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25.3.11

24.3.11

OS PORTUGUESES - XLVII


"Os delegados portugueses ao Concílio de Trento exprimiram claramente que era definitiva a clarificação dos dogmas cristãos, que tardava há muito. Alguns desses delegados foram homens de grande craveira. Porém, a todos se sobrelevou D. Frei Bartolomeu dos Mártires, pela sua coragem, energia e clarividência. Coube-lhe pronunciar-se sobre a disciplina eclesiástica, a qual conhecia como ninguém, pois percorrera com demora a sua arquidiocese, sem desfalecimentos nem intimidações, durante dois anos. Para ele, reformar não era apenas produzir leis, pois 'ficar na lei é continuar nos abusos'. A renovação que ele exigia começava pela vida dos clérigos e pelos próprios cardeais reunidos ali; exame rigoroso de competências, vida impoluta. O remédio não era amputar membros, mas curá-los. Os povos precisavam de ser doutrinados e, por isso, o catecismo e a pregação deviam atacar os vícios e fugir da retórica e das subtilezas.

(Fonte: História de Portugal, dirigida por João Medina)

FRASE DO DIA

"José Sócrates teve condições para reformar Portugal: uma maioria absoluta e um povo disposto a fazer sacrifícios."

Helena Matos - PÚBLICO - 24/3/2011

***

Desperdiçou tudo! E o despautério é que os socialistas estão a agir como se o seu mandato tivesse tido apenas o dia de ontem! E não seis, SEIS!, longos anos! Durante os quais desbaratou o seu povo! O mais importante nas próximas eleições não é que os socialistas percam! O mais importante é correr com ele! Sócrates nunca mais!

PENSAMENTO DO DIA




Parece que estou a ouvir José Sócrates a dizer, hoje, para Ângela Merkel:

- Ó mãezinha! Foi aquele menino!...

CRÓNICA DA SEMANA

(escrita terça-feira, 22/3/2011)a
BURACO

Quando estas notas virem a luz do dia, é bem provável que já algo se tenha clarificado e haja sido dado um passo importante para sairmos desta confusão toda em que estamos metidos. Embora eu pense que não vamos gostar de saber tudo o que se saberá quando a poeira assentar e tivermos mudado de governo. É com a maior preocupação que aguardo esse momento. E a honestidade, a verdade, que teremos de exigir a quem venha a seguir. Uma preocupação quase tão grande como a premonição de que vamos saber que o descalabro de Portugal é bastante maior do que aquele que nos tem sido contado. Maior dívida. Maior défice. Maior depressão.

Vamos lá a ver. Já há bastante tempo que vimos contraindo empréstimos a taxa de juro elevada. Juros esses que hão de ser pagos periódicamente. Cada seis meses para o crédito a longo prazo. No vencimento para o curto prazo. Mas como a situação económica tem estado – segundo dizem – estagnada e a subida dos impostos é muito recente, a dívida seguramente tem crescido ao ritmo que os juros se vencem. E, como já referi nesta coluna num outro comentário, há uma “pequena” manobra escondida no modo como as contas públicas nos são apresentadas. Assim, aquando do Orçamento, o défice, a dívida, o crescimento económico são-nos apresentados numa óptica de contabilidade nacional; emquanto, durante o ano, os números que nos são apresentados são-no numa óptica financeira. A diferença é que, enquanto a primeira leva em conta as grandezas resultantes de um ano de actividade, a segunda só leva em conta o movimento da “gaveta do dinheiro”. Isto é, a segunda pode estar influenciada por aquilo que o Estado deve mas não paga, resultando uma dívida menor do que é, na realidade, bastando, para isso, que o Estado se atrase nos pagamentos. Há toda a probabilidade de que a dívida do país seja maior do que a anunciada. Mas, se assim for, também o défice orçamental de que se vem falando, a redução de despesas do Estado que é referida, também ela está inquinada. E o défice será maior do que o anunciado.

Para a situação económica do país – a crescer ligeiramente, estagnada ou a decrescer – é mais difícil sabê-lo antes de contas feitas em final do ano. Mas há um indicador precioso para chegar a “palpites”: o desemprego. Vejamos outra vez. Se a situação económica do país se mantém mais ou menos estável, isto é, próxima do zero de crescimento, não há razão para que o desemprego cresça desmesuradamente. A produção nacional mantém-se mais ou menos constante e não se modificando, de um instante para o outro, a combinação dos factores de produção, então o emprego tende a manter-se estável. Não cresce o emprego mas também não há razão para que o desemprego cresça substancialmente, para além do que é a variação de emprego que as pessoas conhecem. Mas, se olharmos para a evolução da taxa de desemprego, que vemos? Ainda há uns dois anos, ela andava pelos sete por cento, mais ou menos. O ano passado atingimos a mágica cifra dos dois dígitos – dez por cento – e já vamos agora a rondar os doze por cento. Isto é, doze em cada cem portugueses em idade de trabalhar e com vontade de trabalhar não encontram trabalho. E, desde doze, cinco perderam o seu emprego nos últimos dois anos. Só pode haver uma explicação para isto. A produção nacional decresceu substancialmente. Mas como nunca andamos, nos últimos anos, muito longe do zero de crescimento, isso quer dizer que estamos, muito provavelmente, em depressão real há já bastante tempo. E só agora o Governo assumiu que a nossa produção vai decrescer este ano. Ele, Governo, diz que vai, só este ano, baixar para além do zero. Eu, baseado neste raciocínio sobre o desemprego, digo que vai descer ainda mais.

Dir-se-á: mas qual a importância disto? Que interesse tem saber que o buraco é ainda maior? Buraco é buraco e temos de sair dele. Mas eu entendo que o interesse é máximo. Porque tudo indica que, não tarda nada, vamos ter de voltar às urnas para escolher quem nos governará em tempos que continuarão a ser muito difíceis, como disse acima provavelmente mais difíceis do que estamos a contar. E essa escolha tem de fazer uma condenação muito clara do uso da mentira para enganar o povo e tem de fazer a afirmação muito clara de que não suportaremos mais mentiras da parte dos governantes. E que o uso da mentira nos conduzirá à rua, como último recurso para sermos governandos como merecemos e queremos. É assustador pensar que vivemos os dois últimos mandatos de governação chefiados por um homem sobre o qual, logo desde o início, recaíram dúvidas e suspeitas de que estava a mentir a propósito dos mais variados assuntos. Mesmo que generosamente se entenda que a maior parte do que se disse ao longo dos últimos seis anos, a propósito dele, foram atoardas carecidas de verdade. É que o presidente do governo é uma espécie de mulher de César e, à mulher de César, pede-se não apenas que seja séria, mas que também o pareça em todas as circunstâncias. Mesmo que, generosamente repito, se entenda que foram atoardas sem base verdadeira, uma outra verdade ressalta com nitidez: só foi possível atirá-las para a praça pública e colherem tanta credibilidade porque o Primeiro-Ministro, através de uma vida cheia de sombras, se pôs a jeito delas. Não podemos ter um Primeiro-Ministro assim. Mais, temos de ter um Primeiro-Ministro que, à primeira suspeita não imediata e claramente esclarecida, se demita do seu cargo. É praticamente tão mau, para a saúde do país, ter um Primeiro-Ministro desonesto como ter um Primeiro-Ministro que pareça desonesto. É, porventura, o maior buraco de um país uma tal situação. Sintetizando ainda mais, é pior para um país ter um berlusconi que participe e assuma que participa em orgias do que ter um salazar já velhote que pareça andar em orgias.

Temos, pois, que nas próximas escolhas dos portugueses sobre quem deverá governá-lo, a consideração deste aspecto deva estar à frente de todos os outros. Se tivermos governantes que nos digam a verdade, por muito má que ela seja, e nos convoquem para os sacrifícios necessários. Nós seguramente os assumiremos. Não seria a primeira vez na nossa História que o faríamos. Mas se houvermos de viver nesta atmosfera de suspeita e de mentira, permanentemente atirada aos quatro ventos e diariamente desmentida, então não será possível convocar ninguém para o esforço necessário.

Magalhães Pinto, em VIDA ECONÓMICA, em 24/3/2011

RECORDAR É VIVER

Josephine Baker. La vie en Rose.

ÁFRICA NOSSA - XX



(vide I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1874, nasceu o Harry Houdini, um dos mais célebres ilusionistas de todos os tempos.

Houdini tinha habilidades impressionantes. Era capaz, por exemplo, de ficar vários minutos dentro de água sem respirar. E foi numa destas demonstrações de suas habilidades - a "incrível resistência torácica" - que ele morreu. Após apresentar o número para uma platéia de estudantes em Montreal, no Canadá, enquanto ele ainda exibia o "super" tórax, um dos estudantes, boxeador amador, invadiu os bastidores e sem dar tempo para que Houdini preparasse os músculos, golpeou-lhe o abdômen com dois socos. Os violentos golpes romperam-lhe o apêndice, e quase uma semana depois ele morreu, num hospital de Detroit.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

- Cala-te, mulher!

23.3.11

OS PORTUGUESES - XLVI


"O padre António Vieira trata na sua obra dos mais importantes assuntos políticos, sociais e religiosos do seu tempo e é ele próprio protagonista de alguns dos acontecimentos que se seguiram a Restauração, no dia 1º. de Dezembro de 1640.

Ao percorrermos as páginas dos seus sermões, cartas, História do Futuro e outros escritos, damo-nos conta de que estamos perante uma obra visivelmente barroca e perante uma testemunha ocular privilegiada dos principais problemas políticos, sociais, económicos e morais com que Portugal se debateu nessa época. A visão providencialista do mundo é uma constante da sua obra.

É dentro de um quadro desolador da vida nacional que o padre António Vieira é incumbido da grande responsabilidade de angariar, junto das principais cortes europeias, a confiança, a estima e a aceitação da nova realidade portuguesa e de conseguir igualmente os fundos financeiros necessários para o arranque da economia portuguesa. Empresa difícil, mas a que o Jesuíta se lança com grande vigor e decisão."

(Fonte: História de Portugal, dirigida por João Medina)

FRASE DO DIA

"Passos admite apresentar um novo PEC em Bruxelas."

Título de PÚBLICO - 23/3/2011

***

Esperemos que o apresente primeiro cá: ao Presidente, aos outros Partidos, à Assembleia da República, aos Parceiros Sociais, à Igreja e ao senhor Silva, aquele meu vizinho que anda sempre a dizer que ninguém lhe liga! Senão, lá temos de ir para novas eleições não tarda nada!...

PENSAMENTO DO DIA



O calculismo tomou conta do comportamento político em Portugal. Já nada tem a ver com o Poder actual. Tudo é feito a pensar no Poder futuro. Impotentes, só nos resta ver o filme em cartaz e esperar pela nova época de estreias.

MEMÓRIA

ANEDOTA

Juro que esta história é verdadeira e não uma anedota apanhada na Internet. Um amigo meu precisou de passar uma procuração. Bom cidadão, arrimou-se ao computador, digitou-a, imprimiu-a em papel branco imaculado e, sem assinar, dirigiu-se a um notário da nossa terra. Quando atendido, preparou-se para assinar na frente do funcionário, para que o reconhecimento pudesse ser presencial. Nesse momento, o funcionário esclareceu-o:

- Quer que reconheça assim dactilografado - custa trinta euros - ou quer passar a procuração à mão - e o reconhecimento custa-lhe só dezasseis euros?…

Palavras para quê? Este é o Portugal profundo, ainda na idade média. Este é o Portugal do choque tecnológico. Este é o Portugal do TGV. Este é o Portugal do aeroporto espacial. Este é o Portugal dos metros a centímetro. Este é o Portugal que nos doaram e que, por receio de estragá-lo, mantemos no tempo dos nossos tetravós. Por isso é que o vetusto Doutor Mário Soares tem algumas ténues possibilidades de ser reeleito.

O meu amigo, pacientemente, lá gastou alguns minutos a escrever a procuração à mão, num papel pelo menos tão imaculadamente branco como o outro, poupando assim catorze euros. Só perdeu verdadeiramente a paciência quando, pedindo o respectivo recibo, o funcionário o invectivou, dizendo:

- Recibo?… Para quê?… Não lhe serve para nada!…

Mas não acabou aqui. O meu amigo reparou que o seu bilhete de identidade estava quase a caducar. Como não temos Loja do Cidadão em Matosinhos, apesar de todas as promessas que nos fizeram, dirigiu-se à dita do Porto. Depois de preenchidos os impressos e entregues, perguntou quando estaria pronto. Disseram-lhe que seria daí por trinta dias. O meu amigo admirou-se por ser tanto tempo. Afinal, andam para aí a anunciar empresas constituídas no mesmo dia e o seu bilhete de identidade demorava trinta? A resposta que recebeu quase o ia enviando para o Hospital Conde Ferreira:

- É… é que tem que ir a Matosinhos… se o senhor morasse no Porto, eram só cinco dias…

O meu amigo percebeu bem, então, a grandeza da Estrada da Circunvalação. São precisos, pelo menos, vinte e cinco dias para atravessá-la e voltar. E percebeu também que entre a propaganda dos responsáveis e a triste realidade vai uma distância maior do que o comprimento do Metro do Porto, que o nosso Vereador do Ambiente tão empenhadamente anda a realizar. Muito provavelmente, é porque o dinheiro do Estado não dá para tudo. Nem o da Câmara. Se não acreditam, perguntem.

Magalhães Pinto, em MATOSINHOS HOJE, em 7/8/2005

RECORDAR É VIVER

Raphael. Yo Soy Aquel.

ÁFRICA NOSSA - XIX



(vide I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1867, nasceu o general e político português José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos.

Em 1948, participou nas eleições presidenciais, como candidato da Oposição, reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos. O regime de Salazar recusou-se a satisfazer estas exigências. Obteve vastos apoios populares e apoio de membros da oposição. Devido à falta de liberdade no acto eleitoral, e prevendo fraudes eleitorais, ele acabou por desistir depois de participar em comícios e outras manifestações de massas.


FOTO DO DIA

SORRISO DO DIA

Bonito exemplar de falcão...

22.3.11

OS PORTUGUESES - XLV


"A preparação e execução da conjura político-militar pôde mais facilmente ser encoberta, escapando à espionagem castelhana, precisamente através dos preparativos militares da nobreza destinados à guerra da Catalunha...

Um dos graves problemas que tiveram os conjurados a resolver foi o de encontrar quem aceitasse o poder supremo de que pretendiam apoderar-se. Durante muito tempo, o Duque de Bragança ponderou a situação sem se comprometer: 'Era bom confessor, ouvia e calava', como dizia um texto da época. E de tal modo se calou que os conjurados chegaram a admitir a hipótese de oferecer o poder ao seu irmão D. Duarte ou mesmo, se necessário, proclamavam uma república. Por volta de 25 de Novembro, porém, aceitou assumir a realeza, ao extinguir-se o tempo limite para a recuperação do poder. Na manhã do primeiro de Dezembro, com efeito, os conjurados, cumprindo um plano bem elaborado, dominam a guarda real do palácio real, executam o Secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e mandam atirar para o terreiro, de uma janela do forte onde se encontrava, o seu corpo, símbolo do domínio opressor, e prendem os principais membros castelhanos do governo, a vice-rei (Duquesa de Mântua) e o marquês de La Puebla. Ao mesmo tempo, de uma janela do mesmo corredor por onde foi defenestrado Miguel de Vasconcelos, D. Miguel de Almeida aclama D. João IV perante o povo, em baixo, 'que na forma ajustada havia ali concorrido com os principais dele'. "

(Fonte: História de Portugal, dirigida por João Medina)