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15.11.09

MEMÓRIA

CUSTOS OCULTOS

"A Justiça é importante para toda a sociedade, mas que funcione mal é especialmente prejudicial para as empresas, porque lhes impõe custos muito gravosos. Está comprovado que os investimentos num país diminuem quando há insegurança jurídica. Em Espanha temos alguns problemas com a Justiça. É lenta, cara, pouco eficaz e com graves ineficiências. E isso afecta a todos os cidadãos e as empresas de um modo particular."

Prof. Santos Pastor
Catedrático de Economia Aplicada da Universidade
Complutense de Madrid, Presidente do Colégio do Instituto
de Empresa e Centro de Investigações em Direito e Economia.


A citação acima, que colhi de um periódico do país vizinho, traz a autoridade de quem se dedica a estes estudos com seriedade, numa das mais prestigiadas universidades europeias. Ao fazer uma afirmação tal, o Professor Santos Pastor apenas diz algo que sentimos todos os dias, mas a que não parecemos dar o devido relevo. E veja-se que a afirmação feita diz respeito ao país vizinho, no qual, apesar de tudo, a Justiça parece funcionar bastante melhor do que no nosso país. Imagine-se, pois, a importância dos custos ocultos do funcionamento da nossa economia, exclusivamente devidos ao mau funcionamento da Justiça.

Nos últimos tempos, a Justiça portuguesa tem estado sob a lupa dos cidadãos. Infelizmente, pelos piores motivos. E eu não sou excepção. De repente, dou por mim a pensar no país que seríamos se os nossos políticos, há tanto tempo perdidos nas suas tricas cujo objectivo único parece ser a conquista e usufruto do Poder, tivessem aproveitado o tempo assim perdido na reforma das nossas instituições. De que a Justiça é um dos pilares básicos. Além dos inconvenientes anotados pelo Professor Santos Pastor para a Justiça vizinha, a nossa ainda enferma de uma insuportável lentidão e de uma complexidade absolutamente incompreensível, que nos tornam, em quase todos os casos, numa patética imitação de país desenvolvido.

Além dos custos insuportáveis que o mau funcionamento das instituições provoca, os quais afastam do nosso país, inexoravelmente, os projectos de investimento internacional realmente sérios, tal situação tem o condão de chamar ao nosso país os investimentos pouco sérios, os quais sempre procuram as economias onde possam usar das suas artimanhas e apenas enquanto possam usá-las. Por isso mesmo é que não pode causar grande admiração a grande rotação de projectos no nosso país. Vêm, instalam-se, exploram as condições precárioas existentes e vão-se. Num quadro de grande insegurança e desorganização, nenhum projecto vem para ficar. A não ser que lhes sejam oferecidas grandes vantagens, normalmente no plano fiscal ou de incentivo financeiro. O que acaba por consituir-se como mais custos ocultos de extrema gravidade para o nosso desenvolvimento. Não apenas pelo que pagamos pela instalação dos projectos internacionais, mas também pelas condições de concorrência desleal que tal acaba por significar para as empresas portuguesas. As quais, naturalmente, não beneficiam das mesmas condições vantajosas.

Se realmente nos interessamos pelo futuro da nossa sociedade, facilmente chegaremos à conclusão de que isto não pode continuar assim. Uma frase que quase todos os dias nos sai da boca, mas que é mais um desabafo de impotência do que um propósito de emenda. É necessário que transformemos o desabafo em atitude consistente. Temos que perceber que, em última instância, é a todos nós que cabe a responsabilidade pelo estado a que chegamos. Porque vimos curto, porque falamos em lugar de agir, porque abandonamos os políticos à sua boa-vontade, a qual, porventura, não passa disso. É só boa-vontade. Temos que encontrar forças para modificar este estado das coisas.

...

Excerto de crónica de Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 8/2/2004

PENSAMENTO


Num folhetim policial onde nada é esclarecido, estamos todos autorizados a suspeitar de quem é o bandido.

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Partidos têm cada vez mais dinheiro e menos fiscalização."

In PÚBLICO - 15/11/2009

JEAN LOUIS GRIG - VII



(ver créditos em I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1630, faleceu Johannes Kepler, matemático e astrónomo alemão.

Kepler, usando dados coligidos por Tycho Brahe (as oposições de Marte entre 1580 e 1600), mostrou que os planetas não se moviam em órbitas circulares, mas sim elípticas. Esse detalhe, somente perceptível por acuradas medições, deu a Isaac Newton elementos para formular a teoria da gravitação universal, 50 anos mais tarde. Newton viria a declarar: "Se enxerguei longe, foi porque me apoiei nos ombros de gigantes". Não declara exatamente quem seriam esses gigantes, mas Kepler certamente era um deles.


SORRISO DO DIA

Bom gosto...

FOTO DO DIA

PORTO

Uma homenagem a uma linda cidade. RUI VELOSO. PORTO SENTIDO.

14.11.09

FRASE DO DIA

"As escutas de que foi alvo José Sócrates são um caso de espionagem política."

Vieira da Silva, Ministro da Economia - JORNAL DE NOTÍCIAS - 14/11/2009

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O homem anda a ver muitos filmes de guerra...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

"Quero é saber se as escutas são legais."

José Sócrates in SIC NOTÍCIAS - 13/11/2009

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"Sócrates mentiu ao Parlamento sobre a TVI."

In SOL - 14/11/2009

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"Presidente do Supremo manda destruir todas as escutas a José Sócrates."

In JORNAL DE NOTÍCIAS - 14/11/2009

JEAN LOUIS GRIG - VI



(ver créditos em I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1887, nasceu, em Espinho, o pintor português Amadeu de Sousa Cardoso.

O cubismo em expansão por toda a Europa foi uma influência marcante no seu cubismo analítico. Amadeu de Sousa Cardoso explora o expressionismo e, nos seus últimos trabalhos, experimenta novas formas e técnicas, como as colagens e outras formas de expressão plástica.




Uma das suas obras:

FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Automóvel comprado às prestações...

13.11.09

FRASE DO DIA

"(Jaime) Gama sugere 'contacto forte' do Parlamento com a Justiça."

Título de PÚBLICO - 13/11/2009

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Não é preciso! O Governo encarrega-se disso!...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Segundo o Tribunal de Contas:

- Estradas de Portugal "perdoa" 430 milhões de euros nos contratos das auto-estradas com empresa privada;

- Empresa beneficiada: Mota-Engil, SA.;

- Presidente da Mota-Engil SA.: Jorge Coelho, influente membro do Partido Socialista.


***

Desde as invasões francesas que Portugal não era saqueado como actualmente.

JEAN LOUIS GRIG - V



(ver créditos em I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1460, faleceu o Infante D. Henrique, grande impulsionador dos Descobrimentos portugueses.

O Infante D. Henrique nasceu no Porto, numa Quarta-Feira de Cinzas, dia que se considerava pouco propício ao nascimento de uma criança. Era o quinto filho do rei D. João I, fundador da Dinastia de Avis, e de Dona Filipa de Lencastre.

Até à época do Infante D. Henrique, o Cabo Bojador era para a Europa o ponto conhecido mais meridional na costa de África. Gil Eanes, que comandou uma das expedições, foi o primeiro a passá-lo, em 1434, eliminando os medos então vigentes quanto ao desconhecido que para lá do Cabo se encontraria.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Nos casamentos, é melhor não saltar...

12.11.09

A TRISTEZA...

Atendendo ao que se passa em Portugal, confesso que tenho um grande receio: que um destes dias, se formos ao Banco de Portugal para ver aquelas toneladas todas de ouro que costumávamos ter, só lhe encontremos o sítio!...

...E A ALEGRIA!

Uma satisfação me fica de tudo o que se vai passando em Portugal: estamos à frente da Itália! Ao lado do nosso Sócrates, Berlusconi é um aprendiz!...

CRÓNICA DA SEMANA - II

E SE?...

E se a participação de Armando Vara, na rede corrupta da sucata, não fosse mais do que favores que os políticos cedem para agradecerem financiamentos que certas pessoas fazem aos Partidos, com toda a gente a presumir que é por ideologia, mas todos sabendo que não é mais do que o pagamento antecipado de “compras” futuras?

E se por acaso, neste caso, o financiamento tivesse sido oriundo, essencialmente, de Manuel Godinho José Godinho, “o sucateiro”, e tivesse sido pago por utilização parcial dos quinze milhões de euros de financiamento por ele obtido no Millennium/BCP, como um suborno do montante de 10.000 euros, ridículo para quem ganha por ano meio milhão, deixa suspeitar?

E se a nomeação de Armando Vara para Vice-Presidente do Millennium/BCP tivesse sido um agradecimento do Poder pelos substanciais financiamentos por ele obtidos para o Partido?

E se viéssemos a saber que esta fantasia era a realidade e que, por isso, o Secretário/Geral do Partido – episodicamente também Primeiro-Ministro – não podia deixar de saber?

E se as silenciosas certidões enviadas por um juiz zeloso, sobre as conversas telefónicas de José Sócrates com Armando Vara, congeladas - por um mês, dois, três ou quatro, tanto faz - na Procuradoria-Geral da República, estivessem no limbo “para não influenciar o resultado das eleições legislativas”, num criterioso seguimento das orientações superiormente assumidas pelo Senhor Presidente da República, a propósito das escutas de Belém, por isso mesmo influenciando-as?

E se as conversas de José Sócrates com Armando Vara não tivessem por objecto sucata, mas antes a estratégia para proteger amigos ou correligionários na área da Comunicação Social, designadamente na sempre presente TVI?

E se essas conversas tivessem mesmo ido mais longe e buscassem encontrar uma solução para os problemas financeiros de um dos maiores patrões da Comunicação Social – Joaquim Oliveira – outro português de sucesso que construiu um império a partir do nada, com uma rapidez impressionante?

E se essa conversa se desse precisamente porque Armando Vara era o Vice-Presidente do banco onde os problemas de Oliveira estavam maioritariamente sedeados, o Millennium/BCP, constituindo, por isso, como que uma procura de autorização para favorecimentos?

E se, afinal, este caso não fosse senão o exemplo do que se passa frequentemente no sector público, quer a nível da Administração Central, quer Autárquica, quer das Empresas Públicas?

E se os gigantescos desvios nas obras públicas – centrais ou autárquicas – fossem também pensados na mesma lógica, para proporcionar ganhos chorudos a quem não tinha que tê-los?

E se viéssemos a saber que um incêndio - que, em Londres, destruiu três quartos da documentação que podia esclarecer o “caso Freeport” - tinha sido fogo posto?

E se, por acréscimo, a crise económica em Portugal continuar e os desempregados chegarem, brevemente a um milhão?

E se tal se der, não obstante um crescente desequilíbrio das finanças públicas, enquanto algumas finanças privadas prosperam a olhos vistos?

E se à contribuição para a Segurança Social, agora criada, sobre as remunerações pagas a recibo verde, não corresponder nenhuma contrapartida para os assalariados, fazendo de tal “contribuição” um puro imposto, correspondendo isso a quebra da promessa de José Sócrates de não haver aumento de impostos?

E se o Presidente da República continuar a perder popularidade, dando lugar ao aparecimento, dentro de um ano, a um novo Presidente da área socialista e tornando a realidade muito mais espessa ainda?

E se viéssemos a concluir que esta história de governar o País não é senão uma representação destinada a que numerosos ganhem uns euros, alguns ganhem milhares, uns poucos ganhem milhões e milhões percam milhares de milhões?

Parece-me estar a adivinhar o que o meu Leitor está a pensar. “Este tipo está louco”. Mas não é loucura, meu Caro Leitor. Não fiz senão um pequeno exercício. Passar ao papel uma série de perguntas que nos assolam o espírito. Perguntas que, porventura, não têm nenhuma aderência à realidade. Mas que não são loucas. São, antes, o resultado do nevoeiro. Do nevoeiro que vai embrulhando, caso após caso, todas as histórias tenebrosas que vêm a público. Um rosário de trapalhadas em que se envolvem as grandes figuras do nosso pequeno mundo. São dúvidas que assaltam o pensamento apenas porque não há esclarecimento. Os esclarecimentos, quando chegam, vêm embrulhadas nas tácticas e nas estratégias de comunicação, o que faz que sejam incompreensíveis ou que não esclareçam tudo. Caramba! Será assim tão difícil chegar aos microfones e dizer: isto é assim e assim. Isto está provado e aquilo não está provado. Falem-me português, caramba!

Tive o grato prazer de ver o Primeiro-Ministro mudar o seu discurso, a propósito deste caso da sucata. Até aqui, dizia que não se pronunciava sobre casos que estivessem em segredo de justiça. Desta vez, felizmente (?), não poupou palavras. Não permitiria a permanência nos seus lugares dos acusados pelo Ministério Público, disse. Ainda bem que já não precisa de que os casos cheguem a julgamento e a sentença transite em julgado. É que, se alguém aparece ligado a um caso destes, esse alguém é pelo menos culpado de uma coisa. De andar em más companhias. E, por isso, a atitude não pode ser outra que não seja apontar-lhes a porta de saída. Recordo-me do modo como Cavaco Silva despediu (injustamente) um dos melhores, senão o melhor, ministros das finanças que tivemos, Miguel Cadilhe, só porque este apareceu na Comunicação Social por fazer, afinal, coisas a que tinha direito ou que eram legais e legítimas. Mas isso foi num tempo em que acreditávamos em quem nos governava e, por isso, não nos assaltavam o espírito perguntas como as que deixei acima.

E agora? Perceberão, aqueles que comandam tudo isto, o mal que estão fazendo à nossa sociedade? Entenderão o modo como estão a desgastar algo precioso e extremamente necessário, se quisermos ultrapassar as nossas dificuldades, a coesão social e a confiança em quem nos dirige? É que podemos não gostar de quem nos dirige. Mas é impossível viver e cooperar se, pelo menos, neles não confiarmos. E só podemos confiar se as explicações do que surja nos forem apresentadas com imensa clareza. Não pode haver lugar para o diz e desdiz enevoado. Ou, melhor, quando se desdisser algo dito tal tem que ser feito sem deixar margem para dúvidas, com a limpidez da verdade. O mal, presentemente, não está em falar demais, está em falar de menos. Como muito bem parece ter entendido José Sócrates ao decidir falar sobre um caso que ainda está – está?! – em segredo de justiça.

Creio que, se os responsáveis não entenderem isto, Portugal se irá afundando cada vez mais no lodaçal da desconfiança geral, do descrédito internacional, da falência como Pátria. Será um local mal frequentado aonde se evita ir.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 12/11/2009

FRASE DO DIA

"Escutas nulas, disse o Supremo. O facto é que o não são."

Pedro Lomba (advogado) - PÚBLICO - 12/11/2009

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Quando for feita a História deste tempo, teremos colocado no livro as páginas mais negras...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

"Causou escândalo no Parlamento o facto de parte da delegação portuguesa à União Parlamentar (UIP) ter aproveitado uma reunião em Adis Abeba, capital da Etiópia, para, no regresso, ficar dois dias no Dubai a passar a Páscoa com a família, sendo que um deputado viajou para Omã com a mulher. Uma viagem entre Lisboa e África com um desvio pelo Golfo Pérsico...Deputada que viajou com acompanhante na ida pelo dubai e mudou a rota de regresso: preço deste percurso Euros 7.644,34... Deputados que desdobraram o bilhete de primeira classe e viajaram em executiva com acompanhante: preço deste percurso Euros 7.644,34...Deputado com acompanhante que segue para Omã de férias: preço deste percurso Euros 7.6442,34... Preço do percurso efectuado pela Secretária-geral do Parlamento, pela via mais curta, sem desdobramentos e sem férias: Euros 3.312,36".

In PÚBLICO - 12/11/2009

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Tudo pago pelos impostos dos Portugueses. É fartar, vilanagem!...

JEAN LOUIS GRIG - IV



(ver créditos em I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1956, nasceu o político português e actual líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã.

Participou na luta contra a ditadura e a guerra no movimento estudantil dos anos setenta, foi preso na Capela do Rato (Dezembro de 1972); libertado de Caxias sob caução. Adere à LCI em 1973 (transformada em PSR em 1979) e faz parte da sua estrutura da direcção quando do 25 de Abril de 1974, participando na luta política desde então.

Recebeu em 1999 o prémio da History of Economics Association para o melhor artigo publicado em revista científica internacional. É membro da American Association of Economists e de outras associações internacionais, tendo tido posições de direcção em algumas; membro do conselho editorial de revistas científicas em Inglaterra, Brasil e Portugal; “referee” para algumas das principais revistas científicas internacionais (American Economic Review, Economic Journal, Journal of Economic Literature, Cambridge Journal of Economics, Metroeconomica, History of Political Economy, Journal of Evolutionary Economics, etc.). Foi professor visitante na Universidade de Utrecht e apresentou conferências nos EUA, Inglaterra, França, Itália, Grécia, Brasil, Venezuela, Noruega, Alemanha, Suíça, Polónia, Holanda, Dinamarca, Espanha.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Falta de canos...

11.11.09

FRASE DO DIA - I

"As dúvidas políticas não se desfazem destruindo as provas."

Manuela Ferreira Leite (para o Primeiro-Ministro, no Parlamento, sobre a destruição das escutas telefónicas entre ele e Armando Vara) - DIÁRIO ECONÓMICO - 11/11/2009

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Sublime!...

FRASE DO DIA - II

"Não percebo porque é que as certidões ainda não chegaram de Aveiro."

Noronha Nascimento, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (sobre o caso das sucatas) - PÚBLICO - 11/11/2009

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Não faz mal, Senhor Doutor Juiz. Se quiser, fale com a gente, que a gente percebe...

ESCUTAS TELEFÓNICAS

A coisa é assim:

1.- Para que alguém seja escutado tem que haver autorização de um Juiz.

2.- Presumida a autorização e iniciadas as escutas, a não ser que o "escutado" tenha o absurdo hábito de falar sózinho ao telefone, alguém mais vai ser escutado.

3.- Se for Você esse alguém, nenhum Juiz terá dado autorização para Você também ser escutado.

4.- Apesar disso, a Justiça está-se nas tintas para a ofensa constitucional de Você ter sido escutado sem qualquer autorização.

5.- Mas se não for Você o tal outro alguém e for o senhor Aníbal, o senhor José ou o senhor Jaime, já a Justiça não se está nas tintas e manda queimar as escutas.

6.- Mesmo que, por absurdo, o senhor Aníbal, o senhor José ou o senhor Jaime tivessem estado a falar de roubar Portugal.


É bom que saibamos porquê. E, para isso, recorremos ao Diário de Notícias para transcrever parcialmente uma averiguação do jornal:


"Nem o Presidente, nem o primeiro-ministro, nem o presidente da AR podem ser apanhados em escutas interceptadas 'por tabela'. Uma inovação das novas leis penais.

O artigo do Código de Processo Penal (CPP) que fez invalidar as escutas das conversas entre Armando Vara e José Sócrates foi inventado pelo anterior Governo do PS e aprovado na Assembleia da República por todos os partidos de poder: o próprio PS, o PSD e o CDS-PP. O PCP e o Bloco de Esquerda abstiveram--se. Resultou, no essencial, do "pacto de justiça" firmado entre socialistas e sociais-democratas, assinado quando Marques Mendes liderava o PSD.

O novo CPP foi aprovado em 2007. O anterior (ver comparação na caixa em baixo) nada dizia quanto a autorizações de escutas pelo Supremo Tribunal de Justiça quando estivessem em causa o Presidente da República (PR), o presidente da Assembleia da República (PAR) e o primeiro-ministro (PM) .

O PSD e o CDS votaram a favor do artigo proposto pelo Governo do PS mas tinham propostas próprias. Mas com uma diferença significativa em relação à do Executivo. Numa palavra apenas - mas uma diferença de peso.

A diferença é entre autorização da "intercepção, gravação e transcrição" das "conversações ou comunicações" em que "intervenham" o PR, o PAR e o PM (formulação do Governo socialista) e as conversações ou comunicações "efectuadas" pelo PR, PAR ou PM (formulação do PSD e do CDS).

Exemplificando: do que se sabe, Sócrates foi apanhado nas escutas com Vara porque o telefone deste estava sob escuta, à ordem do juiz de instrução do processo "Face Oculta". Como o primeiro-ministro "interveio" numa conversação cuja escuta foi autorizada por outra instância que não o STJ, este teve de anular a sua validade. E será sempre assim, por mais suspeitas que as conversações sejam."


***

Não se sabia, mas os tubarões têm um sentido gregário insuperável. Protegem-se uns aos outros. Já agora, porque não estender a Lei de 2007 a Deputados, Presidentes de Câmara, Presidentes de Junta de Freguesia, Funcionários Públicos e Lixeiros? Sempre tornávamos o país mais democrático.

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

As duas mais altas figuras da Justiça não querem falar sobre as escutas ao primeiro-ministro. Pinto Monteiro remete os esclarecimentos para Noronha do Nascimento, presidente do Supremo. Este diz que só o PGR pode falar. A ilegalidade das escutas espera confirmação.

As duas mais altas figuras da Justiça, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o procurador-geral da República, estiveram, ontem, a empurrar um para o outro o caso das escutas a Armando Vara que apanharam o primeiro-ministro, José Sócrates. Para já, os factos confirmados são estes: Armando Vara foi escutado ao telefone com José Sócrates; o Ministério Público de Aveiro extraiu certidão das conversas; o PGR diz que compete ao presidente do STJ autorizar a consulta dos seus despachos; o presidente do STJ, por sua vez, remete a questão para o PGR. Sem uma explicação cabal, fica tudo por esclarecer sobre as escutas a Sócrates.

In DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 11/11/2009

JEAN LOUIS GRIG - III



(ver créditos em I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1855, nasceu Mouzinho de Albuquerque, militar e figura histórica portuguesa.

Foi um oficial de cavalaria português que ganhou grande fama em Portugal por ter protagonizado a captura do imperador nguni Gungunhana em Chaimite (1895) e pela condução da subsequente campanha de pacificação, isto é de subjugação das populações locais à administração colonial portuguesa, no território que viria a constituir o actual Moçambique.

A espectacularidade da captura de Gungunhana e a campanha de imprensa que se gerou aquando do sua chegada a Lisboa e subsequente exílio para os Açores, fizeram de Mouzinho de Albuquerque, malgrado alguma contestação ao seu comportamento ético em Moçambique, uma figura muito respeitada na sociedade portuguesa dos finais do século XIX e inícios do século XX. Era então visto pelos africanistas como esperança e símbolo máximo da reacção portuguesa à ameaça que o expansionismo das grandes potências europeias da altura constituía para os interesses lusos em África.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Não é o que parece...

10.11.09

ROBERT ENKE

Aos trinta e dois anos, falec eu hoje o antigo guardião do Benfica Robert Enke. Tendo perdido a filha Sara há três meses e sabe-se lá mais porquê, o exemplar jogador de futebol suicidou-se, atirando-se para debaixo de um combóio.

JEAN LOUIS GRIG - II



(vidé créditos em I)

CRÓNICA DA SEMANA - I

RUA COM ELES, DISSE

Entrevistado sobre o já célebre caso conhecido como o processo Face Oculta, que envolve em negócios obscuros e, provavelmente, corruptos muita gente da esfera das suas amizades, o Primeiro-Ministro não hesitou, desta vez, em afirmar, com todas as letras, que não permitirá que os acusados pelo Ministério Público no referido caso permaneçam em funções. Foi extremamente surpreendente que tivesse falado desta maneira. E vamos ver porquê.

Até aqui, José Sócrates sempre tinha afirmado em casos semelhantes, que:

1º. – Não se pronunciava sobre casos que estivessem em segredo de justiça – como é o caso do processo Face Oculta;

2º.- Que havia que esperar que as pessoas fossem julgadas e só depois se podia agir ou não contra elas.

Assim, a atitude que o Primeiro-Ministro adoptou, desta vez, foi muito diferente. Desta vez, Sócrates não esperou pelo julgamento para dizer “rua com eles”. E seria interessante saber porque mudou de atitude. Eu tenho a minha teoria. Que vale tanto como qualquer outra.

O caso Face Oculta ronda, como nenhum outro, a esfera íntima de José Sócrates. Inclusivamente, foi apanhado a falar ao telefone com o principal e mais importante suspeito do referido caso, Armando Vara, embora sobre outro assunto a roçar, senão a atropelar, a fronteira do tráfico de influências. Sendo assim, parece que não restava, ao Primeiro-Ministro, outra solução senão a de ser, em tudo quanto dissesse, o mais duro possível contra os suspeitos. Agindo assim, Sócrates conseguia, se conseguisse, dois objectivos. Por um lado, distanciava-se do assunto, num tardio voltar as costas a gente que, pelo menos, anda em muito más companhias. E, por outro lado, chamava a atenção para o caso Face Oculta, desviando-a das outras conversas que terá tido com os suspeitos.

O facto de terem estado, na Procuradoria da República, durante quatro meses, sem qualquer decisão, as certidões extraídas do referido processo, sobre as conversas telefónicas de Sócrates com Armando Vara não nos deixa tranquilos. Depois dos segredos do Presidente da República sobre as escutas de Belém “para não perturbar as eleições”, só nos falta ouvir o Procurador-Geral da República dizer que foi com o mesmo objectivo que guardou silenciosamente as certidões.

E, enquanto isso, os cidadãos vão-se perguntando que qualidade de gente é esta a quem os destinos do país estão confiados.

Magalhães Pinto, em MATOSINHOS HOJE, em 10/11/2009

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...


Exposição à Liga em preparação
ARBITRAGEM DE JOÃO CAPELA AINDA POR DIGERIR


Ontem foi dia de folga em Matosinhos, mas nos gabinetes do clube já se começou a preparar a exposição que dará entrada na sede da Liga ainda no decorrer desta semana para dar conta do profundo desagrado que a arbitragem de João Capela suscitou nas hostes leixonenses.

A pesada derrota ante o Nacional e as expulsões do treinador José Mota e dos jogadores Nuno Silva e Zé Manuel são o resultado visível de uma arbitragem que chegou a aquecer os ânimos nas bancadas e que até proporcionou a intervenção do presidente Carlos Oliveira no final do jogo.

Na altura valeu a presença das forças de segurança, não só a tranquilizar a revolta que se adivinhava como a assegurar que a saída de João Capela do Estádio do Mar decorresse sem qualquer problema.

Sem possibilidade de discutir os 3 pontos cedidos ao Nacional, os responsáveis leixonenses reclamam agora por justiça, pelo que a exposição a dar entrada na Comissão Disciplinar da Liga também tem como objetivo a despenalização dos jogadores expulsos de modo a poderem ser opção nas jornadas que se avizinham.

Ainda sem ter tecido qualquer comentário à sua expulsão ou ao jogo com o Nacional, o técnico José Mota começa hoje de manhã, no relvado do Padroense, a preparar o desafio com o Aliados de Lordelo, a contar para a Taça de Portugal.

In RECORD - 10/11/2009

EFEMÉRIDE DO DIA

Nesta data, em 2006, o Sport Lisboa e Benfica entrou para o Guiness Book of Records como o clube com maior número de associados do mundo.

O Benfica foi fundado em 28 de Fevereiro de 1904 por um grupo de ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa (24 elementos de onde se destacava a figura de Cosme Damião), e criou, nas traseiras da Farmácia Franco, na zona de Belém, o Sport Lisboa (com uma única secção, a de futebol). Nessa reunião histórica, ficou definido que o novo clube jogaria de vermelho e branco e que teria no emblema uma águia e o moto "E Pluribus Unum".

Devido a problemas financeiros, vários jogadores da primeira equipa abandonaram o Benfica para o mais abastado Sporting, o que contribuiu para a fusão do Sport Lisboa com o Grupo Sport Benfica (que tinha como prática o Ciclismo), levando à origem do actual emblema (com a introdução da roda de bicicleta) e o nome definitivo: Sport Lisboa e Benfica, na data de 1908, a real data de fundação do Clube.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Candidata favorita à presidência do Sporting. Principal característica: habituada a multidões de descontentes...



(Gentileza de F. Santos)

9.11.09

FRASE DO DIA

"Feliz foi Ali Bábá, que nunca viveu em Portugal. Assim, SÓ conheceu 40 ladrões!"

Anónimo - 9/11/2009

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Em Portugal, falta só saber quem é que diz "abre-te Sésamo"!...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

"As empresas de Manuel José Godinho ludibriavam a Refer no carregamento de sucatas, assentando os seus veículos apenas parcialmente nas balanças. Tudo com a cumplicidade de funcionários da Refer, a troco de mil euros.

In PÚBLICO - 9/11/2009

JEAN LOUIS GRIG - I

Jean Louis Grig é um fotógrafo que dá ao corpo da Mulher un tratamento digital extremamente belo. Vamos, durante alguns dias, colocar aqui alguns dos seus trabalhos. Para quem quiser conhecer a obra com maior extensão, pode visitar a sua we em:

http://jeanlouisgrig.canalblog.com/archives/2009/02/index.html


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MEMÓRIA

ACREDITAR


Vivemos tempos muito difíceis. Um a um, vão caindo os valores morais, os ideais, os princípios, os nossos ídolos, os esteios da sociedade. Já há muito poucas coisas ou pessoas nas quais acreditemos. Aceitamos as rupturas, às vezes com incredulidade, outras vezes com indiferença. Encolhemos os ombros a cada tombo de algo ou alguém, como se não fosse nada conosco. Rompem-se as malhas de que somos tecidos enquanto comunidade, acrescentando a desconfiança com que nos olhamos. Um por si e todos por ninguém, é o nosso lema. O cepticismo o nosso refúgio. A descrença o nosso horizonte. E, no entanto, precisamos de algo em que acreditar. Sem crenças, o Homem é um barco à deriva, ao sabor de ventos contraditórios, sem porto que demandar, sem terra a que aportar. Sem esperança, somos nados-mortos. Sem crenças, somos uma espécie de feras à solta, sempre a ver como podemos abocanhar o melhor bocado, sem solidariedade, sem amizade, sem fraternidade.

Os fazedores de opinião - que assim são chamados aqueles que, como eu, têm o enorme privilégio de exprimir a sua opinião junto do grande público - reflectem os tempos que corremos. É muito difícil encontrar, hoje, alguém a dizer bem do que quer que seja. Falar mal, seja do que for, parece ser o ofício de cada um de nós. Eu também assim tenho sido. Mas apercebo-me que, insensivelmente, estou a contribuir para resultados contrários aos desejados. Querendo contribuir para que o mundo em que vivemos melhore, sinto ter vindo a contribuir para a derrocada da crença e da esperança. Porventura, um modo de mal agradecer este privilégio que tenho. Mas também sinto a necessidade de acreditar em alguma coisa. Eu quero acreditar na Justiça. Quero acreditar na bondade dos governantes. Quero acreditar que as decisões de quem toma as decisões são boas e que eu é que estou a ver mal. Quero acreditar na solidariedade entre os homens. Quero acreditar que os casos de maldade de que vou tendo conhecimento são apenas excepções à regra. E que todos andamos por aí a tentar ajudar, a tentar construir, a tentar melhorar. Quando já não tivermos nada em que acreditar, a Vida chegou ao estado terminal. Não pode ser! Temos de fazer algo para mudar este estado de espírito. Por isso é que, nos próximos tempos, não vou dizer criticar ninguém. Vou procurar encontrar coisas boas, pessoas boas, decisões boas, acontecimentos bons, relativamente aos quais me seja possível falar bem. Vou ser comedido na crítica e fácil no elogio. Mesmo que tenha a percepção de estar a ser relativamente injusto. Porque, no estado a que chegamos, é preferível ser injusto incrementando a esperança do que ser justo desfazendo-a.

É neste estado de espírito que abordo dois acontecimentos quase simultâneos, duas declarações públicas dos governantes, relativamente às quais sinto uma enorme vontade de aplaudir. Tanto maior essa vontade quanto tais declarações correspondem ao inflectir de outras decisões aqui sobeja e vigorosamente criticadas.

A primeira dessas declarações pertenceu ao Ministro José Arnaut e teve por objecto as críticas que se vinham ouvindo na praça pública sobre a promoção do EURO/94 na Fitur. A Fitur realiza-se em Madrid e é a maior feira europeia de turismo. A promoção do europeu de futebol- da responsabilidade do organismo oficial do ICEP - era quase invisível, ao que se diz. Confrontado com as críticas, o Ministro afirmou mais ou menos isto: "A promoção do EURO/2004 pertence às entidades que organizam o evento. Não gastaremos um euro dos Contribuintes na sua promoção. Só gastaremos o necessário para que Portugal possa aproveitar dele". Aplausos. Essa, sim, a atitude que os Contribuintes esperam de quem tem o dever de administrar o seu (deles) dinheiro. Por decisões passadas, Portugal já gastou couro e cabelo com o futebol. Pelo que representa de mudança de atitude, pela sensatez da decisão, pela clareza da afirmação, o Ministro merece todo o apoio. Que lhe não faltará. De todos os que estão ansiosos por ver uma melhor administração da coisa pública, pelo menos.

A segunda decisão governamental a merecer aplauso, quase a coincidir com a primeira, foi a Ministra das Finanças, Manuel Ferreira Leite. Anunciou ela "o adiamento por quatro meses da entrada em vigor dos novos pagamentos especiais por conta, a fim de dar tempo ao Governo para apreciar as reclamações que têm surgido a esse propósito". Aplausos, Senhora Ministra. Não é propriamente o erro que é censurável, tão humano ele é. E, como os demais, Vossa Excelência é "apenas" humana, embora a Sua tarefa pareça, muitas vezes, sobrehumana. O que verdadeiramente merece censura é a persistência no erro. Que, neste caso, foi evitada. Não me canso de aplaudir. Só falta, agora, receber, nos pagamentos especiais por conta, uma percentagem na margem bruta, em lugar de ser nas vendas. Ou então - o que será muito mais difícil - estudar bem todos os sectores e fixar um pagamento especial por conta para cada um deles. Ou, ainda, distinguir as empresas financeiras, as industriais e as comerciais.

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Excerto da crónica de Magalhães Pinto, publicada em VIDA ECONÓMICA em 5/2/2003

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À distância, isto conta-nos das histórias que os políticos nos contam...