos, sem se deterem um momento só em coisa nenhuma, saltando de sítio em sítio vertiginosamente. Pareceu concentrar-se no aperto do soutien. Insisti, cada vez mais firme. Abandonei a presunção e assumi a certeza. Onde foste, que só chegaste há pouco? Não tenho a ver com isso? Essa é boa! A minha irritação subia de tom. Tenho tudo a ver, Maria do Céu! Não te tirei da lama, para andares agora por aí, sem mim, quando te apetece e sem me dizeres por onde! Começou a chorar, silenciosamente, mas não me comoveu. Quero saber onde andaste e o que fizeste! Ou já esqueceste ser essa a regra? Estiveste com alguém? Um perfeito absurdo, esta pergunta. Com quem havia Maria do Céu estar, ela, a provinciana de Rala, numa das maiores metrópoles do mundo? Mas a minha razão já não procurava a razão. Era uma corrente impetuosa e selvagem, a jorrar catadupas de absurdos, com a intenção de ferir! Não julgues que é como no Porto, quando foste para a cama com o Vítor, sem me dizeres! Vais-me dizer o que fizeste esta tarde! Ou foi todo o dia? Tiveste tempo de ir ao Bosque de Bolonha, fazer uns cabritos! Perdida a noção dos limites, eu já não era senhor do pensamento. A ira era imperatriz suprema do meu espírito, das minhas cordas vocais, da minha boca. Maria do Céu não respondia. Sentara-se, primeiro, na cama, ombros encolhidos, olhos fixos no tapete, bailarinos inábeis na hora da pateada. Para, de seguida, afogar a cabeça na almofada, mãos a apertar os ouvidos, numa vã tentativa de escapar aos meus insultos. O seu corpo em convulsão parecia uma serpente ferida, no estertor duma vida a esvair-se.

(continua)
Magalhães Pinto

SORRISO DO DIA

Para já, não há problema... mas estou a imaginar a aterragem...

PERGUNTAS SEM RESPOSTA



Podemos ter esperança de que, devido à tão grave crise financeira, a Câmara de Lisboa pode fechar?

FRASE DO DIA


"Sócrates passa 36.000 funcionários para as autarquias."

Título de "SOL" - 9/6/2007

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Lá vamos nós que ter que cantar loas ao Primeiro-Ministro por mais este cumprimento de uma promessa eleitoral: reduzir os funcionários públicos a cargo do Governo!...

PENSAMENTO DO DIA





Mais um dia da Pátria. Será que ainda existe?

7.6.07

AVISO



Depois de meio ano de publicação praticamente ininterruta, este blog vai gozar um merecido fim de semana alargado. Regressa Domingo.

MIKLOS FEHER



O Benfica vai ter que pagar 600.000 euros ao Futebol Clube do Porto, por "direitos de formação" daquele jogador no clube das Antas.

Está certo. Como é público, Feher começou nos infantis do Porto, passou pelos júniores respectivos e, quando chegou a senior, fugiu para as reservas, em Lisboa. Aliás, acho que até devia ser mais. É que a formação foi tão empenhada e exigente, que o jogador acabaria por morrer em campo, com uma falha cardíaca.

É destas malhas que o futebol se tece.

PERGUNTAS SEM RESPOSTA


Depois de ter sido afirmado, sem contraditório, por técnicos que um novo aeroporto de Lisboa localizado na margem sul do Tejo, fica mais perto, fica mais barato e fica pronto mais depressa, com as associações ambientais a dizerem que os danos ambientais dessa solução são mínimos, qual é a prova que o Ministro Mário Lino está à espera para mudar de opinião sobre a OTA?

PENSAMENTO DO DIA


As escolas de cães para cegos vivem, com dificuldades, da generosidade de particulares. Os cegos interessados têm que esperar anos para terem um cão-guia. E, no entanto, os recursos que poderia modificar esta situação são apenas uma migalha do esbanjamento de dinheiros públicos de que temos notícia todos os dias. Paradozalmente, somos obrigados a concluir que vivemos num país-cão.

FRASE DO DIA


"Postos salva-vidas correm risco de fechar."

Título do "Jornal de Notícias" - 7/6/2007

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Está certo. É a revolução dos cuidados com os Portugueses. Com ambulâncias feitas maternidades e postos de assistência sanitária de emergência a milhas, quem é que pensa em salva-vidas?

A DUVIDA - 89º. fascículo

(continuação)

Já não sei se ouvia as tuas respostas às minhas questões, Maria do Céu ou se aquelas de que me recordo são produto da minha imaginação. A minha raiva subia de intensidade ao ritmo das minhas próprias perguntas. Era como se já conhecesse as respostas de cor e salteado. Era como se as perguntas fossem elas mesmo uma resposta. E, contudo, eu nem lhes dava conta. A ira é um sentimento desgraçado, Maria do Céu. A ira é o adormecimento de todos os sentidos, para ficar só esse sentir desgraçado. Cego. Surdo. A boca seca como um deserto. Os dedos a formigar. Cheirando a pólvora à espera duma faísca. Foi sempre uma característica minha que apanhou os outros desprevenidos. Se encurralado nos meus próprios sentimentos, reagir como uma fera em vias de ser caçada. Devo ter-te assustado muito Maria do Céu, naquele fim de tarde em Paris. Não me recordo já do meu tom de voz. Aliás, nunca me lembro do modo como falo se estou irado, quando a tempestade amaina. Mas penso que devia ser suave, como as garras duma onça a saborear a pele da presa antes de a devorar. Por isso, certamente mais ameaçador. Porque sei que não disfarço um tom sibilino, mas lento, arrastado, de faca a rasgar o tecido da consciência. Acho que te devo um pedido de desculpas por aquele fim de tarde, Maria do Céu. Embora não saiba porquê. Afinal, os acontecimentos vieram a mostrar a razão das minhas dúvidas, da minha ira. Mas teriam esses acontecimentos sido os mesmos se, em lugar daquela obsessão de conhecer todos os teus passos, eu tivesse tentado compreender melhor o teu lado da questão? Acho que não. Provavelmente, teriam sido profundamente diferentes. Com aquela cena, com aquele susto, eu estava a destruir a tua confiança em mim. A enterrar a possibilidade de me confiares os teus problemas. Estava a barrar a corrente dos acontecimentos que nos envolviam já, esquecido do fluir constante e encadeado duma vida. Ao qual só podemos opôr margens. Diques, nunca.

(continua)
Magalhães Pinto

SORRISO DO DIA

Face aos constrangimentos orçamentais públicos, a manutenção das pontes está em crise...

6.6.07

FRASE DO DIA


"PT faz marcha atrás na procura de oportunidades de investimento no Brasil."

Título de "Público" - 6/6/2007

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Os gigantescos planos de criação de valor para os accionistas que rejeitassem a OPA da SONAE começam a ruir. Pelo menos no Brasil. Palpita-me que vai ser sempre a fazer marcha atrás até encontrar uma SONAE à procura de repetir a OPA...

PENSAMENTO DO DIA


Paul David Hewson, mais conhecido por Bono Vox, o vocalista dos U2 e comendador português por vontade de Sampaio, conhecido como filantropo e activista dos direitos humanos, comprou 25% da PALM por mais de 240 Milhões de dólares. Dinheiro muito seu. O dos pobrezinhos é que é dos outros.

(Imagem de Wikipedia)

MEMORIA



O Governo decidiu encetar a reforma da tributação do património, por longo tempo adiada. Deu um primeiro passo, ainda tímido. Através de legislação agora em apreciação no Parlamento e em breve seguramente aprovada, o Governo decide, de uma assentada, quatro coisas:

- Matar o Imposto Sucessório, isto é, o imposto incidente sobre as heranças;

- Baixar a taxa da Sisa, incidente sobre as transacções de imóveis, ao mesmo tempo que aumenta espectacularmente o valor das transacções que desse imposto ficam isentas;

- Baixar a taxa da Contribuição Autárquica;

- E reavaliar o valor matricial dos prédios mais antigos, isto é, a base sobre que incidirão a Sisa e a Contribuição Autárquica.


Recordemos que a receita dos dois impostos que continuarão em vigor, embora com outro nome, quer a da Sisa, quer a da Contribuição Autárquica, revertem a favor das Autarquias Locais respectivas. E tanto bastou para que passássemos a assistir a uma litania de queixas, isto é, a uma ladaínha, por parte dos autarcas, afirmando-se prejudicados com as medidas anunciadas. É bom que esclareçamos dois ou três pontos que, sofismadamente, os autarcas reclamantes estão a esconder.

Em primeiro lugar, a competência para a fixação dos impostos - todos, nacionais ou locais - pertence, por princípio constitucional, à Assembleia da República. Donde, estar contra o que venha a ser deliberado seja estar contra a própria Constituição. Algo que deveria envergonhar os autarcas. Parece que não é assim. Donde, a conclusão de que, neste domínio, os autarcas são desvergonhados.

Depois, e fundamentalmente, os autarcas, na sua argumentação, escamoteiam o aspecto essencial da reforma levada a cabo pelo Governo. É que, baixando as taxas dos impostos Sisa e Contribuição Autárquica, o Governo provoca também a reavaliação dos valores sobre que tais taxas vão incidir. Não é preciso ser bruxo para saber que, no fim de isto tudo, o que vai acontecer é a Administração Pública, neste caso a local, ir arrecadar mais dinheiro. Quando muito, provocar-se-á uma mais justa repartição dos impostos pagos. Uma vez que há uma disparidade muito grande entre a Contribuição Autárquica paga por aqueles que adquiriram casa há pouco tempo e aqueles que já a têm há muito tempo.

No último cálculo sério por mim conhecido, datado já de há alguns anos, a reavaliação do património imobiliário para fins da Contribuição Autárquica produzia uma triplicação dos montantes arrecadados pelas autarquias sob esta capa. Presumia-se, então, que as taxas se mantinham, o que não acontece agora. E presumia-se uma reavaliação mais drástica do que aquela que vai acontecer agora. Portanto, não é de esperar que a receita triplique. Mas se pensarmos que a taxa vai reduzir-se de apenas 50%, não é difícil imaginar que a receita vai aumentar substancialmente. Donde, não ter qualquer fundamento a ladaínha dos autarcas.

Aos Contribuintes caberá esperar duas coisas. Por um lado, que a reavaliação a fazer dos imóveis seja justa. E que se atenda, por exemplo, a que é muito diferente ter casa para morar ou ter casa para passar férias. Ou, ainda, que não se pode fazer pagar uma Contribuição muito grande a quem tem casas alugadas há longo tempo, recebendo de renda quantias irrisórias. E, por outro lado, que não haja muitos autarcas com sobrinhos na Suíça.

Crónica A LADAÍNHA - Magalhães Pinto - "Matosinhos Hoje" - 13/4/2003

PERGUNTAS SEM RESPOSTA



A partir de 2008, os automóveis que não circulam vão pagar Imposto Municipal sobre Automóveis (selo) para pagar os custos da poluição que provocam?

A DUVIDA - 88º. fascículo

(continuação)

XVI

Bati a porta com força demais para o meu desejo de naturalidade. Ouvia-se o chuveiro a correr na casa de banho. Associei com uma lavagem ao cérebro. Um sobressalto. Falha no meu plano. Em cima da pequena mesa do canto, o meu bloco de notas, deixado quando ali viera, há pouco, por Maria do Céu, denunciava a minha presença antecipada. Parecia gritar alto. Se ela o tivesse visto, lá se ia a minha arquitectura demolidora por água abaixo. Guardei a esperança de ter sido mais forte o alvoroço do que o espírito de observação. Deixei ficar o bloco onde estava. Dava menos nas vistas. Fui à casa de banho. A cortina da banheira estava corrida. Transparente, deixava adivinhar as formas nuas, bem torneadas, de Maria do Céu. Abri a cortina, lentamente, numa reminiscência hitchcoquiana. Teve um ligeiro sobressalto e olhou-me bem nos olhos, quase interrogativamente. Por repentino e estranho pudor, voltou-me as costas. Saudei-a no tom mais natural possivel, um pouco trémulo porém. Como se lhe lavasse as costas, fiz-lhe uma longa carícia, da nuca às nádegas. Não me apressei. Fechei a cortina. Regressei ao quarto e sentei-me num dos sofás, acendendo um cigarro.

Ouvi a água parar de correr. Senti o sangue correr mais depressa, enquanto fazia esforços para parecer distraído. Daí a pouco, Maria do Céu saiu do banho. Vinha embrulhada na toalha. Com gestos lentos, secou-se cuidadosamente, perfumou-se. Apreciei os seus movimentos, cheios de graça, de deusa nua a preparar-se para uma orgia no Olimpo. Curvou-se para vestir o slipe, seios pendentes, como quando fazia amor comigo. O desejo, subitamente desperto, não foi senão um relâmpago. Então que fizeste hoje durante o dia? Nada?! Pode lá ser! Não saiste mesmo? Não me digas que estiveste a dormir todo o dia? Almoçaste no hotel ou lá fora? Claro que saiste! Ias lá ficar este tempo todo aqui fechada! Não rias! Estou a falar a sério! Foste a algum sítio? Não?! Quer dizer, acordaste agora mesmo e estás a tomar o banho como se fosse de manhã?

(conrinua)
Magalhães Pinto

SORRISO DO DIA

Joga a trinco, muito bom no um contra um, mas os treinadores acusam-no de ser pouco dinâmico... ou a protecção da natureza levada aos limites... ou ainda um árbitro que só arbitra à sombra...

5.6.07

CRONICA DA SEMANA - II


Paul Newman, o ex-actor de cinema que quase todos admirávamos, estrela de grandes filmes de qualidade como “O Prémio”, “Gata em Telhado de Zinco Quente” e “A Torre do Inferno”, doou, há alguns dias, a quantoa de dez milhões de dólares ao Kenyon College, escola na qual se formou há mais de meio século. Uma atitude mais num homem a quem o estrelato não estragou. Conheça-se que ele é o proprietário de uma linha de produtos alimentícios, o “Newman’s Own”, cujos lucros são totalmente entregues a instituições de caridade. Na circunstância da doação referida, produziu a seguinte afirmação:

“Devemos fazer o preciso para que os estudantes mais carenciados possam ter acesso ao ensino superior.”.

Não pude deixar de colocar em confronto esta medida de um simples indivíduo, naturalmente rico mas extremamente generoso, e o anúncio, pelo nosso Primeiro Ministro, no último debate na Assembleia da República, da oferta (ou quase) de computadores e acessos de banda larga à Internet a cerca de meio milhão de jovens portugueses. Um anúncio que impressiona, sobretudo pela sua dimensão. Claro que, cerca de uma semana depois, José Sócrates reduziu aquele número para duzentos e cinquenta mil. Não se pode dizer que foi muito. O número era tão grande qu, mesmo um corte de cinquenta por cento, ainda deixa muitos computadores para oferecer (ou quase). O que pode questionar-se é se esta é a melhor maneira de conduzir os jovens a uma formação eficiente, que faça deles cidadãos responsáveis e produtivos quando atingirem o estado adulto. Tenho dúvidas que esta seja a melhor maneira. E a medida afigura-se-me demasiado “simplex”.

Não coloco em dúvida quanto, na dita sociedade do conhecimento, é importante ter acesso à informação. Costumo mesmo dizer que uma das alterações mais profundas verificadas nos últimos cinquenta anos tem a ver com o seguinte:

- O sucesso indicidual está, natural e intimamente ligado ao domínio da informação; tive oportunidade de, no meu livro “Belmiro – História de uma Vida”, colocar em evidência quanto o sucesso da SONAE esteve ligado a esse factor;

- Antigamente, o domínio da informação estava ao alcance de apenas meia dúzia de privilegiados pelo seu estatuto social e correspondente acesso às fontes;

- A Internet veio revolucionar este estado de coisas, na medida em que, a partir da sua generalização, a informação passou a ser de todos para todos, isto é, todos produzem toda a informação e todos têm acesso a ela;

- Naturalmente, a dimensão da informação existente na Internet tem dimensões hoje já astronómicas, impossíveis de ser totalmente acedida por qualquer um;

- Donde, o sucesso hoje estar ligado à capacidade de seleccionar a informação a que se acede.

Tido este silogismo, mais ou menos extenso, em conta, o treino assumirá, naturalmente, um papel fulcral. E, nessa medida, a disponibilização dos computadores anunciada tenderia a ser uma boa medida. Nem sequer vou discutir, aqui, se esse é o melhor modo de aplicar os parcos recursos disponíveis, para atingir o objectivo maior de todos, aquele que Paul Newman tão simplesmente exprimiu ao fazer a sua doação. As minhas dúvidas são de outra natureza. Isto é, oferecer os computadores e o correspondente acesso aos jovens, sem lhe dar uma prévia formação de responsabilidade e de modo de usar o que ao seu alcance é colocado, pode ser uma rematada asneira, de efeitos perversos.

...

Como fonte de informação e conhecimento, a Internet é uma fonte inesgotável. Se os jovens a utilizarem do mesmo modo com que, há tempos atrás, se fazia com os livros, isto é, se a Internet for apenas mais um meio – e o mais importante e vasto – de obtenção de conhecimentos que são comparados, esmiuçados, submetidos à apreciação crítica de quem a eles tem acesso, estamos no paraíso. Porém, começam a ser muitos os casos em que a Internet é apenas uma fonte simplificada, preguiçosa, de arranjar qualquer coisa que se possa depois colocar no papel para mostrar aos professores. Para dizer as coisas em termos simples, a Internet é, hoje, a maior fonte de plágio puro e duro que se conhece. E isso é terrivelmente negativo.

Recordo que, nos livros escolares do tempo da ditadura, havia nos textos um, salvo erro intitulado “O Cuco”, no qual, de modo fabular, se explicava às crianças o feio que era assumir a atitude do cuco, ou seja, pôr os seus ovos nos ninhos laboriosamente construídos pelas outras aves. Era um libelo contra a preguiça. Infelizmente, esse texto desapareceu, como tantos outros de profunda missão formadora de caracteres. E corremos o risco de, mais uma vez, estarmos a incentivar a preguiça, desta vez intelectual, formando cada vez mais ignorantes que sabedores.

Num quadro como o que analiso aqui, estou mais virado para classificar a medida anunciada pelo Senhor Primeiro Ministro, assim, sem mais nada, sem um programa de formação e uso prévio, sem mesmo limitação de acesso ao que, sendo lúdico, e mau formador, como a pornografia, possa ser apenas uma medida “simplex”, popularuncha e populista, demagógica, sem grandes efeitos outros que não sejam aumentar a frequência das salas de chat cibernéticas à custa dos nossos escassos recursos.

Oxalá eu esteja enganado.

Excertos da crónica SIMPLEX - Magalhães Pinto . "Vida Económica" - 6/6/2007

PENSAMENTO DO DIA


O Primeiro Ministro anunciou, na Assembleia da República, que cerca de meio milhão de jovens portugueses ia ter computador e acesso à internet de banda larga gratuitos ou quase. Na sexta-feira reduziu para 250.000. Os restantes devem ter sido apanhados pelo seu programa de criação de 150.000 empregos. E, se continua a criar emprego a este ritmo, o Programa Computadores/Internet ainda corre o risco de ficar no tinteiro...

FRASE DO DIA


"Devemos fazer o preciso para que os estudantes mais carenciados possam aceder ao ensino superior."

Paul Newman, actor de cinema retirado, ao doar US$ 10 Milhões ao Kenyon College, escola onde se formou.

Citado por "Público" - 5/6/2007

***

Parece irmão gémeo de José Sócrates. Este vai "oferecer" computadores aos alunos mais carenciados... e mata quatro coelhos com uma cajadada: ainda cria emprego nos operadores da internet, ainda cria emprego nos fornecedores de computadores e ainda cria emprego nas empresas vendedoras de software...

A DUVIDA - 88º. fascículo

(continuação)

Olhei o relógio. Quase seis horas. Estava intimamente gelado. A meditação induzida por aquela criança tinha, paulatinamente, transformado a minha irritação num sentimento cortante e impiedoso de censura. Onde quer que tivesse ido, Maria do Céu ousara uma iniciativa sem o meu beneplácito.

Chegaste apressada, esbaforida, quase assustada, diria. Nem reparaste em mim, quieto, a observar-te. Gozei intimamente, quando te vi dirigires-te para as escadas, sem me veres. Dei tempo a que chegasses ao quarto. O episódio do cinema, lá no Porto, agigantava-se no meu espírito. Queria, desta vez, apanhar-te totalmente desprevenida, serena já, ou sem desculpa ou com desculpa engendrada. Não sei bem porque decidi agir assim, Maria do Céu. Amava-te e não devia ter, aparentemente, razões para duvidar de ti. Mas todo o meu comportamento se processava na presunção de que me ias mentir. Hoje, penso que se tratava de instinto, primário, quase animal. Aguçado, provavelmente, por nunca ter conseguido esquecer o Borboleta Negra, a noite do nosso encontro e o ter comprado os teus primeiros favores sexuais. Compra por pagar. Débito que não me afligia naquele instante. Senhorio não paga renda, devia pensar eu, Maria do Céu...

Subi as escadas lentamente. Pela passadeira, como se receasse fazer barulho antes do tempo. O meu pensamento fervilhava, construindo antecipadamente o diálogo a ter, dentro em pouco, com Maria do Céu. Parei mesmo, alguns minutos, diante da janela do último patamar das escadas, olhando distraidamente as copas das árvores dos Campos Elísios, recortadas na penumbra do crepúsculo. Algumas aves apressavam-se a recolher ao seu galho preferido. Perdido nos meus pensamentos desenfreados, estremeci, quando me pareceu ver uma delas sair das árvores, disparada, em voo tenso, e perder-se ao longe, seguramente muito para lá do Sena. A ecoar no meu espírito, ficou uma ordem, tola, irracional, surdamente gritada àquela ave, muito para além dela ter desaparecido. Era como se eu imaginasse ter o poder de fazer retornar a ave ao seu ninho, pela simples acção da minha vontade.

(continua)
Magalhães Pinto

PERGUNTAS SEM RESPOSTA



Poderá um candidato a autarca - em Lisboa, por exemplo - deixar de o ser por queixa apresentada por um seu concorrente que o constitua arguido?

SORRISO DO DIA

Marinha portuguesa permitida pela sustentabilidade do baixo défice público...

4.6.07

A DUVIDA - 87º. fascículo

(continuação)

Sacudi a cabeça com vigor. Tudo sem sentido. Não queria embrulhar-me na batalha dialéctica entre o homem-material e o homem-moral. Estava-me nas tintas sobre quem seria o vencedor. Por mais que sentisse a necessidade desse conhecimento. Por mais que acreditasse só transcenderem os homens, verdadeiramente, essa limitação, essa negação do seu próprio conceito, que é a morte, ao encontrar um sentido para a sua vida. Por mais que pensasse serem os homens apenas nados-mortos sem esse sentido, sem esse norte, sem essa libertação das peias da sua vida natural. Capazes do óptimo e do péssimo, do sublime e do execrável, embora, no milímetro de eternidade entre o nascer e o morrer, sem esse sentido, o homem apenas é meio caminho entre Caim e Abel, David e Golias, Augusto e Calígula, Agripina e Maria, Francisco de Assis e Inácio de Loyola, Pasteur e Hitler, eu e Maria do Céu.

À medida que o tempo se escoava, sem regressares, Maria do Céu, uma irritação desesperada crescia em mim. Impensadamente, punha em confronto o meu regresso tão logo quanto possível, para estar junto de ti, e a tua longa saída. Mandei às malvas o facto de te ter falado do meu regresso cerca das seis. Ficava em expoente, como se fosse um anúncio de neon daqueles da Pigalle, a tua ingratidão face à minha dedicação. Hoje, tendo em conta os acontecimentos e as revelações subsequentes, não sei se estava certo nessa atitude. Perante mim, eu era o bom e tu eras a má. Presunçoso, creio. Complexo como os demais homens. Capaz dum ideia límpida e libertadora, brilhante como um farol no meio do meu labirinto de interesses egoistas. Turbilhão caótico de paixões primárias e destruidoras logo feito um suave e tranquilo mar de humanidade. Eu não era, não sou, Maria do Céu, diferente de todos os outros homens...

(continua)
Magalhães Pinto

SORRISO DO DIA

Quando o reboque é rebocado em pleno serviço...


(Imagem de juliofantasma.com.br)

PENSAMENTO DO DIA


Um estudo calculou que o desemprego roubou, só num ano, 230 milhões de euros ao PIB da Beira Interior. Dramático. Tanto mais quanto é a dividir por cada vez menos. Mas, nisto de roubos, tanta culpa tem o ladrão como o mandante.

FRASE DO DIA



"Portugal lidera a "importação" mundial de jogadores brasileiros desde 2002."

Título de "Público" - 4/6/2006

***

... e de "jogadoras" brasileiras também...

PERGUNTAS SEM RESPOSTA



Quantas vezes vai morrer o Fidel Castro, na comunicação social e nos relatórios dos serviços secretos, antes de que se possa fazer-lhe o funeral?

3.6.07

CRONICA DA SEMANA (I)


Joaquim Queirós, jornalista de méritos firmados e reconhecidos, editou um livro de crónicas sobre Matosinhos. Parabéns. Sobre isso fala uma das minhas crónicas semanais.

***

Muitas das melhores páginas da nossa História estão vertidas nas páginas dos cronistas. Por eles pudemos conhecer, mais do que os factos, que relataram com bastante precisão histórica, o meio, o colorido, o contexto, em que os factos ocorreram. Uma tradição que se não perdeu ao longo do tempo Português. A ponto de dispormos, hoje, de um vasto naipe de homens e mulheres que se dedicam a deixar impressas as memórias do tempo que vivemos.

Joaquim Queirós é um desses homens. Conhecio-o, a primeira vez, já lá vai cerca de meio século. Com ele algumas vezes, perto dele outras, de longe mas atento as restantes, percorri esta longa - e apesar disso, tão curta - caminhada. Jornalista respeitado que atingiu os mais elevados patamares da profissão, sempre soube transmitir aos outros os acontecimentos de que foi testemunha. Utilizando um estilo simples, linear, mas riquíssimo na imagem, soube fazer-nos viver os acontecimentos a que não assistíamos directamente, não perdendo, na verdade inteira do que dizia a nota particular que fazia de cada um dos factos por ele relatados um evento único, irrepetível.

Para além de tudo isso, Joaquim Queirós é um excelente escritor. Domina a Língua Pátria com rara desenvoltura e isso permite-lhe dar, ao que diz, uma prazenteira elegância. É sempre um prazer lê-lo. Na leitura de Joaquim Queirós encontramos o prazer da fala inteligente, aquela que se dirige mais à emoção do que à razão.

É disso que trata, essencialmente, a seu novo livro, lançado esta semana. Simultâneamente autobiográfico e histórico, este "MAR DE GENTE" é mais do que isso, um mar de gente. Embora fique para sempre retida nas páginas deste livro a autêntica multidão que atravessou o tempo e o lugar vividos e trilhados por Joaquim Queirós, é Matosinhos vivo, o Matosinhos dos últimos cinquenta anos, a ser aprisionado para sempre na memória indestrutível da palavra escrita. Se outro mérito não tivesse, bastaria esse para o justificar. Mas "MAR DE GENTE" vai mais longe. Nas suas personagens e no enredo que as une, fica uma linda, imensa, homenagem àqueles que, com mais ou menos notoriedade, construiram a terra do autor, esculpiram esta sociedade à qual entregamos o nosso carinho e o nosso amor.

A edição do livro ficou a dever-se à Câmara Municipal de Matosinhos e à ANCIMA, que o patrocinaram. Uma justa e apropriada medida. Mais do que pagar a edição de um qualquer livro, essas entidades salvaram, para a História, aquilo que é, realmente, um pedaço da História viva de Matosinhos. Bem hajam por isso.

Crónica MAR DE GENTE - Magalhaes Pinto - "Matosinhos Hoje" - 4/6/2007

PERGUNTAS SEM RESPOSTA


Em que circo treinou o actual Ministro da Administração Interna, que acaba de dar uma enorme cambalhota na questão das prioridades da investigação para o Ministério Público?

PENSAMENTO DO DIA


É difícil acreditar que a apreensão de todos os documentos relacionados com as licenciaturas de José Sócrates e Armando Vara, efectuada pela Polícia Judiciária esta semana, não tem nada a ver com a pequena Madeleine da Praia da Luz. Parecem ambos - os documentos e a menina - destinados a nunca mais aparecer.

FRASE DO DIA


"Correcção (de exames) é trabalho pago a nível de mulher-a-dias."

Paulo Teixeira de Sousa - Professor e corrector de exames há mais de dez anos - "Jornal de Notícias" - 3/6/2007

***

Bem feita!... Porque é que não foi para arrumador de automóveis?... Ganhava mais e não tinha Ministro da Tutela!...

A DUVIDA - 86º. fascículo

(continuação)

Que fazemos do seu mundo... Não encontrei resposta de imediato. O mundo daquela criança não devia ser muito diferente do de Maria do Céu. Ou seria? O mundo de cada um é construído pelos outros todos. Não é? O meu espírito era uma imensa interrogação. Um mar de dúvidas nascidas dos olhos daquela criança. A resposta surgiu vestida duma outra interrogação, não menos complexa. Afinal, que natureza é a nossa, nesta trajectória a conduzir-nos do nada ao desconhecido? Deuses ou demónios? Não é evidente que caminhemos rumo à perfeição, pensei eu.

Hoje, creio que perfeição era o que eu te exigia, Maria do Céu. Um perfeição que se encontra em nenhures, se calhar. Não se consegue perceber se vamos do nadir ao zénite ou se, pelo contrário, nos vamos afundando no abismo da desumanização. Isto é, a nossa trajectória é do nada para o desconhecido ou do desconhecido para o nada? Insensívelmente, enquanto esperava por ti, reduzia a humanidade a ti e a mim.

Cerrei as pálpebras. Vi desfilar uma legião de cientistas sem rosto pesquisando, denodada e afincadamente, um antídoto universal contra todas as ameaças à vida física dos homens. Em seu redor, uma multidão imensa destruía, sistematicamente, os elementos naturais tão necessários a essa vida. Como se fossem slides projectados numa tela de cor imprecisa, as imagens sucediam-se no meu espírito. Vi homens e mulheres atarefados a produzirem automóveis, frigoríficos, televisões, videos, telefones sem fios, numa fábrica com janelas feitas de ecrans de computadores. Numa lixeira enorme, nas traseiras, amontoavam-se, juntamente com circuitos integrados meio desfeitos, montanhas de drogados, por entre os quais um velho, meio roto e sujo, vasculhava, à procura da família. Vi-me no meio dum bando de obuses, a voarem em todas as direcções, asas feitas duma cartolina cinzenta onde, estampada na cor do sangue, estava uma cruz simples.

(continua)
Magalhães Pinto

SORRISO DO DIA

"Eles" metem-se em cada uma!... Literalmente!...

2.6.07

O QUE E ISSO DE... ARTE?

Inquietante... Ou como qualquer um de nós revela a maior parolice num instante, dependendo das circunstâncias...



(gentileza de José Rocha)

INTERLUDIO

Uma bela canção - ET POURTANT - numa bela voz - CHARLES AZNAVOUR...

PERGUNTAS SEM RESPOSTA


Se o novo aeroporto de Lisboa vier a ser instalado na alternativa que surgiu esta semana - Alcochete - isso não quer dizer que estamos perante um barrete verde... e encarnado?...

FRASE DO DIA



"O painel Conselho dos Doze formado por empresários, gestores e economistas baixou de novo a avaliação do Executivo. Sócrates está à beira da negativa."

Título do "Expresso" - 2/6/2007

***

Lá vai o Primeiro-Ministro ter que escrever doze cartões, que assinará "Seu, José Sócrates"...

PENSAMENTO DO DIA


O Secretário de Estado das Comunidades, António Braga, elogiou o ditador comunista venezuelano Hugo Chavez e o seu Governo. Para alguns bons espíritos, como este, as ditaduras só são más quando amordaçam a boca do próprio.

A DUVIDA - 85º. fascículo

(continuação)

Procurei escapar á tensão, concentrando-me na revista. Em vão. As páginas eram uma amálgama de cores indecifrável. Subitamente, a minha atenção ancorou naquela fotografia. A cores, não obstante a tragédia que descrevia. Incomodativa. Inquietante. Maria do Céu atenuou-se por largos minutos, ideias em sobressalto. Aquela fotografia, ao contrário das fotografias da minha profissão, era muito mais o futuro do que o passado. Era uma janela aberta e não uma porta fechada. Talvez uma janela aberta por terem fechado uma porta.

Um miúdo, pele da cor de África, com evidentes sinais de mal-nutrição, dois rios de lágrimas a jorrarem com o vigor do Revué, das nascentes marejadas e a rasgarem sulcos dolorosos, sentia-se, cara abaixo, até se perderem nas margens do queixo. Do narizito brilhante, dois pingos de muco límpido tinham escorrido, até se perderem no soluço que escapava, ouvia-se, dos lábios entreabertos. Mas foram sobretudo os olhos - sempre os olhos, Maria do Céu... porque não vens?... onde estás?... - foram sobretudo os olhos que me impressionaram. Cravados na lonjura, negros como a pele, brilhantes do choro que os lavava, eram o desenho, a forma, o corpo material duma interrogativa angústia. Densa. Tão sensível como indizível. Dolorosa e acerada, como uma faca de mato, acabada de afiar.

É assim, sempre, Maria do Céu. Uma razão para sofrer e nada nos ocorre que não sejam interrogações. No meio da angústia da tua ausência, ali estava eu, mergulhado em pensamentos enraizados numa fotografia de revista desactualizada, páginas quebradas já, de tão desfolhada, mas sentindo, lá bem atrás desses pensamentos, um pilão a martelar continuamente, onde estâs?... porque não vens?... Era como se todo o meu mundo, podendo viajar pelo espaço exterior livremente, não fosse constituído senão por ti, imenso buraco negro que me absorvia. E, no entanto, a fotografia da tragédia duma criança conseguiu fazer-me repartir entre ti e ela.

Que fazeis do meu mundo?... Os olhos daquela criança exprimiam, audivelmente, com a raiva impotente do espectador-vítima, uma interrogação violenta, importante, crucial, uma interrogação dirigida aos homens-grandes, perdidos na teia dos seus problemas menores. Uma interrogação incrédula e temerosa. Que fazeis do meu mundo?...

(continua)
Magalhães Pinto

SORRISO DO DIA

Assim começam os rumores...



(Imagem de jokefrog.com)

1.6.07

PENSAMENTO DO DIA


A Espanha está à nossa frente na corrupção judicial, segundo estudo da Transparência Internacional. Lá vamos ter o juiz Baltazar Garzon, socialista pela graça de Felipe, a passar mandatos de captura sobre os seus pares.

FRASE DO DIA


"Mais de meio milhão de estudantes, professores e outros trabalhadores vão receber UM computador e UMA ligação de banda larga à Internet, a preços significativamente mais baixos que os do mercado ou quase gratuitos."

José Sócrates - AR - "Público" - 1/6/2007

***

Coitados! Já viram todos em fila, atrás do computador?....

PERGUNTAS SEM RESPOSTA





Quantas bossas terá o animal que nasça do cruzamento de um camelo com uma dromedária? Uma e meia ou três?

POEMA DO MÊS



PINTURA

Peguei numa cor...
Pintei uma rosa...
Juntei-lhe uma outra,
muito mais formosa,
para dar à flor
tons alaranjados
que, sem disfarçar,
falassem de amor...
Com mais uns bocados
de tintas mais pálidas,
pintei borboletas
a sair das crisálidas...
E fi-las voar
sobre a minha rosa...
Luxúria no ar
disfarçando o desejo
que costuma poisar
nas flores, como um beijo...
Em tons de vermelho,
pintei, com ardor,
um sol que, já velho,
ainda tinha calor...
E ao longe, saltando,
desenhei a alegria
de criança agarrando,
para si, mais um dia....
Peguei noutro pincel
e, com todo o cuidado,
usei tons de pastel,
em traços ligeiros,
para pintar uma fonte
junto a dois ribeiros
que se encontram lá em baixo,
vizinhos dum monte...
E, mesmo por debaixo
duma árvore frondosa,
pintei um pastor,
duas cabras e um cão...
Parados... quietos...
os três numa profunda meditação,
quase religiosa,
rodeados por um tufo de abetos...
Olhei a pintura....
com certa ternura...
Parecia-me quase, quase, bem...
Mas faltava-lhe o toque final..
aquele algo que anima...
Um toque de sensibilidade
sem o qual,
qualquer habilidade
não chega a obra-prima...
De pincel na mão,
segurando a paleta,
olhava-a, parado...
E foi então
que uma borboleta
- uma borboleta de verdade -
por ali a pairar,
poisou no meu quadro
com suavidade...
Mesmo em cima do amarelo
a imitar margaridas...
Pareceu gostar...
Tanto, que ali se ficou
horas esquecidas,
asas a espadanar,
lentamente...
naquele jeito capaz
de eternizar um instante...
Levei o quadro p'ra casa.
E quando me apraz,
como se fosse um amante,
sento-me em frente, a olhar,
vendo a minha borboleta
que não é da paleta...
asa acima... asa abaixo....
Inda lá está, a voar...
Poisada numa margarida
cercada pela verdura...
... Por isso a pintura
não é minha... É da Vida...

Magalhães Pinto

A DUVIDA - 84º. fascículo

(continuação)

Deixara Maria do Céu no hotel. Com recomendações de se não afastar muito, se entendesse tomar um pouco de ar. Cerca das seis horas, estaria de regresso. Regressei mais cedo, ainda não eram quatro. Não estava no lobby. A descansar, provavelmente. A chave não estava na recepção. Subi. Bati à porta do quarto. Silêncio. Dormia. Bati mais forte, com alguma impaciência. Sem resposta. Desci à recepção. Preocupado. Não a tinham visto sair. Devia estar no quarto. Abram-me a porta do quarto, por favor, rápido. Onde está a chave mestra? Quem pegou nela daqui? Depressa! Até que enfim! Apareceu. Nunca mais volto para este hotel. Abriram a porta. Ninguém. Maria do Céu não estava no quarto. Não estava no hotel. Fora dar uma volta, certamente. Desci, disposto a esperar. Não deveria ter ido para longe. Vim á porta. Olhei para um lado. Para o outro. Nada. Fui até uma esquina. Depois, até à outra. Regressei ao hotel. Sentei-me, voltado para a porta. Esperei, a folhear uma revista. Sem me concentrar no que lia. Cada silhueta recortada na luminosidade da porta de entrada era uma ansiedade, logo desfeita. Bolas! Que andas a fazer, Maria do Céu?...

À medida que os minutos se escoavam, Maria do Céu, ia ficando prisioneiro duma surda irritação. Eu próprio te dissera para, se quisesses, ires tomar um pouco de ar. Mas penso nunca ter admitido que o fizesses. Ias ficar, tranquilamente, no hotel, a aguardar por mim. Hoje, vejo claramente ter sido esse o meu desejo. Era como se não devesses existir sem mim, a não ser junto a mim, dependente de mim, só para mim. Cada segundo, daquelas quase duas horas à tua espera, foi uma pedra acumulada para te arremessar logo voltasses. Num crescendo inquieto e surdo de impaciência. Curiosamente, apenas pensei na eventualidade de um acidente qualquer enquanto te julgava no quarto. Nunca mais pensei nessa possibilidade. Era como se, na rua, nada te pudesse acontecer. Não sei explicar porquê. Talvez porque se não esbatesse nunca, no meu subconsciente, a ideia de seres uma filha da rua, quando te encontrara. Por isso, por ela protegida. Recordei a história da tua ida ao cinema, no Porto, e da perda do isqueiro simulada. Continuava sem explicação para essa fuga. Ressurgiam, dos recônditos da alma aonde as esconjurara, as suspeitas do que fizeras com o Vítor, naquelas horas desconhecidas. Sofri tanto durante aquela espera, no hotel, Maria do Céu! O meu pensamento retorcia-se nas curvas duma posse espiritual atraiçoada pela tua ausência não consentida. Porque ir dar uma volta não era estares aquele tempo todo na tua fresca ribeira, pensava eu ao ritmo dum martelo diligente. Onde estavas, perguntava eu. Quando vens, perguntava eu. Porque saiste, perguntava eu.

(continua)
Magalhães Pinto

CONTRASTES

Um pobre diabo, drogado, a precisar de ajuda...



Um criminoso...

SORRISO DO DIA

O Metro do Sul do Tejo, recentemente inaugurado...



(Gentileza de José Rocha)