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22.2.10

FRASE DO DIA

"Deixem-nos jogar."

Jesualdo Ferreira - Sport TV - 22/12/2010

***

Muito justo! E ainda seria mais justo se ele tivesse reclamado da não marcação, contra o Porto e a favor do Braga, de um penalty igualzinho ao sucedido no campo do Leixões, na semana passada, que justificou a acusação de estar a ser perseguido!...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Comerciantes assustados com assaltos pedem mais polícias
Agressões à martelada contra ourives e a filha deixam lojistas de Torres Vedras horrorizados. Comerciantes querem intervenção urgente do Governo no combate à criminalidade


Em Torres Vedras ninguém esquece o assalto à Ourivesaria Miranda. Na última quarta-feira, quando faltavam cerca de 15 minutos para encerrar a loja, pai e filha foram agredidos à martelada por dois homens de cara destapada. Um terceiro elemento esperou no carro pelos ladrões, que levaram mais de 30 mil euros. Foi o segundo assalto à ourivesaria localizada no centro da cidade - o anterior tinha rendido mais de 82 mil euros. A Ourivesaria Miranda permanece encerrada. O ourives recupera em casa, mas a filha continua internada no Hospital de São José depois de submetida a uma cirurgia de reconstrução do nariz.

In DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 22/2/2010

CORAIS DO MAR - XV



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1974, foi publicado o livro do General António de Spínola "Portugal e o Futuro".

Nesse livro, o ex-governador da Guiné-Bissau advogava, após 13 anos de Guerra do Ultramar, uma solução política e não militar como sendo a única saída para o conflito. As acções do governo marcelista, a demissão generais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes dos cargos que ocupavam no Estado-Maior General das Forças Armadas, e a organização de cerimónia de apoio ao regime, a Brigada do Reumático, dado ser maioritariamente constituída por idosos oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas, vieram ainda mais mostrar quanto o regime se sentia ameaçado pelas ideias contidas no livro.

No rescaldo da publicação Marcelo Caetano pede a demissão ao Presidente da República, que não a aceita.

Dois meses depois dá-se a Revolução do 25 de Abril.



FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

As pernas não têm peso suficiente para este exercício...

21.2.10

FRASE DO DIA

"Governo e IEFP (Instituto do Emprego e da Formação Profissional) prometem uma descida do desemprego desde 2008."

Título de PÚBLICO - 21/2/2010

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Pelo sim pelo não, o melhor é deixarem de prometer...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Erros urbanísticos que agora se pagam muito caro
Ambientalistas denunciam projectos que roubaram espaço às ribeiras que transbordaram.


Os madeirenses que vivem na Baixa do Funchal tentam reorganizar a vida, depois de verem casas inundadas, carros albaroados, estradas e pontes destruídas. Os que moram nas zonas altas nem querem imaginar o que vão encontrar quando descerem a encosta até à Marina. E há quem aponte o dedo às opções urbanísticas, como os ambientalistas

"A forte pluviosidade contribuiu para o que aconteceu, mas não é a única causa. Há um agravamento da situação devido aos erros do ordenamento do território que se têm cometido na ilha, em participar na costa sul que é a zona onde reside mais de um terço da população", critica Hélder Spínola, dirigente da Quercus na Madeira.

É, também, aquela opinião do Partido Ecologista Os Verdes (PEV). Em comunicado, denunciam "os erros de ordenamento territorial e urbanísticos que se têm permitido em prol de interesses privados e que têm, depois, efeitos devastadores em situações" como a vivida no território madeirense.

Referem-se sobretudo à forte pressão imobiliária do sector turístico, mas também se construíram estradas e vias de acesso que interromperam e estrangularam o curso dos águas. "Não existe uma vazão eficiente das águas. As ribeiras não têm espaço suficiente para permitir o escoamento das águas", sublinha o ambientalista.

"É ridículo estar-se a falar nessas situações", reage Miguel Albuquerque, o presidente da Câmara do Funchal há 16 anos, o concelho mais atingido pelas inundações (ver entrevista). Andou ontem todo o dia a tentar perceber como tirar a cidade do caos. E promete voltar às 07.00, com uma equipa de 200 pessoas, funcionários, os bombeiros voluntários e municipais e 80 empregados de limpeza. Aceita que há uma ou outra opção urbanística errada, mas não as responsabiliza pelo que aconteceu.

In DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 21/2/2010

CORAIS DO MAR - XIV



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1991, faleceu a sublime bailarina inglesa Margot Fonteyn.

Em 1931, Margot Fonteyn entrou para a escola de balé do Sadler's Wells. Ninette De Valois e seu coréografo, Frederick Ashton, investiram em suas qualidades excepcionais: lírica, dramática, musical e suas proporções físicas perfeitas. Em 1935, Fonteyn tornou-se a primeira bailarina com apenas dezesseis anos, dançando juntamente com Robert Helpmann. Em A bela adormecida, Margot interpretou a Princesa Aurora, conduzindo o futuro Royal Ballet a um período de glória em sua nova sede, no Convent Garden (1946), e à sua primeira e famosíssima temporada em Nova Iorque (1949).

Sua maior contruibuição artística deu-se ao lado de Ashton, pois era sua musa inspiradora e uma intérprete ideal a inúmeras criações do coréografo, entre as quais se destaca Ondine, de 1958. O ápice de sua parceria de dança com Michael Somes aconteceu durante a primeira visita do Royal Ballet à Rússia, em 1961.

Logo depois, Margot Fonteyn começou a dançar com o bailarino soviético exilado Rudolf Nureyev, vinte anos mais jovem do que ela. Fonteyn e Nureyev eram idolatrados até Margot se aposentar em 1979.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Último modelo de bicicleta, com assento aquecido electricamente...

20.2.10

MEMÓRIA

FALÊNCIA

Há dias, aí no Minho, numa reunião de algumas dezenas de pessoas, perguntaram-me se o País estava falido e para onde tinha ido o nosso dinheiro. Disponibilizei-me para responder. Mas não sem, antes, tentar deixar claros alguns conceitos. O meu escrito de hoje, trazendo para um nível mais público o que então disse, tenta contribuir para a clarificação de um ambiente não apenas carregado, mas também borrascoso, que abafa o País. Temos necessidade de ver o presente com muita clareza, a fim de que, com as nossas atitudes, não contribuamos para agravar uma situação que é muito delicada já.

Em primeiro lugar, assentemos que o termo "Estado" pode ter dois significados. Um, praticamente equivalente ao de País. Estado somos todos nós, pesssoas, instituições, que estamos numa relação económica, política e social uns com os outros e todos com terceiros. Neste caso, "Estado" é sinónimo de Portugal, com tudo quanto este termo encerra. Mas há uma outra asserção para o termo "Estado". Reduzida. Neste caso, "Estado" é o aparelho administrativo do outro "Estado". É o conjunto de departamentos, instituições, repartições, pessoas, que realiza as tarefas administrativas do País. Este é o "Estado" que, verdadeiramente e em democracia, está sob a jurisdição dos Governos, do Presidente da República, da Assembleia da República. Naturalmente, dispõe de um imenso Poder, este "Estado", susceptível de influenciar, de condicionar, a vida do outro "Estado". Mas aí, não é imperioso e omnipotente. Pode decretar o pagamento de impostos, por exemplo, mas não pode evitar que os cidadãos vão comprar as mercadorias e serviços ali na vizinha Espanha, deixando o IVA que tanta falta lhe faz - a ele, "Estado" administrativo, e a nós, "Estado" geral - para benefício dos espanhóis.

Em segundo lugar, assentemos que estar falido é não poder pagar o que se deve. Não ter bens nem fazenda para respeitar os compromissos assumidos para com terceiros. E - tal como vimos no recentemente discutido caso da redução da credibilidade do País na esfera internacional - Portugal ainda é tido como um país de baixo risco. Já foi menor o risco mas, ainda assim, não nos consideram para já como insolventes. Isto é, não estamos falidos deste ponto de vista. O que é uma boa notícia, se tivermos em conta que, internamente, estamos a agir e a reagir como se estivéssemos na maior miséria. Quando falamos de dívidas a propósito de um país, temos que distinguir três níveis. As dívidas das famílias e das empresas para consigo mesmas, numa teia de débitos ainda não pagos, e para com as instituições de crédito, que quase é a mesma coisa. As dívidas do "Estado" administrativo para com as famílias, as empresas e as instituições financeiras. E as dívidas do "Estado" país para com a comunidade internacional. E, em qualquer dos níveis, as dívidas vão sendo pagas. Cada vez mais devagar, mas vão. O que quer dizer que não estamos (ainda) falidos.

Em terceiro lugar, o "défice público". Isto é, o défice do "Estado" administrativo. "Eles", como costumamos dizer, sem nos apercebermos que muitos de "eles" somos nós ou é gente que levou o nosso voto para fazer o que faz. E, nesta questão do "défice", temos que distinguir várias coisas. Primeiro, o défice que a Europa nos autoriza a ter para que, pelo facto de usarmos a mesma moeda que ela, não roubemos o produto de outras comunidades. São os já célebres 3% do PIB. Depois, o défice da máquina administrativa do país. E que não é senão a diferença entre o que o "Estado" administrativo arrecada e aquilo que gasta. São os também célebres 6,83% ou 6,72% do PIB, dependendo do dia em que se fazem as contas. E, por fim, o défice da nossa economia face ao exterior. Isto é, a Balança de Pagamentos do País. Por estar na origem de tudo quanto se vive actualmente no país, vale a pena atardarmo-nos um pouco mais aqui, na análise dos diferentes défices.

Porque a Europa exige 3% do PIB como défice máximo, é fácil de entender. Imagine-se um portuguêrs que, a trabalhar em Portugal, cobra um euro por fabricar um rebuçado. E que pega nesse euro e vai comprar rebuçados ali à vizinha Espanha, onde o seu homónimo espanhol faz dois rebuçados enquanto ganha um euro. O português poderá, assim, trocar ali o seu euro por dois rebuçados. Mas a verdade é que obteve o seu euro produzindo apenas um. Quer isto dizer que o português "rouba" um rebuçado ao espanhol. Já veremos que, entre os factores que tornam possível o português receber um euro pelo rebuçado que produz está o défice público. Portanto, a Europa tem que exigir - todos utilizando a mesma moeda e não havendo fronteiras para as pessoas e para as relações económicas - que não haja défice público, todavia admitindo, por enquanto, que ele possa ser de 3% do produto total, para não asfixiar as economias menos desenvolvidas.

Dizer que o "Estado" apresenta um défice quer dizer que a máquina administrativa do país - que é sustentada pela parte do que todos produzimos que é apropriada pelo mesmo "Estado" - gasta mais do que consegue arrecadar. Se a situação é esta - e porque o Estado paga (ainda que seja tarde e a más horas) tudo o que gasta - só há uma maneira de equilibrar as contas. É pedir dinheiro emprestado. Assim se constituindo a "dívida pública". Quando (se) esta for muito grande, o Estado não conseguirá pagar o que deve senão para as calendas gregas. O "Estado" administrativo começa a ser encarado como mau pagador. E acontece o que sempre acontece com os maus pagadores. Perdem o crédito. E, perdendo o crédito, não poderão comprar a não ser pagando a dinheiro. Enquanto isto se passa cá dentro do País, ainda se vai aguentando. Todos passam a pagar tarde e a más horas. Mas quando isto se passa com o estrangeiro, a coisa é pior. Porque não encontramos quem nos forneça a crédito tudo, desde géneros consumíveis até matérias primas e máquinas de que tanto necessitamos para produzir (isto é, para ter as pessoas empregadas e a receber os seus salários). E a dívida pública pode chegar a limites tais que conduzam o país a suspender os seus pagamentos ao exterior, como ainda há não muito tempo sucedeu na Argentina. E isso será, então, o descalabro total da economia. Como ideia central facilitadora do raciocínio, tomemos que, se o Estado gastar permanentemente MUITO mais do que aquilo que arrecada, alguém terá que sustentar o que falta. E os estrangeiros não estão para isso, naturalmente. Seremos sempre nós a pagar.

De algum modo, o mesmo pode acontecer se a dívida acumulada for originada por um comportamento das famílias ou das empresas semelhante ao do "Estado" administrativo. Só que, quanto a estes, o próprio funcionamento do mercado conduz a que, geralmente, a situação não se possa manter por muito tempo. Ao contrário do que acontece com o "Estado" administrativo, o qual, por ser muito poderoso, pode manter-se indefinidamente assim ou, mesmo, deixar agravar cada vez mais a situação até ao colapso final.

Entenda-se ainda que há "défice público" virtuoso e "défice público" maléfico. Os gastos públicos podem ser de consumo - isto é, não reprodutivos - ou de investimento - isto é, que permitirão maior produção nos períodos vindouros. Se o défice é originado por gastos de consumo, é irrecuperável. É pura perda. Se é originado por gastos de investimento, então a produção acrescida dos períodos seguintes, propiciando maior arrecadação por parte do "Estado" administrativo, permite a recuperação do défice. Por isso se lhe chama virtuoso. Em Portugal, o défice é originado pelos gastos de consumo. Nem suprimindo todo o investimento, o nosso "Estado" conseguiria ter as contas equilibradas.

Por fim, o défice global do país perante terceiros. Medido pela Balança de Pagamentos. Um país vive do que produz, mais do que importa e menos do que exporta. Bens, serviços e dinheiro. Portugal importa mais do que exporta. O que quer dizer que produz menos do que consome. Uma situação que não pode ser aguentada eternamente. E que só o saldo entre o dinheiro exportado e o dinheiro importado permite suceder. Isto é, é colocado em Portugal mais dinheiro do que colocamos lá fora. Logo se vê a tragédia se perdermos a credibilidade. Não vem o dinheiro. E não poderemos consumir ao nível a que consumimos agora. (Explicação muito trivial mas que permite aperceber a situação). Pelo sim, pelo não, é bom que façamos um esforço para produzir mais. Ou, em breve, teremos muito menos bem-estar do que temos agora.

Entendido tudo isto, agora é fácil dar a resposta às questões que me colocaram. Portugal não está falido, não obstante o esbanjamento de dinheiros públicos verificado nos últimos trinta anos, mais gravemente nos últimos dez anos, levado a cabo pelos agentes públicos, pela sua tibieza, pelo seu mau sentido de gestão a largo prazo. Mas a máquina administrativa de Portugal, pela enormidade dos seus défices públicos e pela falta de virtuosismo destes, caminha a passos largos para a falência. Mas, se a máquina administrativa do Estado falir, arrastará a falência da economia portuguesa. E com esta, a própria falência de Portugal. O que mais me admira é que, não sendo eu nenhum especialista profundo na matéria, tenha dito, nestas colunas, escassos seis meses depois de António Guterres ter iniciado a sua governação, que tinha sido uma tragédia para o país a sua eleição; e que só agora tenhamos todos dado conta do estado a que fomos conduzidos pelo "diálogo", pela cedência dos poderes instituídos face às forças sociais, pelo acomodar de gregos e troianos num barco que, via-se já então, não tardaria a meter água. Os sacrifícios agora pedidos são uma tarefa de calafetagem. Vamos a ver se ainda vai a tempo. Ou se teremos naufrágio.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, EM 4/7/2005

FRASE(s) DO DIA

"É mentira!"

José Sócrates, Primeiro-Ministro - Comunicação Social toda - 20/2/2009

***

- É mentira o quê?

- Tudo!...

- Tudo o quê?...

- Sei lá!... Tudo!...

***

"Há uma diferença fundamental entre a verdade e a mentira: para ser acreditada, a mentira tem que ser dita muito mais vezes."

Goebbels - Ministro da Propaganda de Hitler, citado por João Salgueiro num programa televisivo - Semana terminada em 20/2/2010

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Ministra anuncia redução de 16 milhões na despesa com remédios. Oposição diz que será à custa do utente

Ministra foi bombardeada pela oposição com críticas ao seu orçamento "fantasioso" para a saúde


O Ministério da Saúde quer reduzir 16 milhões de euros (1%) a despesa do Estado com medicamentos durante este ano. O anúncio foi feito ontem pela ministra Ana Jorge, no debate sobre o Orçamento do Estado (OE) para a Saúde, na Assembleia da República. Mas a oposição desconfia deste "milagre" e diz que "é um sinal claro de que o utente vai pagar mais", com a anunciada revisão do sistema de comparticipações. O ministério não negou.

In I - 19/2/2010

CORAIS DO MAR - XIII



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1978, faleceu Vitorino Nemésio, o protagonista do celbrado programa da RTP, "Se bem me lembro".

Vitorino Nemésio foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência.

Esta a sua obra literária:

Poesia
O Bicho Harmonioso (1938)
Eu, Comovido a Oeste (1940)
Nem Toda a Noite a Vida (1953)
O Verbo e a Morte (1959)
Canto de Véspera (1966)
Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976)

Ficção
Paço de Milhafre (1924)
Varanda de Pilatos (1926)
Mau Tempo no Canal (1944), romance galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros;

Ensaio e Crítica
Sob os Signos de Agora (1932)
A Mocidade de Herculano (1934)
Relações Francesas do Romantismo Português (1936)
Ondas Médias (1945)
Conhecimento de Poesia (1958)

Crónica
O Segredo de Ouro Preto (1954)
Corsário das Ilhas (1956)
Jornal do Observador (1974).



FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Internet café na província...

19.2.10

FRASE DO DIA

"Arons de Carvalho (antigo governante socialista) diz ter sido pressionado por Mário Crespo."

Título do PÚBLICO - 19/2/2010

***

Estou mesmo a ver! A Manuela Moura Guedes (TVI), o José Manuel Fernandes (Público) e o Mário Crespo (SIC), estavam a preparar-se para se apoderarem do governo do País...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Caso PT/TVI
Caso é "pouco transparente" mas não há crime em causa


DN revela na íntegra as decisões do procurador de Aveiro, que queria uma investigação, e do PGR, que arquivou o processo

São duas visões sobre os mesmos factos: para João Marques Vidal, procurador do DIAP de Aveiro, algumas escutas telefónicas do processo "Face Oculta" indiciavam a prática do crime de atentado contra o Estado de direito, alegadamente cometido pelo primeiro- -ministro, José Sócrates, e um plano do Governo para controlar a comunicação social. O procurador-geral não concordou. Pinto Monteiro, porém, admitiu que pode estar em causa uma relação "pouco transparente", mas não lhe compete investigar questões do domínio político.

Os despachos que hoje o DN revela são da autoria de ambos os magistrados. Ontem, apesar de várias tentativas, o DN não conseguiu obter o despacho de Pinto Monteiro na sua totalidade - que incluiria as escutas telefónicas a Armando Vara com José Sócrates. Por isso, apenas se transcreve os motivos que levaram o PGR a arquivar o caso, ao mesmo tempo que se mostra (para comparação) os fundamentos do procurador de Aveiro que o levaram a extrair uma certidão do processo "Face Oculta" e a pedir uma investigação sobre o primeiro-ministro.

Em síntese, o principal problema prende-se com a chamada tipificação do crime, isto é, se os comportamentos detectados nas escutas são passíveis de configurarem um crime de atentado contra o Estado de direito. Para João Marques Vidal, sim, porque estariam em causa manobras para condicionar um dos principais fundamentos de um Estado democrático: a liberdade da comunicação social e a sua independência face ao poder político.

Para Pinto Monteiro, os indícios recolhidos não chegam. No seu despacho, o próprio até os desvaloriza, dizendo que é "conhecida a apetência das forças político-partidárias pela influência nos meios de comunicação social".

"Não pode, porém, confundir--se a adopção de procedimentos comummente aceites no sentido de se obter uma "imprensa favorável" com o recurso a comportamentos criminalmente puníveis", rematou o procurador-geral no seu despacho.

In DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 19/2/2010

CORAIS DO MAR - XII



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1473, nasceu o astrónomo polaco Nicolau Copernico.

A sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente teoria geocêntrica (que considerava, a Terra como o centro), é tida como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia moderna.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

À procura da chave...

18.2.10

CRÓNICA DA SEMANA - II

PLANO INCLINADO

Julgo que não será muito significativo o número de portugueses disponíveis para assistir a um debate como o que se verificou, no passado dia 15 e na SIC/NOTÍCIAS, com Mário Crespo, Nuno Crato, Medina Carreira e João Salgueiro, no programa que empresta o nome a esta crónica. Isto de passar cerca de uma hora, (in)tranquilamente sentado frente ao televisor, a assistir ao diagnóstico da situação actual do nosso país não é, seguramente, um programa agradável para o Carnaval. Melhor assistir ao desfile de modeladas esculturas num qualquer corso do que ao escalpelo da tragédia social para a qual nos vamos insensivelmente encaminhando. Um escalpelo realizado por afiados bisturis e que, em minha opinião, colocaram, com uma precisão notável, a lâmina no pus. Sem estarem muito preocupados com este ou com aquele Governo, com este ou com aquele Partido, com esta ou aquela pessoa. O que valorizou as intervenções. Para os que queiram ainda assistir a essa notável reflexão, deixo aqui o endereço electrónico de sítio onde podem fazê-lo:
http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/plano-inclinado/ 2010/2/palno-inclinado15-02-2010-122816.htm.

Para os que não estejam muito propensos em passar por essa sinecura, não me coíbo de chamar a atenção para algumas (não todas, porque aqui não cabem) das importantes ideias que por ali perpassaram. Como pano de fundo de toda a discussão, o objectivo essencial de responder a estas duas questões: onde estamos e como podemos sair daqui?

Um primeiro momento de análise debruçou-se sobre a qualidade da informação de que dispõem os Portugueses. E o diagnóstico foi pungente. A começar pela influência do Estado na comunicação social. E foi Nuno Crato a disparar a primeira ideia base:

“Toda a gente percebeu dos acontecimentos recentes, independentemente da verdade dos factos, que o Estado tem um poder económico tal que pode controlar a comunicação social.”

A que Medina Carreira juntou um pensamento lapidar que, se assumido por todos como axioma que é, evitaria muito das discussões a que o nosso dia-a-dia se vem submetendo:
“Eu não preciso de muita coisa para ter suspeitas. Se o Engº. Sócrates foi a um congresso apontar uma estação de televisão, que era a TVI, e a páginas tantas saltaram o José Eduardo Moniz e a Manuela Moura Guedes; e apontou o José Manuel Fernandes, do Público, e este saltou, eu não preciso de muitas discussões, nem políticas nem jurídicas, para saber que é óbvio que houve pressões.”

Perguntar-se-á que de fundamental terá esta questão, assim colocada, para o futuro do país. Claro que tem. Porque, supostamente, os Portugueses são chamados a decidir sobre o seu futuro e, para que o façam em consciência plena, têm que estar bem informados. Ora, a situação descrita cerceia-lhes essa possibilidade. Induzindo-os nas más decisões pela deficiente informação de que dispõem. Deficiência que se verifica a dois níveis: na sonegação de informação e na manipulação de informação. Como os participantes naquele debate devidamente clarificaram com exemplos, como a sonegação verificado no caso da comunicação social, onde o Primeiro-Ministro se deu ao luxo de mentir ao Parlamento, ou como no caso do défice público em 2009 (9,3% do PIB), o qual foi apresentado no Parlamento como “devido ao esforço para apoiar as empresas”, quando o Ministro das Finanças tinha dito anteriormente que “o agravamento do défice era devido à quebra das receitas fiscais”. Um exemplo de manipulação da informação. Uma manipulação que Medina Carreira colocou em destaque ao produzir uma afirmação impiedosa:

“Andamos a mentir ao país com as Novas Oportunidades e coisas do género. O Goebbels (ministro da Propaganda de Hitler) seria hoje, em Portugal, um menino de coro.”

Os intervenientes debruçaram-se sobre os problemas com que Portugal se debate presentemente. Avultando o défice do sector público (e concomitante dívida pública) e o desemprego. Sendo visíveis as dificuldades de sairmos duma situação tal – como, aliás, já aqui nesta coluna tivemos ocasião de analisar, por exemplo, ao colocar em evidência a improbabilidade de recuperação do défice público (e, por isso, da dívida) –, coube a Mário Crespo colocar a pergunta essencial do debate:

“As pessoas que, neste momento, dirigem o país estão em condições de levar para a frente um projecto de reabilitação como o necessário?”

Uma questão que deu lugar a duas respostas antagónicas. Uma, céptica, de Medina Carreira; e outra, esperançosa, de João Salgueiro. Medina Carreira de quem podemos resumir o pensamento essencial nestas suas palavras:

“Hoje, a nossa classe política não tem experiência em coisa nenhuma; assentaram praça no Estado, depois passaram para a primeira fila dos deputados e depois vão a secretários de estado ou chefes de gabinete. Isto não tem solução, pela forma de recrutamento do pessoal político. Os partidos geram gente de pouca qualidade para a governação. O sistema representativo é um sistema viciado, porque o eleito é nomeado pelo chefe. Ninguém conhece duzentos daqueles deputados que lá temos. Nesta forma de recrutamento não se vê forma de mudar. Essa ideia de que podemos requalificar a política sem requalificar os partidos é uma ideia sem viabilidade.”

Não é possível deixar de dar-lhe razão. Não é necessário meditar muito para concluir da degradação que se deu na qualidade dos quadros políticos. Arrepio-me ao ver como José Sócrates conduz o país, mas arrepio-me ainda mais ao imaginar que o seu substituto pode ser esse jovem inexperiente, exactamente produto do sistema denunciado por Medina Carreira, chamado Pedro Passos Coelho. Isto é, em todo o seu dramatismo, a confirmação da teoria de Medina Carreira, quando afirma:

“A Lei Eleitoral não muda porque o PSD e o PS não querem mudá-la. Porque aqueles que lá estão querem continuar a estar lá.”

A este quadro de derrota opôs-se uma visão mais optimista de João Salgueiro. De um optimismo que tem subjacente uma confiança enorme nos Portugueses. Uma confiança que eu não sei se está cabalmente justificada pelo comportamento de sempre. Um comportamento que, quando considerado colectivamente, assenta na ausência de uma capacidade analítica crítica que os faça forçar os acontecimentos. Disse ele:

“Parece-me que, paradoxalmente, estamos num momento feliz. Porque os Portugueses têm agora uma situação em que podem perceber claramente problemas que estavam a ser anunciados. Os Portugueses hoje sabem que vão ter que mudar de vida.”

Num ponto parecem coincidir os dois excelentes economistas. Quando reduzimos ao máximo divisor comum os diferentes problemas que nos afectam, encontramos a organização política do nosso sistema democrático como totalmente responsável. Não sairemos deste estado pré-comatoso se não mexermos aí. E, parecendo certo que os políticos actuais não o farão de boa vontade, então temos que ser todos nós a forçar os acontecimentos. Temos de exigir-lhes, sob pena de não poderem contar connosco – nenhum deles! – que mudem o sistema eleitoral. Que modifiquem a respectiva lei. Que sejamos nós a escolher os nossos deputados e não os líderes dos Partidos. Que sejam em muito menor número os funcionários políticos pagos pelo Estado. Que cada candidato tenha que ser ele – e não o Partido – a recrutar os meios de financiamento da sua candidatura, incluindo aquilo que é financiado pelo Estado. Ou, então, fiquemos alegremente a ver os coveiros a cavarem a nossa sepultura colectiva.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, EM 18/2/2010

FRASE DO DIA

"Rui Pedro Soares deixou cargo na PT após buscas da PJ e do DIAP."

Título de PÚBLICO - 18/2/2010

***

Claro! Com as buscas, provavelmente apreenderam-lhe o equipamento de trabalho, que é que ele ia fazer para lá?...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...


Gang espanca pai e filha com martelo
Três homens armados com caçadeiras e um martelo atacaram uma ourivesaria, ontem ao final do dia em Torres Vedras.



Durante o assalto violento, o proprietário do estabelecimento e a filha foram espancados com o martelo, tendo mesmo de receber assistência médica no local. No entanto, face à gravidade das agressões, foram encaminhados para o hospital.

Ao que o CM apurou junto de uma testemunha, que quis manter o anonimato, os agressores tinham sotaque de Leste, o que está a conduzir a investigação do caso, a cargo da Polícia Judiciária de Lisboa, ao trio de romenos envolvido numa vaga de assaltos no Centro e Sul do País durante o ano de 2009.

Eram 18h45 quando o ourives e a filha, que estavam sozinhos no estabelecimento, foram surpreendidos com a invasão do grupo, que partiu as vitrinas para conseguir levar as peças de ouro. Antes mesmo de espancar as vítimas, o grupo ainda ameaçou de morte diversas vezes os ourives, encostando-lhes os canos das caçadeiras ao pescoço, segundo a mesma testemunha. Depois disso, puseram-se em fuga num carro que utilizaram para o assalto. Estão a monte.

In CORREIO DA MANHÃ - 18/2/2010

CORAIS DO MAR - XI



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1899, nasceu o poeta popular português António Aleixo.

É dele este poema:

A Torpe Sociedade onde Nasci

I

Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que já fui daquela idade.

II

Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava p'ra o martírio!

III

Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
— De ser vítima humilde ou ser algoz...

IV

E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom — como não é!

V

Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte...


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Ou me engano muito, ou o obturador está destapado...

17.2.10

MEMÓRIA

VIAGEM AO FUTURO

Apontei como horizonte razoável de vida, ainda restante para este que se assina, uns bons doze anos, pelo menos. E senti um irreprimível desejo de me transportar para essa data. Tentando antever o que se passará então no meu País. Não foi fácil. Não consegui encontrar nenhum algoritmo que me permitisse a projecção. Como, aliás, sempre acontece nos fenómenos sociais. É imprevisível o comportamento dos humanos, designadamente quando como massa considerados. No entanto, valia bem o esforço. Afinal, daqui por uns doze anos, já o Director deste prestigiado semanário me terá mandado dar uma curva até à beira-mar. O que eu farei arrimado à minha bengala. Passando o tempo ainda disponível mais em recordações do que em projecções. Assim, melhor é tentar antever, se quiser de algum modo incrementar a minha cultura. O que fiz. As notícias do dia não me surpreenderam. Mas será que podiam surpreender-me?

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"José Sócrates candidata-se para um quarto mandato. Prometeu ontem, em Ribeira de Pena, que, se for eleito, proporá ao Parlamento a limitação dos mandatos políticos".

"O Presidente do PSD, Isaltino Morais, mostrou-se indignado contra aqueles que ainda falam nas contas da Suíça, agora pertencentes a um seu segundo sobrinho, por falecimento do sobrinho".

"O Banco de Portugal noticiou ontem que o défice público relativo ao ano passado, ficou ligeiramente abaixo dos 25% previstos no Orçamento".

"Belmiro Azevedo deu uma entrevista nos USA - onde se encontra a viver - na qual se pronunciou contra a demasiada burocracia do Governo americano, que o impede de rapidamente atingir o mítico número de mil centros comerciais naquele país".

"Morreram duzentos e catorze jovens empresários, vítimas do choque tecnológico".

"O Governo anunciou a entrada em vigor, já no próximo ano, da XXX Reforma da Educação".

"Os juízes, delegados do Ministério Público, escrivães e solicitadores ganharam o seu longo braço de ferro com sucessivos governos e voltarão a ter dois meses de férias já corrente ano".

"Cavaco Silva não desvenda o seu sétimo tabu, embora fontes bem informadas o dêm como certo na Presidência da Santa Casa da Misericórdia. Interrogado ontem sobre o assunto, quando saía da Sede da AEP, na companhia de Ludgero Marques, remeteu-se ao silêncio".

"Valentim Loureiro, afirmou-se disponível para ocupar o lugar de Presidente numa conhecida empresa de telemóveis, mostrando-se pouco preocupado com a opinião de alguns dos accionistas de referência desta".

"Narciso Miranda, agora assessor do Presidente da Câmara de Matosinhos e do Secretário Distrital do Porto do Partido Socialista, propôs ontem a realização de uma romagem de saudade ao túmulo do Professor Sousa Franco, infaustamente desaparecido há quinze anos, numa campanha eleitoral daquele Partido, algures no norte do País".

"O Governo decidiu adquirir mais doze aviões cisterna, investimento integrado no programa deste ano de Combate Contra os Fogos Florestais. O investimento não sobrecarregará o Orçamento e será pago com o produto da venda da madeira ardida".

"Depois da zaragata que foi a sua última Convenção, o Bloco de Esquerda decidiu aceitar de novo no seu seio a UDP, tendo em vista regressar à unidade partidária vivida ao tempo em que este último Partido fazia parte do Bloco".

" A PT foi adquirida pela conhecida empresa espanhola de aluguer de walkie-talkies, WTC. Desconhece-se o preço do negócio".

"O BCP acaba de adquirir a maioria de capital na Caixa de Crédito Agrícola do Carrapatoso".

"Foi inaugurado ontem o primeiro troço da linha TGV do norte, a ligar a estação do Oriente a Alenquer".

"Mais de metade dos Portugueses passará férias, este ano, no Brasil, informou o Observatório do Turismo ontem à noite".

"As políticas de emprego dos últimos anos resultaram em pleno, afirmou o Ministro do Trabalho. O aumento do desemprego foi praticamente nulo nos últimos dez anos".

"O PCP insistiu ontem, mais uma vez, em que não é necessária a realização de um referendo sobre o aborto, uma vez que a Assembleia da República que resultar do próximo acto eleitoral terá legitimidade para legislar sobre o assunto".

"Freitas do Amaral foi recebido ontem à tarde na Casa Branca. A visita, de cortesia, deu-se no cumprimento de uma velha promessa feita ao antigo Ministro socialista pela então influente Secretária do Presidente Bush, Mrs. Condoleeza Rice. De Londres, onde se encontrava, e pelo telefone, o Presidente Ronald Bush, conhecido por Bush III, deu-lhe as boas vindas à sua residência oficial e instruiu o seu staff para proporcionar ao distinto visitante a melhor estadia possível".

"A duas jornadas do fim, o Benfica ainda tem esperanças de conquistar o título nacional de futebol, que lhe foge há vinte e três anos. O seu treinador, Otto Glória, afirmou ontem, depois do empate arduamente conseguido no campo do Seixalense, que ainda é matematicamente possível tal desiderato".

"José Mourinho abriu ontem, no Porto, uma escola para treinadores de futebol. As propinas são exorbitantes, mas o conhecido ex-treinador afirmou que os lucros da escola serão inteiramente destinados à campanha de luta contra a fome em África. Além de que onze das doze disciplinas do Curso serão ministradas por ele próprio".

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O despertador tirou-me do meu estado onírico. Por alguns momentos, tive dificuldade em adaptar-me à realidade. O sonho havia sido tão real. Para agravar a situação, o facto de que eu desperto, todos os dias, ao som do noticiário de uma conhecida emissora de rádio. E, à medida que ouvia as notícias, em lugar de me encontrar doze anos à frente do meu tempo, tinha passado para dez anos atrás dele. De súbito, encontrava-me sem saber se estava a viajar no futuro ou no passado. As notícias que ouvia cheiravam a mofo. Mas talvez não houvesse razão para preocupações. Entre a viagem ao futuro e ao passado, mediavam mais de vinte anos, durante os quais o país não havia fechado nem houvera qualquer revolução. Os actores da cena política continuavam a ser os mesmos. O povo seguia feliz com o dolce fare niente dos governos socialistas. A Europa ainda não desistira e continuava a suportar os desmandos económicos dos pequeninos para que, assim, os grandes dispusessem de maiores mercados. Os grandes e os Chineses. O futebol continuava a ser o grande motor do orgulho nacional. O empobrecimento do país parecia não afectar a vida das pessoas. O discurso político continuava descontraído. A vida política, sem tsunamis. Tudo bem, portanto.

Claro que tudo isto se passa no domínio dos sonhos. Geralmente, a vida real tem despertares mais violentamente agressivos. Os primeiro sinais de expectativa frustrada sobre a actividade do Governo começam a surgir. E, todavia, o Governo de José Sócrates já tomou algumas medidas em si mesmas positivas. E quando digo tomou, são aquelas que já se concretizaram. Não estou a falar de promessas que são repetidas mil vezes mas que não passam disso, de promessas. Reduzir as férias judiciais para o nível de que todo o português goza, acabar com cursos académicos que apenas enganam os jovens e exigir um mínimo razoável de saberes para permitir a entrada num curso superior, são medidas louváveis. Apenas se afiguram desgarradas. Pode ser que não sejam. Pode ser que, apesar de avulsas, se insiram numa estratégia disciplinada, objectiva, susceptível de produzir bons resultados a prazo. Oxalá seja. Porque se assim não for, pagaremos muito caro.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 10/5/2005

FRASE DO DIA

"Portugal de novo condenado por atrasos na justiça (julgados no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem)."

Título de PÚBLICO - 17/2/2010

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Se a moda de recorrer para ali pega, vão ver que ainda entupimos o Tribunal Europeu!...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

PS recusa debater liberdade dos media
Comissão Parlamentar de Ética inicia hoje audição de jornalistas e empresários da comunicação social


O PS vai hoje opor-se na Comisssão Parlamentar de Ética a que se debata a liberdade de expressão. A proposta foi feita pelo PSD e aceite pelos outros partidos da oposição. A maratona de audições a jornalistas e proprietários de órgãos de comunicação sobre este tema começa esta tarde. José Manuel Fernandes, ex-director do Público, e Mário Crespo, da SIC, são os primeiros, de uma longa lista, a responder aos deputados.

"O que está em cima da mesa é a proposta de analisarmos o exercício da liberdade de expressão em Portugal. Mas, como dissemos na altura, consideramos que não existe um problema de liberdade de expressão", disse ao DN a deputada Inês de Medeiros, esclarecendo que, a existir indícios de violação desse direito, o assunto teria de ser analisado na 1.ª comissão, que trata dos direitos, liberdade e garantias, e não na 13.ª, de ética, sociedade e cultura.

In DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 17/2/2010

CORAIS DO MAR - X



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1843, foi aberta ao trânsito a ponte pênsil que ligou Porto a Vila Nova de Gaia.



Dela só restam, junto à ponte D. Luís, os pilares do lado do Porto.

FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Muda muitas vezes ao dia...

16.2.10

CRÓNICA DA SEMANA - I

AS PARECENÇAS

Tenho meditado muito sobre esta tragédia em que Portugal se vai afundando, fruto de desavenças sem fim e da irresponsabilidade de quem dirige o País neste momento. É o culminar de um trajecto atribulado desde a Revolução dos Cravos, com altos e baixos, mais destes do que daqueles. E não evito dar a conhecer alguma coisa da minha meditação.

Disse Mário Soares, há poucos dias, que nem ele foi alguma vez atacado tanto como tem acontecido com José Sócrates. Todos nós sabemos que assim é. Mais. Nenhum Primeiro-Ministro português foi objecto de tantas e tão persistentes acusações de mau comportamento. A afirmação do antigo líder dos socialistas é, por isso, inteiramente verdadeira. Mas importa saber porque é que é assim. E digam-me: conheceram algum político – primeiro-ministro ou não – que estivesse envolvido em tantas trapalhadas? Claro que não. A vida de José Sócrates é, quer queiramos quer não, um chorrilho de trapalhadas. E, caso curioso, em muitas delas ele foi envolvido por comparsas seus. E, em outras tantas vezes, foi a sua reacção desajustada – como aconteceu com a licenciatura, com o Freeport, com a locutora Manuela Moura Guedes, com o director do Público José Manuel Fernandes e, agora mesmo, com o jornalista Mário Crespo – que causou todo o ruído público.

A atitude de José Sócrates já me fez lembrar, algumas vezes, a de Vasco Gonçalves no célebre discurso de Almada. Também este, na ocasião, tinha a esmagadora maioria dos portugueses contra si e, no entanto, berrava a bom berrar que era um anjo, que o Povo o adorava e que estava a ser vítima de cabalas organizadas por meia dúzia de fascistas. Foi sol de pouca dura. Pouco tempo depois, Vasco Gonçalves passou à história. Algo que me parece não tardará a acontecer com o Primeiro-Ministro que temos actualmente.

Mas as parecenças não se ficam por aqui. Se olharmos com atenção para a história governativa do país, verificamos que os socialistas governaram sozinhos em três ocasiões: com Mário Soares, logo à saída da Revolução, com António Guterres, após Cavaco Silva, e com José Sócrates, após Durão Barroso e Santana Lopes terem protagonizado um mandato que não chegou ao fim. E, em todas essas ocasiões, os socialistas deixaram o país em piores condições do que aquelas que haviam recebido. Isto é, o resultado da governação socialista é sempre o mesmo: deixam o país pior do que o recebem.

Atentas todas estas circunstâncias, uma só pergunta me dança no espírito: de que se está à espera para correr com José Sócrates? Por muito menos, o Presidente socialista José Sampaio despediu Santana Lopes.

Magalhães Pinto, em MATOSINHOS HOJE, em 16/2/2010

FRASE DO DIA

"Teixeira dos Santos exprime “satisfação” e “orgulho” pela escolha de Constâncio (para o Banco Central Europeu)."

Título de PÚBLICO - 16/2/2010

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O ministro das Finanças nem pode imaginar a nossa satisfação também! Pode ser que, agora, o Banco de Portugal comece a velar pelos interesses dos Portugueses...

RETRATOS DE UM GRANDE PAÍS...

Gang rouba e ameaça em farmácia

Três homens encapuzados e armados com uma pistola espalharam terror ontem ao início da noite numa farmácia em Fernão Ferro, no Seixal. Foi cerca das 20h00 que o trio invadiu o estabelecimento e ameaçou de morte funcionários e clientes, que cederam a todas as exigências do perigoso gang.


Um homem que se recusava a entregar a carteira teve a pistola apontada à cabeça. Todas as pessoas foram revistadas e obrigadas a entregar os seus bens pessoais. Depois disso, os assaltantes dirigiram-se às funcionárias da farmácia Central e levaram todo o dinheiro que se encontrava na caixa registadora, um montante que ainda não foi possível apurar. De acordo com informação divulgada por fonte do Comando Geral da GNR, apesar do susto, não houve feridos a lamentar. Os assaltantes tinham um automóvel Honda Civic estacionado à porta do estabelecimento, com o qual se puseram em fuga. Continuam a monte. A Guarda Nacional Republicana esteve no local a tomar conta da ocorrência, mas por se tratar de um assalto com armas de fogo, a Polícia Judiciária de Setúbal ficou com a investigação do caso.

In CORREIO DA MANHÃ - 16/2/2010

CORAIS DO MAR - IX



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1986, Mário Soares é o primeiro civil eleito para a Presidência da República depois da Revolução dos Cravos.

Foi um dos impulsionadores da independência das colónias portuguesas.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Há algo errado neste anúncio da Samsung... mas não consigo descortinar o que é...

15.2.10

SOKRÁTES E SÓCRATES



Exercícios filosóficos
por Ana Vidal | 07.02.10 |



Sōkrátēs buscava o Conhecimento. O seu método para alcançá-lo era o diálogo e a humildade em formular todas as perguntas.

Sócrates prefere o Desconhecimento. O seu método para alcançá-lo é o monólogo e a arrogância de calar todas as perguntas.

Um pensamento de Sōkrátēs - Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.

Um pensamento de Sócrates - Quatro características deve ter um juiz: não ouvir escutas, responder obedientemente, ponderar nos riscos que corre e decidir se quer continuar a ter emprego.

Sōkrátēs provocou uma ruptura sem precedentes na Filosofia grega.

Sócrates provocou uma ruptura sem precedentes na auto-estima dos portugueses.

Sōkrátēs tinha um lema: Só sei que nada sei.

Sócrates tem um lema: Eu é que sei.

Sōkrátēs auto- intitulava-se "um homem pacífico"

Sócrates auto-intitula-se "um animal feroz".

Sōkrátēs foi condenado à morte por cicuta.

Sócrates foi condenado pelas escutas.

Sōkrátēs deixou-nos incontáveis dádivas.

Sócrates deixa-nos incontáveis dívidas.

(Gentileza de F. Santos)

MEMÓRIA

OS FEUDOS

Tenho-o afirmado aqui muitas vezes. Grande parte dos políticos, quando providos de algum poder, pensam que esse poder lhes dá o direito de administrarem a coisa pública como se fosse a sua quinta particular. E fazer o que muito bem lhes dá na gana. É verdade que, nesta democracia que vamos vivendo, não há poder que não seja fiscalizado, para evitar precisamente os abusos. Mas, como vamos vendo também, só há verdadeiramente uma fiscalização do poder que funciona. A da comunicação social. A qual, por seguro, apenas apanha as faltas uma vez por outra. Por aí podemos ver como andará o nosso país. Muito pior do que, semana atrás de semana, eu aqui vou dando conta.

O que se passou, no escândalo do acesso à Faculdade de Medicina da filha do Ministro dos Negócios Estrangeiros, é demasiado triste e desvergonhado. Porque precisou da coligação da vontade de dois ministros. Porque se tratou duma ilegalidade. Porque, mesmo que não fosse ilegal, seria sempre imoral. Porque se tratou da Faculdade de Medicina, exactamente aquela onde é mais difícil entrar e onde a referida menina nunca entraria em condições normais. Porque a Faculdade de Medicina é a mais apetecida. Porque prejudicou um terceiro, precisamente o aluno que teve que ficar de fora para satisfazer a vontade da filha do Senhor Ministro.

Estou envergonhado. Por ser português. Por ter, vá lá, alguma simpatia por este Governo, a tentar tirar Portugal do buraco onde os socialistas o meteram. Simplesmente, por ser cidadão duma pátria onde a desvergonha não poupa ninguém, não escapa a ninguém. Tenho, por força dos meus que-fazeres profissionais, contactos com muitos cidadãos de outros países. Muitos me perguntam como é que uma coisa destas acontece. A minha resposta é o silêncio. Não sei. Ou melhor, sei. No Portugal de hoje, ninguém olha a meios para conseguir os seus fins.

O Ministro da Educação assumiu as suas responsabilidades. Demitiu-se. O dos Negócios Estrangeiros assobiou para o lado. Ou melhor. Com petulância, afirmou, na nossa cara, que podíamos estar descansados porque a filha dele ia estudar para o estrangeiro. O que merece dois comentários. O primeiro, é que ainda bem que é rico e pode colocar a filha a estudar no estrangeiro. Pode até ser que fique por lá. É pouco, mas Portugal sempre melhora um bocadinho. O segundo, é que, nem mesmo assim estou descansado. Só o estarei quando o Senhor Ministro abandonar um governo para integrar o qual não mostrou ter dignidade suficiente.

Dois comentários marginais. O que se passa com o acesso às Faculdades de Medicina é outro escândalo. Apesar de lutarmos com falta de médicos, teima-se em não formar mais. Provavelmente, por força do lobby dos médicos, a quem a concorrência seguramente reduziria os ganhos. Depois, houve comentadores que me meteram asco. Como por exemplo, o ex-ministro Manuel Carrilho, do PS. Censurou a falta de ética dos dois ministros envolvidos nesta triste história, esquecido de que ele próprio, quando era ministro, autorizou um contrato do Estado, cujo fim não se percebia bem, com uma empresa a que estava ligada a sua namorada, proporcionando a esta chorudos proventos.

Está visto. Só mesmo as moscas é que mudam.

Magalhães Pinto, em MATOSINHOS HOJE, 7/10/2003