. . . OS SINAIS DO NOSSO TEMPO, NUM REGISTO DESPRETENSIOSO, BEM HUMORADO POR VEZES E SEMPRE CRÍTICO. . .
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8.3.10
7.3.10
FRASE DO DIA
PENSAMENTO DO DIA
EFEMÉRIDE DO DIA
Neste dia, em 1843, nasceu José Tomás de Sousa Martins, que viria a ser médico e professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa. Formado em Farmácia e Medicina, trabalhou intensa, e na maioria dos casos gratuitamente, sobretudo no combate à tuberculose.
Sobre ele, disse Guerra Junqueiro:
"Eminente homem que radiou amor, encanto, esperança, alegria e generosidade. Foi amigo, carinhoso e dedicado dos pobres e dos poetas. A sua mão guiou. O seu coração perdoou. A sua boca ensinou. Honrou a medicina portuguesa e todos os que nele procuraram cura para os seus males".
Sobre ele, disse Guerra Junqueiro:
"Eminente homem que radiou amor, encanto, esperança, alegria e generosidade. Foi amigo, carinhoso e dedicado dos pobres e dos poetas. A sua mão guiou. O seu coração perdoou. A sua boca ensinou. Honrou a medicina portuguesa e todos os que nele procuraram cura para os seus males".
6.3.10
PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento
Estou curioso por ver as medidas que o Governo vai planear, para afastar o país das densas nuvens negras que o encobrem, a publicar hoje no chamado PEC - Planod e Estabilidade e Crescimento. Mas só por uma razão: para saber se os políticos terão coragem de atacar o que a seguir se segue, verdadeiro escândalo nacional.***
Atentem no valor que o Bolso dos Portugueses terá de suportar para GARANTIR a existência e funcionamento (???) da “nossa” ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
Seguem-se algumas das rubricas Existentes no Orçamento que acaba de ser publicado em Diário da República.
Caso queiram consultar essa peça na íntegra só terão de ir ao site WWW.dre.pt e acederem ao Diário da República nº 28 - I série- datado de 10 de Fevereiro de 2010 - RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº 11/2010.
Então, é assim:
1 - Vencimento de Deputados...............12.349 mil Euros
2- Ajudas de Custo de Deputados............2.724 mil Euros
3 - Transportes de Deputados...............3.869 mil Euros
4 - Deslocações e Estadas..................2.363 mil Euros
5 - Assistência Técnica....................2.948 mil Euros
6 - Outros Trabalhos Especializados........3.593 mil Euros
7 - RESTAURANTE,REFEITÓRIO,CAFETARIA.........961 mil Euros
8 - Subvenções aos Grupos Parlamentares......970 mil Euros
9 - Equipamento de Informática ............2.110 mil Euros
10 - Outros Investimentos..................2.420 mil Euros
11 - Edificios ............................2.686 mil Euros
12 – Transferências Diversas..............13.506 mil Euros
13 - SUBVENÇÃO aos PARTIDOSn na AR........16 milhões e 977 mil Euros
14 - CAMPANHAS ELEITORAIS.................73 milhões e 798 mil Euros
Isto são algumas das rubricas do orçamento da ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA !
Em resumo : no total a despesa orçamentada para "aquela casinha", relativamente ao ano 2010 é de 191 405 356, 61 Cêntimos (191 Milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos) - Ver Folha 372 do acima identificado Diário da República nº 28 - 1ª Série -, de 10 de Fevereiro de 2010.
Nos termos do disposto no Artigo 148º. da Constituição da República Portuguesa :
"(...) A Assembleia da República tem o MINIMO de cento e oitenta deputados e o MÁXIMO de duzentos e trinta deputados, nos termos da Lei Eleitoral (...) ".
Eles são quantos ????? !...
CLARO CLARO !!!
230 que é o número MÁXIMO !...
E por aqui me fico.
Façam uma "contitas" e vejam quanto pagamos por cada um daqueles “senhores” : 832.197,20 EUROS ( 166.840 CONTOS !)
Quanto a mais conclusões sobre a “essência” de algumas das rubricas orçamentais…, e quantas mais despesas relacionadas com aquela “casita” não estão incluídas naquele orçamentozito… fica para vocês !
UM SORRISO DE FIM DE SEMANA
A Lurdes era muito religiosa e cumpria os mandamentos de Deus.Casou-se e teve 11 filhos. Depois o marido morreu.
Passado pouco tempo, voltou a casar. Teve mais 17 filhos. Depois o segundo marido morre.
Cinco semanas mais tarde, a Lurdes morre.
No funeral, o padre, olhando a defunta no caixão, comenta:
'Ahh.. finalmente juntos.'
Uma velhota que se encontrava perto perguntou:
- 'Desculpe padre.. mas quando diz finalmente juntos, refere-se à defunta e o seu primeiro marido, ou à defunta e o seu segundo marido ?'
- 'Refiro-me aos joelhos da Lurdes... '
BULLYING
Carta aberta ao Ministério exige respeito pelos direitos das crianças Uma carta aberta ao Ministério da Educação exige o respeito pelos direitos das crianças e pede uma investigação objectiva e rápida ao caso do rapaz de Mirandela, vítima de bullying.
Algumas organizações, entre elas, a secção portuguesa da Aministia Internacional, escreveram uma carta aberta ao Ministério da Educação exigindo uma investigação profunda ao caso do Leandro, a criança de 12 anos vítima de bullying, que se terá suicidado, atirando-se ao rio Tua.
A «indignação» perante estes factos terá levado cinco Organizações Não Governamentais (ONG) a sugerirem uma homenagem a Leandro, para que na próxima segunda-feira às 11:00, seja feito em todas as escolas do país um minuto de silêncio.
As ONG pedem ao Ministério da Educação, à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e ao conselho directivo da escola Luciano Cordeiro, que apurem todas as responsabilidades e que «as investigações sejam céleres e objectivas».
Na carta como o título «Morreu para evitar agressão de colegas», a Aministia Internacional, a AMI, a Associação de Apoio à Vítima, a Associação para a Intervenção em Exclusão Social e Comportamento Desviante e a OIKOS, lembram que Portugal é um dos signatários da Declaração e da Convenção dos Direitos da Criança.
Estas ONG lembram também que a «inacção e passividade constituem uma grave violação dos Direitos Humanos», mostrando solidariedade para com a famílias e amigos de Leandro.
A carta termina com a frase de Antoine de Saint-Exupery, « todas as grandes personagens começaram por ser crianças, mas poucas se recordam disso».
O caso de Leandro fez regressar à primeira linha da actualidade o bullying, a violência continuada entre alunos nas escolas. Nos últimos dias, aumentaram os pedidos de informação e de apoio junto da linha telefónica que ajuda vítimas deste fenónemo.
Em Mirandela prosseguem as buscas no rio Tua, com 40 elementos da PSP, da GNR e dos bombeiros, que tenta encontrar o corpo de Leandro que esta desaparecido deste terça-feira. Contudo, o mau tempo, como relatou à TSF Melo Gomes da Protecção Civil, não tem ajudado nas operações.
Gabriela Batista
INESQUECÍVEL!
Uma visita mais à mais bela canção da minha vida, na voz sublime de EMMA SHAPPLIN. Ouçamos, mais uma vez, SPENTE LE SETLLE.
FRASE DO DIA
PENSAMENTO DO DIA
EFEMÉRIDE DO DIA
Neste dia, em 1871, nasceu Afonso Costa, que viria a ser líder proeminente da implantação da República em Portugal.
Com a implantação da República a 5 de Outubro de 1910, Afonso Costa foi chamado a integrar o Governo Provisório da República, na pasta da Justiça e Cultos, lugar que ocupou até à dissolução daquele Governo (por ter sido aprovada a nova Constituição) a 4 de Setembro de 1911.
Recebeu, dos seus opositores, a alcunha de "mata-frades", pela legislação laicista que mandou publicar - Lei da Separação da Igreja do Estado, expulsão dos jesuítas, registo civil, lei da família e lei do divórcio, abolição do delito de opinião em matéria religiosa, legalização das comunidades religiosas não católicas, privatização dos bens da Igreja Católica, proibição das procissões fora do perímetros das igrejas, proibição do uso das vestes talares (religiosas) fora dos templos, etc. Foi acusado pelos sectores mais conservadores de ter dito que iria aniquilar a religião em Portugal em duas gerações, o que foi categoricamente desmentido.
Durante a Primeira República, Afonso Costa foi um dos políticos dominantes. A 29 de Agosto de 1911, anunciou o novo programa político do Partido Republicano Português, considerando-o como o partido único da República. Contudo, em Fevereiro de 1912, num processo de secessão entre os republicanos, assumiu a liderança do processo que levou ao aparecimento do Partido Democrático, mais radical, de que se tornou líder incontestado, e do Partido Evolucionista, mais moderado.
Com a implantação da República a 5 de Outubro de 1910, Afonso Costa foi chamado a integrar o Governo Provisório da República, na pasta da Justiça e Cultos, lugar que ocupou até à dissolução daquele Governo (por ter sido aprovada a nova Constituição) a 4 de Setembro de 1911.
Recebeu, dos seus opositores, a alcunha de "mata-frades", pela legislação laicista que mandou publicar - Lei da Separação da Igreja do Estado, expulsão dos jesuítas, registo civil, lei da família e lei do divórcio, abolição do delito de opinião em matéria religiosa, legalização das comunidades religiosas não católicas, privatização dos bens da Igreja Católica, proibição das procissões fora do perímetros das igrejas, proibição do uso das vestes talares (religiosas) fora dos templos, etc. Foi acusado pelos sectores mais conservadores de ter dito que iria aniquilar a religião em Portugal em duas gerações, o que foi categoricamente desmentido.
Durante a Primeira República, Afonso Costa foi um dos políticos dominantes. A 29 de Agosto de 1911, anunciou o novo programa político do Partido Republicano Português, considerando-o como o partido único da República. Contudo, em Fevereiro de 1912, num processo de secessão entre os republicanos, assumiu a liderança do processo que levou ao aparecimento do Partido Democrático, mais radical, de que se tornou líder incontestado, e do Partido Evolucionista, mais moderado.
5.3.10
FRASE DO DIA
PENSAMENTO DO DIA
O político português - Mário Soares - que se encarniçou para derrubar o provavelmente melhor governante que os Portugueses tiveram depois do "25 de Abril" - Cavaco Silva - insurge-se hoje contra o ambiente de guerrilha que, segundo ele, se vive entre os partidos portugueses.Dificilmente a hipocrisia poderia conhecer maior expoente.
EFEMÉRIDE DO DIA
Neste dia, em 1984, faleceu Pedro Homem de Mello, poeta, professor e amante do folclore português.
Foi um dos colaboradores do movimento da revista Presença. Apesar de gabada por numerosos críticos, a sua vastíssima obra poética, eivada de um lirismo puro e pagão (claramente influenciada por António Botto e Federico García Lorca), está injustamente votada ao esquecimento. Entre os seus poemas mais famosos destacam-se Povo que Lavas no Rio e Havemos de Ir a Viana, imortalizados por Amália Rodrigues, e O Rapaz da Camisola Verde.
Foi um dos colaboradores do movimento da revista Presença. Apesar de gabada por numerosos críticos, a sua vastíssima obra poética, eivada de um lirismo puro e pagão (claramente influenciada por António Botto e Federico García Lorca), está injustamente votada ao esquecimento. Entre os seus poemas mais famosos destacam-se Povo que Lavas no Rio e Havemos de Ir a Viana, imortalizados por Amália Rodrigues, e O Rapaz da Camisola Verde.
4.3.10
CRÓNICA DA SEMANA - II
OS ABUTRES E AS POMBASDa Física, só conheço as máquinas simples. Algo que todos os Portugueses conhecem. Não há quem não use uma alavanca para mover vontades. Não há quem se mova sobre roldanas, nesta vida tribulada que levamos. Não há quem não se meta em sarilhos. E eu sou como os demais. E, como os demais, se toca a falar de energia, sou um zero à esquerda. Apesar disso, julgo que entendi um documento que me chegou às mãos, sobre a catástrofe madeirense. Vou ver se sei explicar o essencial da questão por palavras minhas. Então é assim:
- No dia do acidente, caíram sobre a Madeira 176 litros de água por metro quadrado;
- Isto é, foram lançados do alto 176 quilos por metro quadrado;
- As zonas mais altas da Madeira atingem quase 2.000 metros; as mais baixas estão ao nível do mar, isto é, zero;
- Admita-se que os tais 176 quilos por metro quadrado foram lançados sobre o terreno à altitude média de 1.000 metros;
- Então, diz a ciência, através de cálculos que não vou fazer aqui, que a energia potencial caída dos céus sobre a pobre ilha, tendo em conta a força da gravidade e a altura média a que caiu, e ainda que apenas tivesse caído sobre um quilómetro quadrado da ilha, teria ao nível do mar uma capacidade energética (cinética) para fazer um “trabalho” equivalente ao que permitiriam OITO centrais nucleares das muito grandes. Qualquer coisa como oito gigawatts.
Naturalmente, naquele raciocínio, presume-se que a água fluiria livremente, sem encontrar resistências de nenhuma espécie até chegar ao mar. O que não é, obviamente, o caso. Isto é, a energia potencial existente na água caída ao cair, foi-se transformando em energia cinética ao encontrar obstáculos, anulando-se no arrastar das casas, das lamas, dos veículos e das pedras e na destruição do património existente. Não sendo engenheiro, é para mim fácil imaginar qual seria a destruição provocada na cidade do Funchal se muita daquela energia potencial não tivesse encontrado obstáculos, não fosse canalizada, não se escoasse nos mil e um acidentes do seu percurso até à cidade. Aliás, basta recordarmos a caminhada tumultuosa da água na parte canalizada das ribeiras para imaginarmos quanta energia se escoava por ali abaixo.
Também não me é difícil aceitar o argumento por aí usado de que esta energia seria menos tumultuosa e concentrada se a água pudesse (digamos assim) espraiar-se. Pois. Mas para que a água pudesse espraiar-se teria que NÃO HAVER A CIDADE DO FUNCHAL JUNTO AO MAR. É que a cidade do Funchal situa-se exactamente no ponto onde o funil deixa de ser largo para ser estreito. Logo, a responsabilidade maior do sucedido, se quisermos aceitar o argumento dos que atiram o essencial das culpas para a gestão recente da ilha, tem que ser assacada aos portugueses das descobertas e colonização, por terem localizado a hoje linda cidade naquele local. Aliás, há um pormenor que os “abutres” (na linguagem de Alberto João Jardim) parecem desprezar. É que a destruição provocada pelas águas – incluindo a maioria dos mortos - sucedeu precisamente no sítio onde não havia canais e a água escorreu livremente. Uma consequência, aliás, das energias de que falamos acima. E não parece difícil aceitar, desta vez, a voz grossa de Jardim. Porque é difícil aceitar que a motivação seja outra, para muito do que se diz e para muitos do que dizem, senão a política partidária. Um bom exemplo disso, foi a crónica do professor (de História!) e bloquista de esquerda Rui Tavares no Público, na última segunda-feira. Chamando a atenção para um vídeo publicado na Internet, gravação de um programa Biosfera, da RTP2. Um vídeo que não afasta – bem pelo contrário – a possibilidade de catástrofe numa situação como a vivida, mas antes sugere comportamentos que propiciem uma melhor defesa ante ela. E do vídeo parte, o cronista, para o verdadeiro objectivo da crónica – o sobrevoo “abútreo” sobre o que imagina poder ser o cadáver político de Alberto João Jardim.
***
Pois bem. Se há abutres, também há pombas. E neste infausto acontecimento da Madeira sobressaem cinco pombas bem definidas. Em primeiro lugar, o povo madeirense. O modo decidido como se atirou à tarefa de recuperar e reconstruir a sua terra é verdadeiramente notável. Fazendo jus a um comentário que Jardim fez, para um jornalista que lhe perguntava dos efeitos da catástrofe natural sobre a moral dos madeirenses: “Ó minha Senhora, há séculos que os madeirenses lutam contra a natureza e sempre venceram; vão vencer mais uma vez!”. É isso mesmo. Se a energia das águas destruidoras e assassinas pode ter uma boa resposta, ela é a energia dos madeirenses.
Uma segunda pomba é o povo português em globo. A solidariedade para com a Madeira foi rápida, foi genuína, foi generosa. Subitamente, as grandes qualidades dos portugueses mostraram-se por sobre as águas. E, em momentos assim, sente-se renascer o orgulho de ser português. Uma responsabilidade colectiva, esta, a de fazer renascer tal orgulho.
Uma terceira pomba foi o Primeiro-Ministro José Sócrates. O acidente madeirense deu-lhe a oportunidade de fazer mais pela sua imagem do que toda a sua obra ao longo dos últimos cinco anos. O modo imediato, preocupado e generoso como encarou os acontecimentos da Madeira, enterrando quaisquer ressentimentos que pudesse sentir contra o líder político dos madeirenses pareceu também genuíno, solidário, generoso. Pela primeira vez afirmo: bem-haja, senhor Primeiro-Ministro!
Uma quarta pomba é o Presidente da Câmara Municipal do Funchal. Trabalhador incansável ao serviço do seu povo específico. Nem sequer era necessário vermo-lo – como vimos – no meio dos trabalhadores e cidadãos anónimos que, ainda corria a água com algum vigor e já estavam a arrumar a casa. Bastaria, para sabermos o que para ele foram estes dias e o que ele foi nestes dias, olhar a sua cara uma semana depois do desastre. Os sulcos cavados pelo trabalho, pela preocupação e pela dedicação eram tão profundos como os cavados pelas águas no seu solo de estimação.
Por fim, que não por último, é impossível não reter um elemento de grande apreço por Alberto João Jardim. Incansável Jardim! As suas capacidades para ser líder não soçobraram na enxurrada. Bem pelo contrário. Ergueram-se a alturas impensáveis há bem pouco tempo. Tem algumas culpas no cartório por uma ou outra construção que não devia estar aonde está? Seguramente terá. É impossível não ter. Em todo o Portugal as há. Aliás, como o “seu” presidente da Câmara o Funchal. Mas elas tornam-se minúsculas face à atitude, ao comportamento, à liderança, assumidos nesta hora trágica para a sua Madeira. Entende-se melhor agora porque é que é escolhido pelo Povo há mais de trinta anos. E não é por caciquismo, não. Ficou provado sem margem para dúvidas. Tendo ainda uma outra virtude não despicienda. É que é uma pomba capaz de lutar vitoriosamente contra os abutres.
Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 4/3/2010
FRASE DO DIA
PENSAMENTO DO DIA
EFEMÉRIDE DO DIA
Neste dia, em 2001, ruíu a Ponte de Entre-os.Rios, quando se encontrava em utilização.
Do acidente resultou a morte de 59 pessoas, incluindo os passageiros de um autocarro e três carros que tentavam alcançar a outra margem do rio Douro. O desastre levou a acusações quanto a negligência do governo português, levando à demissão do Ministro do Equipamento Social da altura, Jorge Coelho.
Do acidente resultou a morte de 59 pessoas, incluindo os passageiros de um autocarro e três carros que tentavam alcançar a outra margem do rio Douro. O desastre levou a acusações quanto a negligência do governo português, levando à demissão do Ministro do Equipamento Social da altura, Jorge Coelho.
3.3.10
FRASE DO DIA
PENSAMENTO DO DIA
MEMÓRIA
O CONTRATONão consigo furtar-me à sensação. Parece que o tempo andou para trás uns bons oito anos. Bons é uma maneira de dizer, claro. Releio o Contrato Eleitoral do Partido Socialista. Ao lado tenho o Contrato para uma Legislatura, resultante dos Estados Gerais do PS, que conduziu António Guterres ao Poder. Cotejo os dois. São quase iguais. O de agora parece ganhar em condensação. Tem 164 páginas. Quase metade do que tinha o de Guterres. Mas, também, as medidas anunciadas não são tantas. O Contrato para uma Legislatura de Guterres anunciava cerca de seiscentas medidas. O de agora fica-se mais ou menos por um quarto desse número. O que corrige a ideia de condensação inicial. O de agora tem mais páginas por medida anunciada. Mas, do essencial, está lá tudo. Até um novo Rendimento Mínimo. Desta vez só para cerca de 300.000 pensionistas. O que até faz sentido. O Estado está mais miserável agora do que quando Guterres assumiu o Poder. Ele próprio se encarregou de esbanjar a maior parte da riqueza existente. Os que vieram depois fizeram o resto. Das seiscentas medidas anunciadas por Guterres no Contrato para uma Legislatura, nem 10% foram cumpridas em legislatura e meia. Com alguma sorte, teremos meia dúzia para cumprir no agora anunciado.
Isto não quer dizer que não haja virtude nas medidas anunciadas. Claro que há. Todas as promessas políticas são virtuosas. O problema não reside aí. Reside na capacidade e possibilidade de as cumprir, por um lado, e na competência para as fazer cumprir, por outro. Uma coisa me assusta na eventual situação dos socialistas ganharem as eleições. É que Sócrates, o líder de tudo, tem andado muito escondido. São outros que aparecem a falar em nome dele. Por exemplo, António Vitorino. Um homem cuja capacidade intelectual, profissional e política é indiscutível. Mas António Vitorino não é o chefe das tropas. O que significa que, eleições realizadas e eventual existência de um governo socialista, Vitorino não terá autoridade nenhuma. O que significa que as tropas vão ficar entregues a si mesmas. Ou, outro exemplo, em nome de Sócrates aparece Carrilho. Alguém que conhecemos muito bem aqui no Porto. Foi ele que, numa atitude maquiavélica, afastou do "Porto 2001" o grande gestor que é Artur Santos Silva, entregando o empreendimento a gente sem qualidade que conduziu ao que sabemos: o "Porto 2001" ainda não está concluído quatro anos depois da efeméridde e custou - e custará! - rios de dinheiro que nos fazem falta para outras coisas bem mais urgentes.
Há, no Plano socialista, medidas de evidente necessidade e mérito. Outras que são conversa fiada. E outras objectivamente más, não obstante a música celestial que as acompanha. Permito-me salientar algumas.
- Desde logo, o cartão único para o cidadão. Cada um de nós passará a ter uma única identificação para todas as suas relações com o Estado. Contribuinte, Segurança Social, Carta de Condução e, porque não, Eleitor. Uma dupla vantagem. Por um lado, o Contribuinte estrá sujeito a menor burocracia; e, por outro lado, o Estado poderá cruzar informações sobre o cidadão, permitindo-se ter um maior controlo sobre o cumprimento, por parte daquele, de todas as suas obrigações.
- A redução dos número de funcionários públicos também é medida assinalável. É urgente que assim seja. Embora pareça que tal redução não é apenas de permitir a admissão de um funcionário por cada dois que se vão embora. A medida é inexequível ou terá consequências de desorganização terríveis se não for acompanhada de dotação de meios modernos de gestão na função pública. Isto é, a redução de funcionários públicos exige uma profunda remodelação dos processos de trabalho e dos meios tecnológicos ao dispor da função pública. Acresce que os sindicatos acabam de fazer uma afirmação demolidora. Segundo eles, "o projecto é um disparate, só possível em quem não sabe do que está a falar. Porque se excluirmos a saúde, a educação e a segurança e justiça, não sobram 75.000 postos de trabalho". Ou me engano muito ou estamos outra vez na presença de música apenas.
- Limitação dos mandatos autárquicos. Boa. Queremos. Uma medida que parece de simples execução. Basta os políticos quererem. Mas recordo-me de que já se falava disso há quize anos, quando eu andava na vida política activa. Ainda continua por executar. Donde se conclui que os políticos não querem essa medida. E, assim, isto é apenas papel. De igual jeito vai a promessa de criação dos círculos uninominais. Venham eles. O pior vai ser convencer os políticos a quererem-no.
- Reforço de pensão para os pensionistas muito pobres. Óptimo. Mas lá vamos nós para a necessidade de apreciação de quem é pobre. Papéis preenchidos. Muitos deles autêntica aldrabice, como aconteceu no Rendimento Mínimo. Além disso, necessidade de gente para apreciar e aprovar. As cunhas. A lassidão de quem aprecia. E uma dificuldade a opor-se à desejada redução dos funcionários públicos. Não seria melhor, mais simples e mais justo um aumento generalizado só para as pensões mínimas?
- O PS fez mais barulho do que um tractor contra as receitas extraordinárias usadas pelo governo antecessor para equilibrar o Orçamento. Reparem nesta preciosidade: "Atingir, numa legislatura, o limite do défice… sem recorrer a receitas extraordinárias" (sublinhado meu). Quer dizer, daqui por quatro anos talvez já não se recorra ao "execrável" método de equilíbrio.
- Outra. "Defender a exclusão do cálculo do défice… as despesas de investimento…". Se isto não são as nefandas manobras contabilísticas que tanto verberou o PS, macacos me mordam. E enquanto estivermos a pensar em equilibrar as contas públicas com manobras contabilísticas, estamos tramados. Como o PS disse. Mas que já esqueceu.
- Como qualquer bom romance, também há mistério nas promessas socialistas. "Avaliação das escolas básicas e secundárias, com prémios para as melhores e incentivos para as piores". Prémios e incentivos? Não deveria ser incentivos para todas, a fim de todas se tornarem melhores? Ou então, "valorizar a identidade do ensino secundário com diploma próprio". Isto é surrealismo! Então é a qualidade e utilidade do ensino secundário que lhe dá identidade (e aceitação socio-profissional) ou é o papelucho passado no fim do curso?
- Regulamentação das uniões de facto. Uma medida polémica mas, que no caso de José Sócrates ganhar as eleições, se entende.
- Aumento da licença por maternidade para um quinto mês. Sabendo-se que a função pública é a actividade laboral onde a percentagem de presença de mulheres é a maior, isto não vai estragar a medida de redução dos funcionários públicos? E porquê cinco meses? Porque a criança precisa? Porque a mãe precisa? A criança precisa bem até mais tarde. A mãe precisa bem até mais cedo. Pobres das mulheres! As da função pública ainda se safam, apesar de estragarem os objectivos de reduzir 75.000 funcionários anunciados. As outras encontrarão, cada vez mais, dificuldades em arranjar emprego.
- SCUTS de novo à borla. Talvez se consiga equilibrar o OGE. Sobretudo com recurso às receitas extraordinárias e com as modificações contabilísticas. Já agora, estou por tudo. Adoro quando os políticos prometem gastar dinheiro sem dizerem aonde vão buscá-lo.
- Por fim, a medida desta série que maior aplauso me merece: a profissionalização dos bombeiros. Além do mais, é que, cotejando o Contrato para uma Legislatura, de Guterres, e o Contrato Eleitoral do PS, agora ao nosso dispor, e vendo o que foi feito do primeiro, anuncia-se para aí um grande incêndio. É bom ter os bombeiros a tempo integral.
Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 25/1/2005
EFEMÉRIDE DO DIA
2.3.10
PENSAMENTO DO DIA
FRASE DO DIA
"Trata-se de um ataque directo, pessoal, à pessoa do Snr. Primeiro-Ministro."Jorge Lacão (deputado do PS sobre a deliberação de instaurar uma comissão de inquérito à intervenção do Governo no negócio da TVI) - RTP - 2/3/2010
***
Há aqui uma grande confusão do Senhor Deputado. Pois se foi o próprio Senhor Primeiro Ministro que, depois de ter negado saber do negócio, terminou dizendo que como Primeiro-Ministro não o conhecia, embora dele tivesse conhecimento como pessoa. Portanto, a Comissão de inquérito não pode atacar os dois - Primeiro-Ministro e respectiva pessoa - ao mesmo tempo! Ou, visto por outro prisma, o Senhor-Primeiro-Ministro e respectiva pessoa não são a mesma entidade!
CRÓNICA DA SEMANA - I
POLISDÍVIDASJulgo que ficamos todos surpreendidos ao saber que a Câmara de Matosinhos tem que devolver uma importância considerável à Comunidade Europeia, relativa a erros cometidos no Programa Polis para a marginal de Matosinhos, em grande parte financiado por aquela entidade. Não sei a quem devem ser imputados os erros cometidos, mas julgo que os cidadãos têm o direito de conhecer o nome de quem deu origem a tais erros.
O Programa Polis foi, como todos seguramente se recordam, uma das meninas bonitas do antigo presidente Narciso Miranda. E foi sob a égide dele que tivemos aquilo – a marginal de Matosinhos - que, na ocasião e numa crónica aqui publicada, eu chamei um WC excelente para cães, onde aquela coisa monstruosa, caríssima e pirosa, conhecida por “anémona”, nasceu, para falecer pouco tempo depois, para renascer outra vez. Foi sob a égide do antigo Presidente que foi escolhido o arquitecto autor do projecto da marginal e que os contratos iniciais foram assinados. Verifica-se agora – como já se verificou a propósito da “anémona” – que não foram tomados os devidos cuidados na assinatura do contrato com o arquitecto. E o resultado final é o município perder quase cem mil contos em moeda antiga.
Casos destes são muito frequentes nas obras públicas. Seja naquilo que se chama “trabalhos a mais” – isto é, execução de obras que não estavam previstas inicialmente – seja devido a defeitos contratuais nos quais, geralmente, é o Estado que sai prejudicado no fim, as empreitadas que quer o Estado Central quer as Autarquias ordenam ficam sempre por muito mais dinheiro do que inicialmente era previsto. E, quando tal acontece, são os nossos impostos que estão a arder. Ou porque temos que pagar mais impostos para a mesma obra ou porque, para pagar o que umas custam a mais, ficam outras por fazer.
Mas as encomendas do sector público não são ordenadas por um fantasma a quem não podemos pedir responsabilidades. Parafraseando a canção, há sempre alguém que diz sim, seja no momento de fazer, seja no momento de pagar. E é imperioso que todos nós tenhamos conhecimento de quem é que mandou fazer mal ou de quem é que mandou pagar mal. Só assim poderemos evitar que, no futuro, esse alguém possa continuar a mandar fazer ou a mandar pagar. Como disse acima, este – o de saber quem é responsável - é um direito dos cidadãos que não pode ficar sem resposta.
Magalhães Pinto, em MATOSINHOS HOJE, em 2/3/2010
EFEMÉRIDE DO DIA
Neste dia, em 1898, nasceu Amélia Rey Colaço, que viria a ser uma das maiores actrizes portuguesas.
Acarinhada ao longo da sua carreira, cultiva a admiração de António de Oliveira Salazar e antigos monarcas, como a Rainha D. Amélia. Em princípios de 1974, Amélia Rey Colaço regressa ao São Luiz, de onde partira. Pouco depois dá-se o 25 de Abril. Percebendo que a vão encarar como um símbolo do Estado Novo, suspende a companhia e sai de cena. Assume a injustiça com dignidade e discrição. Para trás dela ficam espectáculos como Castro, Salomé, Outono em Flor, Romeu e Julieta, O Processo de Jesus, Topaze, A Visita da Velha Senhora, Tango - consideradas obras-primas, patrimónios da cultura nacional - e uma interpretação no cinema (O Primo Basílio, de Georges Pallu, em 1923). O último grande papel, contudo, veio a desempenhá-lo aos 87 anos na figura de D. Catarina na peça de José Régio El-Rei D. Sebastião.
Foi galardoada com distinção pelo governo francês com as insígnias de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, e em Portugal com as Comendas da Ordem de Instrução Pública, da Ordem de Sant'iago da Espada e da Ordem Militar de Cristo.
Acarinhada ao longo da sua carreira, cultiva a admiração de António de Oliveira Salazar e antigos monarcas, como a Rainha D. Amélia. Em princípios de 1974, Amélia Rey Colaço regressa ao São Luiz, de onde partira. Pouco depois dá-se o 25 de Abril. Percebendo que a vão encarar como um símbolo do Estado Novo, suspende a companhia e sai de cena. Assume a injustiça com dignidade e discrição. Para trás dela ficam espectáculos como Castro, Salomé, Outono em Flor, Romeu e Julieta, O Processo de Jesus, Topaze, A Visita da Velha Senhora, Tango - consideradas obras-primas, patrimónios da cultura nacional - e uma interpretação no cinema (O Primo Basílio, de Georges Pallu, em 1923). O último grande papel, contudo, veio a desempenhá-lo aos 87 anos na figura de D. Catarina na peça de José Régio El-Rei D. Sebastião.
Foi galardoada com distinção pelo governo francês com as insígnias de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, e em Portugal com as Comendas da Ordem de Instrução Pública, da Ordem de Sant'iago da Espada e da Ordem Militar de Cristo.
1.3.10
FRASE DO DIA
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