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23.9.10

FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Riam-se, riam-se!... Eu só gostava de saber quantos, dos que se riem, seriam ainda capazes de fazer a espargata tão perfeita!...

22.9.10

RECORDAR É VIVER

Ray Charles. I Can't Stop Loving You.

FRASE DO DIA

"Paulo Bento receberá 900 mil euros por ano."

Título de PÚBLICO - 22/9/2010

***

Uma espécie de salário mínimo na esfera do futebol. A que acresce o rendimento de sobrevivência através dos prémios de jogos. Bem hajam os federativos por darem ao país este exemplo de contenção salarial!

PENSAMENTO DO DIA

Desde os trinta dinheiros de Judas que a Igreja Católica se dá mal com o dinheiro. Desta vez é o Banco do Vaticano, acusado de lavagem de dinheiro.

MEMÓRIA

IR NO EMBRULHO


Há uma razão para que sejamos todos a suportar as consequências do desequilíbrio orçamental na qual os portugueses parecem - ou não querem - reparar. Chama-se responsabilidade colectiva. Em democracia, não há volta a dar. Quando as coisas não correm bem, a responsabilidade é de todos. É por isso que é imensamente mais fácil viver em ditadura. Em ditadura a responsabilidade é sempre "deles". Em democracia não há "eles" e "nós". Somos todos nós. Os Portugueses aceitaram as prerrogativas da liberdade conquistada no "25 de Abril". Mas não têm sabido - ou querido - aceitar-lhe a responsabilidade. Quantas vezes se ouviu dizer que estávamos a viver acima das nossas possibilidades? E quantos souberam escutar e corrigir a trajectória? Quantas vezes se disse que estávamos a viver o doce engano dos dinheiros que vinham da Europa e que ia ser o bom e o bonito quando estes começassem a escassear? E quantos utilizaram esses dinheiros de forma produtiva, de modo a acrescentar a riqueza colectiva? Sejamos claros: o défice financeiro e económico em que nos encontramos tem origem nos milhões de milhões, oriundos da Europa e dos nossos impostos, que foram mal gastos, esbanjados, estropiados, ilegitimamente embolsados por uns tantos. E assistimos a tudo isso sem nos rebelarmos. O tempo era de vacas douradas. Todos comiam. Porque havíamos de preocupar-nos se, ainda assim, sobejava para todos nós? A factura chegaria um dia. Chegou. Tenho mesmo a convicção de que ainda estamos só na presença de uma factura parcial, espécie de pagamento intercalar. Que ainda virá a factura definitiva. De qualquer modo, chegou a primeira. E a factura tem um destinatário. Nós todos. Pagá-la-emos, sem apelo nem agravo.

Alguns dirão que a responsabilidade não é colectiva. "A culpa é dos políticos!". É um comportamento aflitivo, este. Porque se assemelha muito ao da criança apanhada em falta. "A culpa é daquele menino!", é a primeira tentação da criança que cometeu uma falta e teme o castigo. Esquecemo-nos de que fomos nós quem escolheu os políticos que temos. Esquecemo-nos que escorraçamos, todos nós, alguns que provaram ser óptimos governantes. Há frases que parecem anodinas e que são tão importantes! Só que as não escutamos. O malogrado músico, poeta e cançonetista Carlos Paião tinha, aí há uns quinze ou vinte anos atrás, uma canção na qual havia um verso que queimava como fogo. A canção falava de santos populares. E, a certa altura, dizia o poeta: "…pobre Zé, que foste no embrulho uma vez mais!". Desde que a madrugada libertadora passou, ainda não deixamos de ir no embrulho. E ir no embrulho é um pouco como no conto do vigário. Não é o vigarista o único criminoso.

Podíamos arregimentar uma boa mão cheia de exemplos da responsabildiade que temos na situação a que se chegou. Peguemos num. Por volta de 2000, o Estado utilizava um número elevado de contratados a recibos verdes. A situação era relativamente injusta. Havia duas qualidades de funcionários públicos. Uns, com direito a trabalho vitalício, a reforma por inteiro, a nome inscrito no quadro da repartição. Outros, a trabalhar duro, sem saber qual seria o seu destino. Verdade seja que a expectativa - é bom falar em expectativas quando o Erstado se prepara para frustrar as expectativas de milhões de cidadãos seus - de tais funcionários era a de, logo que não fossem necessários, verem o vínculo cessado. Havia duas maneiras de resolver a situação, pelo menos. Ou o Estado reformava a administração pública, de modo a prescindir dos funcionários excedentários, ou admitia-os como funcionários de pleno direito. Todos nos recordamos do que sucedeu. Os interessados, os sindicatos da função pública e muitos dos funcionários públicos efectivos juntaram as suas reivindicações, no sentido de que deveriam os contratados a recibo verde ser integrados nos quadros. Foram milhares. De que se queixam agora os funcionários públicos? O bolo não chega para eles e para os integrados. Há que repartir entre todos. Talvez os sindicatos que fizeram força para a integração dos contratados a prazo queiram, agora, substituir-se ao Estado e garantir a todos o que o Estado não pode pagar-lhes. É que, neste caso, fico sem saber quem levou o Zé no embrulho.

São sem número os casos de que poderíamos falar. O rendimento mínimo garantido. Pedra de toque e jóia rutilante de um político a quem decidimos colocar no Governo da nossa vida. Uma promessa cumprida. Uma promessa que tinha colocado lágrimas de compaixão nos nossos olhos. Creio que já contei aqui o caso daquela senhora que procurava trabalho doméstico em minha casa. Quando lhe perguntei onde tinha trabalhado anteriormente, a resposta foi paradigmática: "nos últimos anos não trabalhei porque estava no rendimento mínimo; só que ele vai acabar e tenho que arranjar trabalho". Naturalmente, na minha casa não arranjou. E eu fiquei com a sensação de ter ido no embrulho uma vez mais.

Leis permitem que um senhor - chame-se ele Mira Amaral ou Campos e Cunha - tenha uma reforma dourada por meia dúzia de anos de trabalho numa instituição. Claro que ele tem direito. Se está na lei, ele tem direito. Tanto quanto um pedreiro ou um jornalista ou um funcionátio público têm direito ao que está na lei. Mas a instituição onde o absurdo foi concebido e passado a letra de lei não era instituição sem dono. E um dos donos, porventura o mais importante, senão único, era o Estado. Porque deixou passar a lei? Num momento em que esse mesmo Estado nos pede para apertar o cinto até a fivela tocar na fivela, temos razão para sentir que fomos no embrulho.

Por força do que digo e muito mais, havemos de chegar a uma conclusão verdadeiramente atordoante. É que o nosso país está dividido em duas classes de pessoas. Os embrulhadores e os embrulhados. Sendo que os universos não são estanques. Ora se está num grupo, ora se está no outro. Perdão. Falta-me uma classe. A qual, nem por ser relativamente diminuta, deixa de ter a sua quota parte no fenómeno do embrulho. Os profissionais da comunicação. Os desembrulhadores. Está a gente muito quentinha, embrulhada no último embrulho - que eles, aliás, ajudaram a atar - e vêm eles cortar-nos o calor. Vieram, agora, todos ufanos, denunciar a reforma do João Jardim. Acho que ele, João, tem razão em irritar-se. É que não é o único. Aqui há uns meses - e só para citar um exemplo - Narciso Miranda, Presidente da Câmara de Matosinhos, reformou-se. Douradamente. Cerca de 3.000 euros por mês, por cerca de trinta anos de serviço. E continuou como Presidente da Câmara de Matosinhos. Tudo legal. Mais. Faz esforços inauditos por ultrapassar um momento de grande azar e voltar a ser Presidente. A Comunicação Social - com a gratificante excepção de um órgão da imprensa regional - calou-se bem calada. Quem sabe se, se tivesse então feito algum ruído, conseguiria que Alberto João não avançasse com a sua reforma tempos depois?

Portanto, meus Caros, paguemos e não bufemos. Afinal, somos todos responsáveis. Uns, porque embrulham. Outros, porque se deixam ser embrulhados. E uns poucos porque ajudam a embrulhar para, depois, terem o prazer de desembrulhar. Algo fica de muito preocupante de tudo isto. É que, com tanta gente a reformar-se, embora ainda no activo, eles - pessoas geralmente bem informadas - devem estar convencidos que o regime está nas últimas e estão tratando de agarrar os botes ainda disponíveis, antes que o barco vá mesmo ao fundo.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 5/6/2005

A FLOR DO CACTO - IX



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1862, o Presidente dos Estados Unidos proclamou a abolição da escravatura nos Estados confederados daquele país, uma das possíveis causas que devastou os USA.

Os Estados Confederados da América (Confederated States of America, em inglês; abreviação: CSA), também conhecida como A Confederação (The Confederacy, em inglês), foi uma unidade política formada em 4 de fevereiro de 1861 por seis Estados do Sul agrário e escravista dos Estados Unidos da América - Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana e Mississipi - após o abolicionista Abraham Lincoln ter vencido as eleições presidenciais de 1860.

Antes, já a escravatura tinha sido abolida nos restantes Estados, integrantes da chamada União.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Foto falhada... e a culpa foi da vaca...

21.9.10

FRASE DO DIA

"(O Porto) nem sequer precisava da ajuda de Bruno Paixão para se impor (ao Nacional)."

Filipe Lima - PÚBLICO - 21/9/2010

***

Pois não! E se, por acaso, se distrairem e derem mais uma ou duas ajudas como deram em Guimarães e no Funchal, até podem depois começar a prejudicá-lo um bocadinho!...

PENSAMENTO DO DIA

Face à incapacidade dos democratas para resolverem os graves problemas que afectam as sociedades ocidentais, começa a assistir-se, na Europa, ao crescimento dos movimentos e partidos da extrema-direita. E que fazem os democratas? Precisamente o mesmo que os totalitaristas: afirmam a inexistência do direito de representação que o voto concedeu aos extremistas. São todos iguais.

CRÓNICA DA SEMANA - I

AS SCUTS

Pelo fim dos anos noventa, ao virar do século, um senhor de ar angelical e falinhas mansas, oportunamente escolhido pelos portugueses para governar o país, teve uma visão de sonho, anunciada com trombetas e foguetório. Chamava-se ele António Guterres, socialista pela graça dos homens, tão palavroso que era conhecido, entre os seus pares, pelo “picareta falante”.

O sonho era fenomenal. Tanto que ele decidiu realizá-lo. E anunciou-o aos portugueses. Ia mandar fazer uma série de auto-estradas que o Estado não iria pagar de imediato. E os portugueses poderiam andar nelas sem pagar. Chamou-lhes SCUTS. Uma delas, por exemplo, o troço final da auto-estrada que liga Porto a Viana do Castelo. Mas foram muitas mais. O objectivo dessas auto-estradas era resolver o trânsito caótico verificado nas estradas nacionais correspondentes. Por exemplo, para se ir do Porto a Viana demorava-se mais de uma hora. Na altura, os portugueses bateram palmas entusiasmadas ao génio do milagreiro. E o tempo passou.
Hoje sabemos o resultado. Primeiro, dizer que os portugueses não pagariam era uma falsidade. Porque ele, Guterres, é que as não pagaria do seu bolso e alguém tinha de pagá-las. O mais justo seria que as pagassem aqueles que as usavam. Mas os milagres nunca levam em conta a justiça. E, como resultado disso e em segundo lugar, começamos todos a pagá-las com os nossos impostos. Mas, como os nossos impostos, para além de pagarem as SCUTS, tinham de arcar com os esbanjamentos todos que o dito senhor angelical e os seus sucessores decidiram fazer, a tesouraria do país ficou na miséria que se conhece. Então, vem um sucessor, também socialista, porventura com ar mais angelical, que, apertado pela falta de dinheiro, decide: agora, quem vai pagar as SCUTS vão ser os que as utilizam.
Quer dizer, há pagamento das SCUTS por duas vezes. Primeiro, durante dez anos, pagaram os portugueses todos com os seus impostos. Segundo, vão pagá-las agora os seus utilizadores.
Não há dúvida que é duro. Mas talvez seja bom para os portugueses aprenderem. Deus nos livre dos anjos bem-intencionados que aparecem na política nacional. É que, não sei porque raio de maldição, os milagres que fazem deixam-nos sempre pior do que estávamos antes.

Magalhães Pinto, em RÁDIO CLUBE DE MATOSINHOS, em 21/9/2010

RECORDAR É VIVER

Simon and Garfunkel. Bridge Over Troubled Water.

A FLOR DO CACTO - VIII



(ver I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, no ano 19 AC, faleceu o poeta romano Virgílio.

Filho de um agricultor, Virgílio chegou a ser considerado como um dos maiores poetas de Roma. Sua obra mais conhecida, Eneida, pode ser considerada um épico de Roma e tem sido extremamente popular a partir da sua publicação até os dias actuais. Foi considerado ainda em vida como o grande poeta romano e expoente da literatura latina. Seu trabalho foi uma vigorosa expressão das tradições de uma nação que urgia pela afirmação histórica, saída de um período turbulento de cerca de dez anos, durante os quais as revoluções prevaleceram.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

...ainda bem que ele previne!... sempre podemos mudar de passeio...

20.9.10

FRASE DO DIA

"Há áreas (florestais) que arderam 14 vezes em três décadas."

Título de PÚBLICO - 20/9/2010

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Só as florestais? Então não é o país todo que está a arder há mais ou menos três décadas?...

PENSAMENTO DO DIA

Até ao fim do ano, cerca de cinco mil desempregados ficarão sem o subsídio de desemprego. A que outros se seguirão. O espectro da fome adensa-se sobre o país.