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8.2.10

CORAIS DO MAR - I

Coral ou recife de corais ou, ainda, antozoários são animais cnidários e uma das maravilhas do mundo submarino. Os corais constituem colónias coloridas e de formas espantosas que crescem nos mares e podem formar recifes de grandes dimensões que albergam um ecossistema com uma biodiversidade e produtividade extraordinárias.

O maior recife de coral vivo encontra-se na Grande Barreira de Coral, na costa da Queensland, Austrália. Ele também é considerado o maior indivíduo vivo da Terra. Porém, devido à poluição e aquecimento marinho, está a morrer. A maioria dos corais desenvolve-se em águas tropicais e subtropicais, mas podem encontrar-se pequenas colónias de coral até em águas frias, como ao largo da Noruega.

São uma das maravilhas que a Natureza nos oferece. Inicianos hoje a publicação de uma série de exemplos dessa maravilha.


***

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1974, e na sequência de confrontos surgidos no norte de Moçambique, é lançado o primeiro comunicado do Movimento dos Capitães do Exército Português, na defesa da democracia e de uma solução política para a "questão ultramarina".

Surgia publicamente o MFA (Movimento das Forças Armadas) e começava a Revolução do 25 de Abril.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Quem estragou a fotografia, quem?...

7.2.10

MOMENTO DE BELEZA

A beleza da ordem unida militar, num verdadeeiro espectáculo dado pela Guarda Real Norueguesa.

FRASE DO DIA

"Em reacção à divulgação das escutas, o primeiro-ministro alega que as conversas são 'privadas' e que as notícias são uma 'infâmia'."

***

Estamos entendidos! Um crime sé é crime se os seus autores colocarem previamente um anúncio nos jornais a contarem como é que o vão cometer...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Escutas: Sócrates lamenta "jornalismo de buraco de fechadura"

O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou hoje "absolutamente lamentável" o que apelidou de "jornalismo de buraco de fechadura", baseado em "escutas telefónicas e conversas privadas" sem relevância criminal.

Questionado sobre as notícias dos últimos dias que o acusam de ingerência no caso TVI e de, alegadamente, querer condicionar o Presidente da República, Sócrates recusou contribuir para "essa infâmia".

"Eu não contribuo para essa infâmia, nem para a degradação da nossa vida pública, baseando-se essas acusações e essas notícias em escutas telefónicas", disse, à margem da cerimónia de adjudicação de contratos das redes de nova geração, em Vila Viçosa.

Na edição de sexta-feira, o semanário Sol transcreve extratos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.

In I - 7/2/2010

BALÕES DE AR QUENTE - XXIII



(ver I)

FIM

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1952, faleceu o poeta português Sebastião da Gama.

É dele este poema:

Meu País Desgraçado

Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anêmico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Divertimento dominical com implicações à segunda...

6.2.10

FRASE DO DIA



"Coitado do mentiroso,
mente uma vez mente sempre;
inda que fale verdade,
todos lhe dizem que mente!"

Livro da primária, há cinquenta anos atrás...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

“Socorro em Faro não está garantido”

"O socorro em Faro não está garantido e a sua operacionalidade é posta em causa diariamente", acusou ontem Fernando Curto, presidente da ANBP – Associação Nacional de Bombeiros Profissionais. O dirigente garante que anteontem a segurança da cidade ficou entregue a seis bombeiros municipais, um voluntário que se encontrava em serviço há 36 horas e outro que compareceu à rendição do turno. "Onde estão os 60 bombeiros voluntários do quadro activo", pergunta.


Fernando Curto explica que, nessa noite, o bombeiro voluntário foi colocado a conduzir a viatura que respondeu a um incêndio, 'pelo chefe de turno , também voluntário'. No local, o bombeiro 'não soube colocar a bomba da viatura a trabalhar, não dando água aos bombeiros', continua o dirigente. Foi 'um municipal a resolver o problema', diz Fernando Curto. Perante esta situação, o sindicato prepara uma manifestação, em Faro, dia 24 de Março. Macário Correia, presidente da Câmara de Faro, não quis comentar as acusações.

In CORREIO DA MANHÃ - 5/2/2010

BALÕES DE AR QUENTE - XXII



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1608, nasceu António Vieira, que viria a ser padre, político, orador e escritor português.

Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).

António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.

Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Parece a Monica Lewinsky... mas não é...

5.2.10

POEMA DO MÊS


A PENA

De pena na mão
e papel branco à frente,
abro o meu coração
ao que me vai na mente,
procurando escrever
um termo, um só,
que me faça esquecer
este nó
que me aperta na alma,
que me encurrala os sentidos,
que me faz ter a calma
dos momentos perdidos...
Mas o termo não vem
abençoar minha pena...
Uma pena que tem
quem tem alma pequena....

De pena na mão
e papel branco à frente,
procuro, em vão,
uma frase, uma ideia...
E, com alguma dor,
rabisco o papel,
Mas só provo o sabor
deste fel
que desperta a amargura
dos actos falhados,
que me traz a censura
partida em bocados...
Mas a ideia não vem,
a frase não surge...
É como se alguém
fosse lento se urge...

De pena na mão
e papel branco à frente,
vejo a ocasião
de mostrar que sou gente,
escrevendo, apressado,
da minha dor o grito,
Mas só vejo a brancura,
aflito...
E no desespero
desta hora vazia
de mim já só espero
uma longa agonia,
um longo tormento
pelo que vai por aí
e um só pensamento
... que é feito de ti?...

Magalhães Pinto

FRASE DO DIA

"Será Portugal a nova Grécia?"

Título de PÚBLICO - 5/2/2010

***

Eu cá não sei... Mas lá que estamos a ver-nos gregos, isso estamos!...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

"Nunca mais", diz Francisco Assis
Líder da bancada do PS trava proliferação de projectos 'selvagens' com origem no grupo parlamentar.


"Nunca mais!" De dedo espetado, tanto na passada quarta-feira na reunião da direcção da bancada como ontem numa reunião do plenário dos deputados socialistas, Francisco Assis impôs assim ordem: "Nunca mais" quer ver publicitados nos media projectos da iniciativa de deputados socialistas sem antes os conhecer.

O assunto ocupou ontem uma parte importante da reunião do grupo parlamentar. Pano de fundo: a intenção de três vice-presidentes da bancada (Mota Andrade, Strecht Ribeiro e Afonso Candal) de apresentarem na Comissão Parlamentar de Combate à Corrupção um projecto que tornaria públicos, na Internet, os rendimentos brutos declarados ao fisco por todos os contribuintes.

Assis desautorizou a iniciativa. Disse que enquanto for líder da bancada nunca um tal projecto avançará, pelo menos em nome do PS. Agora só poderá avançar como iniciativa individual de um (ou mais) deputado do PS. Strecht Ribeiro já prometeu que o fará, na Comissão Parlamentar da Corrupção. Mas sabendo que nunca terá o apoio oficial do seu partido. E, aliás, de nenhum outro: a ideia está condenada à morte.

In DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 5/2/2010

BALÕES DE AR QUENTE - XXI



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1985, nasceu Cristiano Ronaldo, jogador de futebol português, considerado o melhor jogador do Mundo em 2009.

Ronaldo começou sua carreira nas categorias de base do Andorinha, em 1995 foi para o Nacional e seu sucesso com a equipa o levou a assinar com o Sporting duas temporadas depois. O talento precoce de Ronaldo chamou a atenção de Sir Alex Ferguson técnico e dirigente do Manchester United, em 2003 quando tinha apenas dezoito anos de idade Cristiano Ronaldo assinou um contrato com o clube inglês, que pagou cerca de 12,24 milhões de libras esterlinas ao Sporting.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

O computador distribuído aos alunos, desde a primeira classe, há cinquenta anos. Tinha uma vantagem sobre o "Magalhães": ensinava a ler, a escrever e a fazer contas, coisa que aquele não faz...

4.2.10

FRASE DO DIA

"Governo poupa 15 milhões em vacinas (contra a gripe A)."

Título de PÚBLICO - 4/2/20109

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Outra maneira de dar a informação seria explicitar quanto é que o Governo gastou inutilmente nas mesmas vacinas...

CRÓNICA DA SEMANA - II

A QUADRATURA DO CÍRCULO

Não importa por onde começa, meu Caro Leitor. Seja por onde for, não conseguirá libertar-se do círculo. É uma das suas características. Não tem princípio nem fim. É por isso que são só histórias que estão a contar-lhe. Não que seja com má intenção. Mas é um pouco como nas famílias arruinadas. Quanto mais perto se está da falência mais optimismo procura mostrar-se. Numa tentativa de adiar o irremediável. O corte do crédito que conduz à indigência. E, para ser honesto comigo mesmo, eu também devia mostrar optimismo naquilo que lhe digo. Costumam dizer que, com pessimismo não vamos a lado nenhum. E é verdade. E eu devia mentir e mostrar-me optimista. Mas com optimismo injustificado é-se levado a um sítio ainda pior. E, além disso, se eu mentisse, se eu mostrasse o optimismo que não sinto, estaria a ser desonesto consigo, meu Leitor, por mais honesto que me quisesse crer. Além de que penso que a palavra mais urgente a dizer aos Portugueses é mais ou menos esta:

- Amigos, gozámos enquanto foi possível, mas chegou o tempo dos sacrifícios; sem sacrifícios para todos, acabará por não haver nada para ninguém…

E chegou. Temos que conseguir um impossível, quadrar o círculo. Senão repare, meu Caro Leitor:

- Não há modo, a médio prazo, de fazer crescer o PIB (Produto Interno Bruto, isto é, o que produzimos dentro de portas nacionais durante um ano) a taxas que escapem à barreira dos 1 a 2% ao ano; mesmo que sejamos optimistas e pensemos que as reformas (?) que vimos encetando aumentarão a nossa produtividade; e, para esse optimismo, ainda teríamos de esquecer que vivemos num país onde a tabuada é impressa nos livros de matemática do quinto ano, porque se tem por seguro que, então, os alunos ainda não a sabem de cor;

- Pela razão anterior, não temos maneira de ver reduzida a taxa de desemprego; teríamos de crescer a taxas de 5 e 6%, pelo menos, para aliviarmos, em três ou quatro anos, a carga de desempregados involuntariamente montados nas costas dos que trabalham;

- Acresce que o aumento de produtividade (e, com ela, a competitividade que permitiria o escoamento do aumento) exigiria que menos pessoas trabalhassem para produzir o mesmo;

- O que é ainda mais verdade para o sector público administrativo, onde deveríamos dispensar, a curto prazo, para aí uns 100.000 trabalhadores;

- Para ajudar o pai que é velho, também nós somos cada vez mais velhos, o que faz aumentar, impiedosamente, a carga social relativa aos idosos, seja nas reformas seja na saúde;

- Donde, surgem o celebrado défice público e correlativa dívida pública, a conduzir paulatinamente o Estado para a falência;

- Os quais, défice e dívida, impedem o Estado de dar a mãozinha de impulso na economia, muito à moda de Keynes;

- E o Estado somos nós!

Não quis complicar muito o raciocínio e não introduzi nele outros factores agravantes. Não quis, por exemplo, e só para usar um exemplo, colocar em evidência este sinal iniludível: andámos anos a fio a promover cursos para chamar a todos “licenciados” e, agora, os licenciados pedem salário correspondente. Vidé – só como exemplo, repito – os enfermeiros. Bom. Não é preciso mais. Apenas com os factores indicados já se matou qualquer optimismo. Parece impossível fugir do círculo.

Mas, com os países acontece algo que não acontece com as pessoas e com as empresas. Os países não fecham as portas. Se quem deve não toma as decisões que deve, a realidade encarregar-se-á de as forçar aí para a frente. As forças da realidade acabarão por impor-se. E, por maior que seja a resistência do compasso, ela forçará a quadratura do círculo. Traçará em linha recta. E por mais que doa, a redondinha linha do círculo quebrar-se-á, até termos um quadrado.

Para já, os poderes estão a forçar o sustento dos auto-insustentáveis com o produto dos outros. Algo que se aceita socialmente. Mas que começa a doer. Para já, contêm-se os desvalidos, para evitar a explosão. Mas não tardará a dar-se a explosão noutro ponto. O rastilho está aceso e só podemos evitá-la se molharmos a pólvora, Neste caso com as lágrimas do sofrimento consentido. E há umas quantas medidas que deviam já vir a caminho. Cito algumas, com as reservas que me merecem:

- Vai ser necessário reduzir o valor das prestações sociais; o subsídio de doença e desemprego vão ter que ser menores, ainda que alargados no tempo; manter uma situação em que, para muitos, é preferível estar desempregado que empregado, é soprar no rastilho;

- Vai ser necessário reduzir a mão-de-obra da máquina administrativa do país; a começar pelo pessoal político; mas chegando a todos os níveis qualitativos; não há jeito de reduzir a dívida pública e ter ainda algo para investir, sem mexer aí;

- Vai ser necessário alargar a idade de aposentação; a Espanha, mesmo aqui ao lado, já o fez; algo que vem no sentido da realidade e da utilidade, a de sermos produtivos cada vez mais até mais tarde; só se pede que, quando fizermos isso, saibamos ver que nem todas as profissões são iguais; isto é, a idade da reforma não pode ser a mesma para um mineiro ou para um porteiro;

- Vai ser necessário reduzir os custos com a Saúde, tanto preventiva como curativa; isso significará uma redução na nossa qualidade de vida, mas não vejo que sacrifícios se podem fazer sem reduzir a qualidade de vida;

- Vai ser necessário abandonar os projectos de investimento megalómanos; não faz sentido investir num futuro que, por este caminho, nunca chegará;

- E vai ser necessário aplicar os fundos assim disponíveis - se é que, mesmo assim, ainda haverá alguns – nos sectores que verdadeiramente podem contribuir para darmos um salto; por exemplo e para só citar um, na Justiça.

Podem chamar-me louco; mas acho que vai ser preciso mexer nos impostos, aumentando-os; porventura, não nos tradicionais; mas criando novos impostos; só para, mais uma vez, dar um exemplo, porque não criar um imposto sobre as férias passadas no estrangeiro ou elevar vertiginosamente os impostos sobre os produtos e serviços de luxo?

Com mais ou menos sal, vamos chegar a isso e, talvez, a muito mais. Ai de nós, se não chegarmos. Não é sem razão que a quadratura do círculo sempre foi considerada, através da história e da ciência, impossível. Porque é necessária uma força inumana para o conseguir. Inumana e, neste caso, desumana. Aqueles que não acreditaram nos que diziam que a factura dos nossos desvarios haveria de chegar e, inclusivamente, os cobriram depreciativamente com o epíteto de “velhos do Restelo”, sabem agora quanta razão havia na previsão. Podem, agora, atirar as culpas à “crise internacional”. Dá no mesmo. Embora seja meu convencimento que a dita “crise internacional” tenha apenas acelerado os acontecimentos e servido de boa desculpa para quem não se soube – ou não quis - governar no tempo da abundância.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 4/2/2010

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Apanhados a roubar, em Barrancos
Disparam contra a GNR


Dois homens encapuzados dispararam dois tiros de caçadeira contra uma patrulha da GNR ao serem surpreendidos a meio de um assalto, ontem à tarde na EN258, entre Barrancos e Santo Aleixo da Restauração, Moura.

Os ladrões, que abordavam uma automobilista, não hesitaram em puxar da arma e abriram fogo antes de fugirem para o mato, primeiro de carro e depois a pé, obrigando os militares a ripostar a tiro. A viatura da Guarda foi atingida, mas, segundo fonte policial, não houve feridos no tiroteio.

"Nenhum dos nossos homens nem a vítima do assalto ficaram feridos na troca de tiros. Quanto aos suspeitos, não sabemos", disse ao CM fonte da GNR, que montou uma caça ao homem. O mesmo informador adiantou que a viatura dos encapuzados foi apreendida e que tinha dois buracos de bala.

Ao início da noite, as autoridades prosseguiam as buscas. A Polícia Judiciária está a investigar o caso.

In CORREIO DA MANHÃ - 4/2/2010

BALÕES DE AR QUENTE - XX



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1943, nasceu Alberto João Jardim, o truculento Presidente do Governo Regional da Madeira.

Tem no seu currículo as segujntes condecorações:

Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (Portugal)
Grã-Cruz da Ordem do Libertador (Venezuela)
Grã-Cruz da Estrela Polar (Suécia)
Grã-Cruz da Ordem de Francisco Miranda (Venezuela)
Comenda de Benemerência da Cruz Vermelha
Cavaleiro Honorário da Ordem Bizantina do Santo Sepulcro
Medalha “Pro Mérito” do Conselho da Europa
Medalha de Honra da Cidade do Funchal
Medalha de Honra do Município de Santa Cruz
Colar de Honra do Município de S. Vicente
Orden Communidad del Município de Chacao (Venezuela)
Orden don Ricardo Montilha, Orden Juan Guilhermo Irribarren, Orden Saurau de Aragua e Orden Jacinto Lara, atribuídas pelos respectivos Estados venezuelanos
Medalha de Reconhecimento, Medalha de Serviços Distintos e Medalha de 20 Anos de Bons Serviços, todas da Liga dos Bombeiros Portugueses e Medalha Comemorativa dos 50 Anos dos Bombeiros Voluntários Madeirenses
Medalha de Serviços Distintos do Corpo Nacional de Escutas.
Alberto João Jardim, Doutor "honoris causa" em Ciência Política, pela Universidade de St. Cirilio, Itália

FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Um apreciador de... sapatos!...

3.2.10

FRASE DO DIA

"Crespo diz que Medina Carreira também é problema que Sócrates quer solucionar."

Título de PÚBLICO - 3/2/2010

***

Graças a Deus! Dentro em pouco, o nosso Primeiro terá todos os problemas solucionados! E Portugal passará a ser o paraíso na Terra...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

O ministro da Presidência comentou ontem o caso ‘Mário Crespo’, considerado que se trata de “mexericos”.

Num artigo de opinião que não foi publicado na sua habitual coluna à segunda-feira no Jornal de Notícias 'mas foi publicado no site do Instituto Sá Carneiro, Mário Crespo garante que foi classificado como um problema que precisa de ser resolvido durante um almoço onde estariam José Sócrates, Jorge Lacão e Pedro Silva Pereira.

Em reacção a esta acusação do ‘pivot' da SIC, o ministro da Presidência afirmou ontem na RTP-N que o caso ‘Mário Crespo' "é uma história muito mal contada, uma história, aliás, absurda".

"Ora toda a gente compreende que isto não é assunto. Nós já não estamos a falar nem de opinião nem de jornalismo. Estamos a falar de mexericos e um Governo não se ocupa de mexericos", frisou Pedro Silva Pereira.

"Portanto, pela minha parte o Mário Crespo vai ficar a falar sozinho", concluiu.

A ERC, o organismo regulador dos media, vai tomar hoje uma posição sobre o conteúdo do artigo de Mário Crespo.

In DIÁRIO ECONÓMICO - 3/2/2010

BALÕES DE AR QUENTE - XIX



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1536, faleceu Garcia de Resende, poeta, cronista, músico e arquitecto português.

Alguns historiadores consideram-no o iniciador do ciclo dos Castros, pois as suas trovas referentes à morte de Inês de Castro são o mais antigo documento poético conhecido versando sobre o assunto. Escreveu a Miscelânea em redondilhas, curiosa anotação de personagens e de acontecimentos, nacionais e europeus. Mas o que o tornou conhecido foi o Cancioneiro Geral, em que reuniu as composições poéticas produzidas nas cortes de D. Afonso V (1438-81), D. João II e D. Manuel I, tendo-lhe redigido um prólogo dedicado ao príncipe D. João e composto as quarenta e oito trovas com que encerra a obra.


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SORRISO DO DIA

Sem maioria absoluta...

2.2.10

FRASE DO DIA

"O Governo não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices."

Em PÚBLICO (caso Mário Crespo) - 2/2/2010

***

Para quem não saiba, o Governo quer dizer que odeia coscuvilheiros...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Actriz corta pulsos à avó

Uma mulher de 85 anos foi vítima de uma tentativa de homicídio por parte da própria neta, ontem à tarde na avenida de Roma, em Lisboa. A agressora é a actriz Sofia Costa Ferrão, de 38 anos, uma das fundadoras do Teatro Praga, que por motivos ainda por apurar pegou numa faca de cozinha dentro de casa e desferiu vários golpes nos pulsos da vítima.


O ataque fez com que a idosa pedisse ajuda na rua. "Fiquei com as cadeiras do café cheias de sangue. A Sofia desceu o prédio já sem a faca e com a cara ensanguentada porque agarrava a avó", explica António Lourenço, dono do café Suprema e amigo da actriz. Sofia Costa Ferrão foi detida e internada na Psiquiatria do Hospital de Santa Maria. A avó está livre de perigo. Pedro Penim, director do Teatro Praga, mostrou-se surpreendido. "Trabalhei pouco tempo com ela, mas nada o fazia prever." A actriz vive com a avó, marido e filho de 10 anos.

In CORREIO DA MANHÃ - 2/2/2010

CRÓNICA DA SEMANA - I

O REI E A BARRIGA

Teoricamente, os políticos são eleitos para servir. Todo o poder que ostentam não é seu. Pertence, numa democracia, aos eleitores que neles votaram. E, teoricamente também, o poder por si detido deve ser usado para servir os eleitores. Para os ouvir. Para dar atenção aos seus problemas. Para, na medida do possível, resolverem esses problemas.

Claro que não se espera que um político, uma vez eleito, possa ouvir todos os cidadãos ao mesmo tempo, possa resolver todos os problemas ao mesmo tempo. A sua vida é, por norma, muito atarefada. Os seus dias têm vinte e quatro horas como para os demais. E os cidadãos com problemas são muitos e os problemas dos cidadãos não são menos. Nunca fui político executivo, mas imagino o caudal de solicitações que caem na mesa de um político que ocupa a cadeira do poder. Não lhes queria estar na pele, por muito que fosse a minha vontade de trabalhar.

Mas, sendo assim, o político tem, pelo menos, uma obrigação. A de organizar o poder de modo a satisfazer duas condições importantes. Em primeiro lugar, todos os problemas levantados pelos cidadãos têm que chegar aos seus olhos, aos seus ouvidos. Se ele não tem tempo para os ver ou ouvir pessoalmente, deve delegar em subordinados a função de ouvir e ver, com obrigação de que lhe seja dado conhecimento. E, em segundo lugar, se não tem tempo para analisar e resolver cada problema, deve também delegar em subordinados a resposta a cada qual, de modo a que, com a rapidez possível, o problema e o cidadão tenham essa resposta. Ainda que a resposta possa ser a de que não é possível resolver o problema. Um “não” atempado é preferível a um “sim” fora de horas.

Se um político não sabe organizar-se deste modo, corre um perigo extremamente – passe o quase pleonasmo – perigoso. O de que os cidadãos acreditem que foram meros instrumentos da sua conquista do poder e que, uma vez instalado, se está borrifando para quem é, afinal, o detentor original do poder que ele representa, o cidadão. Em linguagem corrente, começa a ser visto como alguém que, uma vez eleito, ficou com o “rei na barriga”. E nada pode ser mais destruidor para a imagem de um político do que parecer que tem o rei na barriga.

Seria bom que todos os políticos compreendessem isto. Além da simpatia que sempre é gerada por quem dá uma resposta rápida aos problemas dos outros, a sociedade seria muito melhor e mais perfeita, com muito menos problemas. É que ninguém sabe quais os problemas a resolver tão bem como aqueles que os sentem.

Magalhães Pinto, em MATOSINHOS HOJE, em 2/2/2010

BALÕES DE AR QUENTE - XVIII



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1970, faleceu Sir Bertrand Russel, matemático e filósofo inglês

Durante sua longa vida, Russell elaborou algumas das mais influentes teses filosóficas do século XX, e, com elas, ajudou a fomentar uma das suas tradições filosóficas, a assim chamada Filosofia Analítica. Dentre essas teses, destacam-se a tese logicista, ou da lógica simbólica, de fundamentação da Matemática. Segundo Russell, todas as verdades matemáticas - e não apenas as da aritmética, como pensava Gottlob Frege- poderiam ser deduzidas a partir de umas poucas verdades lógicas, e todos os conceitos matemáticos reduzidos a uns poucos conceitos lógicos primitivos.

Um dos elementos impulsionadores desse projeto foi a descoberta, em 1901, de um paradoxo no sistema lógico de Frege: o chamado paradoxo de Russell. A solução de Russell - para esse e outros paradoxos - foi a teoria dos tipos (inicialmente, a teoria simples dos tipos; posteriormente, a teoria ramificada dos tipos), um dos pilares do seu logicismo. Trata-se, segundo Russell, de se imporem certas restrições à suposição de que qualquer propriedade que pode ser predicada de uma entidade de um tipo lógico possa ser predicada com significado de qualquer entidade de outro ou do mesmo tipo lógico. O tipo de uma propriedade deve ser de uma ordem superior ao tipo de qualquer entidade da qual a propriedade possa com significado ser predicada.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

O Sarkozy também é um malandreco...

1.2.10

MÁRIO CRESPO

Mário Crespo escreveu um artigo. Para ser publicado no periódico onde usualmente escreve. O artigo não foi publicado. Para que uma nova censura não tenha qualquer hipótese de vingar, aqui se reproduz esse artigo.

Passe-o aos seus amigos. Para tal, basta clicar no pequeno sobrescrito que está no rodapé deste post e proceder em conformidade.


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O Fim da Linha
Mário Crespo


Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

MEMÓRIA

OS MALEFÍCIOS DA CORRUPÇÃO

Apesar de sabermos que o fenómeno existe, talvez nenhum de nós tivesse tido, anteriormente, uma visão tão clara das consequências desse cancro que nos mina, a corrupção. Foi necessário ouvir a voz de uma autoridade internacional afirmá-lo, para termos a devida proporção das coisas. Segundo essa voz, o nível de vida dos Portugueses seria aproximadamente o dos finlandeses, não fora a corrupção existente em Portugal. A Finlândia é o mais pobre dos países nórdicos e, mesmo assim, são riquíssimos quando comparados com o meu país à deriva. Mas é bom não perdermos de vista que vivemos em democracia. Governa sempre quem leva maioritariamente o nosso voto. Seja governo central, regional ou local. É por isso que, em última análise, a responsabilidade é sempre nossa.

Começa a ganhar corpo a ideia de que o Poder é procurado por bandos com a mira colocada na obtenção de benefícios pessoais. Dificilmente se escapa a tal sensação, à medida que as notícias surgem dando conta, senão de bandalheiras, de negócios pouco claros. O último trazido à luz do dia falava de um acordo feito pelo Governo de António Guterres com uma empresa privada, que teve por consequência o pagamento, por parte do Estado, de doze milhões de euros (dois milhões e quatrocentos mil contos dos antigos). Em princípio, não devíamos estranhar a operação. Governei empresas privadas de razoável dimensão - embora não comparáveis com um país - e não raro fiz acordos que custaram dinheiro a essas empresa. Até o povo sabe que mais vale um bom acordo do que uma má demanda. Os acordos extra-judiciais não são necessariamente maus. E, não o sendo para os privados, também o não são, necessariamente, para o Estado. Podem até ser um acto de boa gestão da coisa pública. Mas, se assim é, porque é que uma tal operação conduz à necessidade - e utilidade - da denúncia pública, em grandes parangonas? É que, no maior segredo, um ex-governante pertencente ao Partido apoiante do Governo passou, ao deixar o Governo, a representar a empresa reclamante e, depois, recebedora dos doze milhões.

Pode-se fantasiar àcerca disso. Pode-se ver a dita empresa, ao saber que o ex-governante estava livre, abordando-o e convidando-o para representar os seus, dela empresa, interesses. Feito o convite, quase podemos ver o ex-governante a fazer uma cara de zangado e a dizer: "Por quem me tomam? Então saí agora mesmo do Governo e pedem-me para os representar contra ele?". Se o ex-governante não fez isso, podia fazer. Era uma atitude que ficava bem. E, por outro lado, não adiantava nada, era uma atitude inócua. Ao abordá-lo, a empresa conhecia o espírito de sacrifício e o patriotismo do "ex". Sabia que ele acabaria por ceder, em nome da Pátria. E ele cedeu. Pode-se mesmo meter aqui uma ponta de sal, imaginando que o tal "ex" abordou o Primeiro-Ministro de então e contou-lhe da abordagem, mostrando-se, mais uma vez, escandalizado. Mas o Primeiro de então era outro patriota. E demais, sabedor do estado em que as Finanças Públicas já estavam, por causa do malfadado Cavaco que o obrigara a inventar o Rendimento Mínimo para ganhar as eleições. E, nisto de défice público, migalhas é pão. Que o digam os militares, os polícias, o Armando Vara e o Santana Lopes. Vai daí, aproveita a oportunidade e faz um apelo ao "ex" para que aceite o convite da empresa. Sempre era melhor fazer um acordo com alguém conhecido e amigo do outro lado, capaz de levar a empresa a reduzir a uns míseros doze milhões as suas pretensões. A contrariedade do "ex" terminou aí. Feneceu. Morreu. Marou. Fazer um jeito à empresa reclamante era uma coisa indigna. Fazê-la para o Primeiro era outra. No primeiro caso era conflito de interesses, era desonestidade. Era corrupção. No segundo caso, era interesse. Alto aí, meu Caro Leitor. Interesse NACIONAL. Não interesse dele nem da empresa. Eu não sei o que se passou. Mas juraria que ele fez o jeito ao Primeiro, representando o segundo, para que o segundo não fizesse mal ao país, não recebendo um tostão pelo seu trabalho. Sim, que isto de dar uma palavrinha ao camarada que está no Governo e pode decidir a coisa dá muito trabalho, tem que meter uns uísques pelo menos da marca Martin's. E só por isso, porque admito que se tratou de uma prestação inteiramente gratuita, é que não fico indignado nem chamo ao caso corrupção.

Agora reparo que comecei a falar sério e resvalei para a farsa. Tenha paciência, meu Caro Leitor. Mais de metade dos Portugueses são uns farsantes. Só escapa Você, a sua família, aquele seu amigo do peito e o Vitorino. Se não sabe quem é o Vitorino, não me pergunte. Eu também não sei. Só sei que apanhava canas ali para os lados de Lamego. Bom. Mas isto não é uma aula de geografia. Estávamos a falar de corrupção. Ah! Esqueci-me de dizer que a D. Fátima, o senhor Morais e o senhor Avelino também não são farsantes. Como não são farsantes todos os amigos dessa ilustre casta de gente séria. Bolas! Estou a alargar tanto o rol dos não-farsantes, que corro o risco de ficar eu sózinho no meio do palco.

Sigamos então com os malefícios da corrupção. Para já, temos que só não somos finlandeses porque somos corruptos. Bem, não todos. E esse é outro dos malefícios grandes da corrupção. A existência de incorruptíveis. Admite-se lá que, num país onde o rendimento nacional é metade do que devia ser devido à corrupção, ainda haja incorruptíveis? Veja só, meu Caro Leitor. Se fôssemos todos corruptos, o PIB - aquela grandeza que o Engº. Guterres desconhecia em absoluto e, por isso, não sabia que podia ser afectada pelos acordos com empresas representadas por amigos - o PIB, dizia, seria provavelmente nulo, O que era uma grande vantagem. Com o PIB nulo, adeus impostos. Ìamo-nos rir à brava com os políticos em campanha. Eles diziam: "Prometo reduzir os impostos!", E a gente ria-se. Abaixo de zero, só na Sibéria, que é um local bom para incorruptos. Perguntará o meu Caro Leitor: "Mas, então, com o PIB nulo, de que é que nós vivíamos?". Oh meu Caro Leitor! Não seja assim ingénuo! Vivíamos com os subsídios da Europa! Os quais, além de serem campo propício à proliferação dos corruptos, já são, por assim dizer, o sustento de metade de Portugal. Só não sei - porque ainda não foi feita uma sondagem sobre isso - é se a metade que é sustentada pelos fundos europeus é a metade corrupta ou a metade incorrupta. Se calhar, é a meias.

Posto isto, que me deu mais ou menos para o tamanho ideal da crónica de hoje, só me resta desejar uma coisa, meu Caro Leitor. É que, como sabe, estamos nas vésperas de uma eleição autárquica. Segundo o Presidente da Associação Nacional de Municípios, não há corrupção nas autarquias. Eu acredito piamente. Mas, pelo sim pelo não, que tal o meu Caro Leitor optar, desta vez, por revolucionar a maneira como vota? É que isto do nosso bem-estar é muito mais sério do que uma partida de futebol entre o Benfica e o Porto. E Você, só Você, pode dar uma valente vassourada nos corruptos ou nos incorruptos, conforme for de seu agrado. É que o mal não é haver corruptos. O mal é não sermos ou todos corruptos ou todos incorruptos.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 25/9/2005

FRASE DO DIA

"Judiciária descobre nova megafraude com sucatas."

Título de JORNAL DE NOTÍCIAS - 1/2/2010

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Para onde quer que nos viremos, só vemos ladrões. E a sucata é que está a dar. O que não admira. O país foi reduzido a um monte de sucata.

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

As seguradoras não estão a actualizar voluntariamente os contratos
Famílias estão a pagar mais do que deviam pelos seguros nos créditos à habitação


Banco de Portugal diz que o diploma se aplica a todos os contratos à habitação
O decreto-lei que obriga as seguradoras a actualizar os prémios de seguros ao montante em dívida do empréstimo à habitação está a ter uma aplicação reduzida.

O diploma (n.º 222/2009), que entrou em vigor em Dezembro passado, está a ser aplicado de forma automática apenas nos novos contratos de crédito à habitação.

Por não existir nada na lei que obrigue as seguradoras a fazer a actualização automática dos prémios em todos os contratos existentes ou em vigor, as seguradoras estão a proceder a essa alteração apenas quando solicitadas pelos tomadores de seguros, apurou o PÚBLICO junto do sector. Ou seja, apenas os consumidores com conhecimento da lei e que pedem a alteração dos seus contratos acabam por beneficiar do diploma.

O diploma pretende evitar que, pela falta de actualização, os consumidores paguem um prémio de seguro superior ao capital em dívida, situação que beneficia as seguradoras, salvo em caso de morte do tomador do seguro, em que a diferença será devolvida aos herdeiros.

In PÚBLICO - 1/2/2010

BALÕES DE AR QUENTE - XVII



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1890, é executado pela primeira vez em público, num sarau lisboeta, A Portuguesa, que se tornaria no hino nacional português em 1911.

FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

A prova de que Gordon Brown, o primeiro-ministro inglês, socialista, não vê um palmo à frente dos olhos...