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25.8.11

RECORDAR É VIVER

Tony de Matos. Só Nós Dois.

EDUARDO GAGEIRO - XXV



(vide I)

EFEMÉRIDE DO DIA

 Neste dia, em 2007, faleceu o professor e escritor português Eduardo Prado Coelho.

Foi assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 1970 e 1983. Em 1984 tornou-se professor associado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Como professor convidado, leccionou ainda no Curso de Comunicação Social e Cultural da Universidade Lusófona, bem como no Departamento de Estudos Ibéricos da Universidade de Paris III.


Prado Coelho ocupou vários cargos públicos, tendo sido director-geral de Acção Cultural, organismo criado com a Revolução de Abril, entre 1975 e 1986, conselheiro cultural na Embaixada de Portugal em Paris, entre 1989 e 1999, comissário de Literatura e Teatro na Europália Portuguesa, em 1990, director da Delegação de Paris do Instituto Camões, entre 1997 e 1998, e representante de Portugal no Salon du Livre, em 2000. Além disso integrou o Conselho Directivo do Centro Cultural de Belém, o Conselho Superior do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia e o Conselho de Opinião da RDP e da RTP.

Teve ampla colaboração em jornais e revistas e publicou uma crónica semanal no jornal Público até à data da sua morte. Da sua bibliografia ensaística, destacam-se Os Universos da Crítica, O Reino Flutuante, A palavra sobre a palavra, A letra litoral, A mecânica dos fluidos, A noite do mundo, além de um diário, intitulado Tudo o que não escrevi. Publicou nos seus últimos anos de vida Diálogos sobre a fé, com D. José Policarpo, e Dia Por Ama, com Ana Calhau. Em 1996 recebeu o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores, em 2004, o Grande Prémio de Crónica João Carreira Bom, e em 2006, o Prémio Arco-Iris, da Associação ILGA Portugal, pelo seu contributo para a igualdade baseada na orientação sexual.

FOTO DO DIA


SORRISO DO DIA

Sinais do progresso tecnológico. No Muro das Lamentações, já se pode falar com Deus por telemóvel...


24.8.11

FRASE DO DIA



"Todos os países querem ser amigos do povo líbio."

Título de PÚBLICO - 24/8/2011

***

Quando será que descobrimos petróleo na nossa terra, nem que seja no Beato?...

PENSAMENTO DO DIA



Só haverá verdadeira crise em Portugal se o Benfica não ganhar hoje.

MEMÓRIA


 

O DIREITO DAS GERAÇÕES

É um gesto trivial. Um olhar distraído sobre a realidade na qual nos movemos. Subitamente, a percepção da quantidade de trabalho realizado que nos cerca. Os edifícios, as ruas, os jardins, as canalizações enterradas no solo, o mobiliário urbano, o porto de mar, os guindastes, os navios. Ir mais longe. A paisagem afeiçoada. Os diques nos rios. Olhe-se o Douro. O alcantilado ao longo das margens, séculos de trabalho acumulado e guardado. Estamos rodeados de uma riqueza inimaginável, incontável, em termos humanos ilimitada. Tanta, que não há guerra que consiga destrui-la a toda. Pelo menos, até hoje. Trabalho de gerações e gerações, acumulado para nosso disfrute.

Bom. Esta a face poética. Mas tem outra face. Esse trabalho acumulado todo que nos rodeia foi feito, na sua maior parte, pelas gerações que nos antecederam. É, por assim dizer, o PIB não consumido por quem o produziu. É a prova maior de um conceito em que muitas vezes falamos, sem bem nos apercebermos do que ele significa: a solidariedade inter-geracional. Isto é, as gerações que nos antecederam recusaram consumir tudo o que produziram para que nós, os seus vindouros, pudéssemos gozar o produzido por elas.

Não é muito a atitude presente. Estamos em plena sociedade do consumo. Vamos pedir dinheiro ao banco para consumir. Quando o fazemos, estamos a consumir ou trabalho das gerações que nos antecederam – guardado sob a forma de dinheiro, nos bancos – ou trabalho das gerações que se nos sucederão, ou trabalho da nossa geração, feito por aqueles que não consomem tudo o que produzem. Se nos fizermos solidários com a geração a que pertencemos por imperativo de calendário, restam as duas outras alternativas. E coloca-se, do ponto de vista das gerações, o problema de saber se tal é justo e, sendo-o, em que medida. O que deve, naturalmente, ser resolvido no plano moral. Do ponto de vista puramente técnico, não há nada que impeça que o consumo do trabalho produzido por uma geração tenha que ser igual, maior ou menor do que a sua produção.

Creio que a sabedoria popular começa pos nos oferecer uma resposta. É comum ouvirmos dizer algo como “quero deixar aos meus filhos, se não mais, pelo menos o que os meus pais me deixaram”. Uma frase que corresponde a um duplo respeito. Pela geração passada, com a certeza de que não devemos consumir o que ela nos deixou. Pela geração futura, que deve ter pelo menos a abundância que nós encontramos ao nascer. A consciência geral das sociedades vai – creio poder dizê-lo sem desmentido – no sentido de que não temos o direito de roubar às gerações futuras aquilo que não foi produzido por nós. Portanto, parece irrefutável que pensamos, todos de um modo geral, não dever consumir mais do que produzimos.

Sendo assim, restam os dois outros termos do raciocínio. Podemos nós, moralmente, consumir pelo menos o que produzimos? Ou temos a obrigação de produzir algo menos do que produzimos, “para deixar aos filhos mais do que nos deixaram a nós”, como o dito popular acima referido parece inculcar? E, no caso de devermos consumir menos do que produzimos, quanto menos será legítimo, exigível e admissível?

É um problema curioso, este. Que é, mais ou menos, colocar a questão deste modo: que direito têm as gerações vindouras de viver melhor do que a minha À CUSTA DA MINHA? Ou seja, tomando por certo que a felicidade – que os especialistas chamam bem-estar - é função dos bens e serviços que temos à nossa disposição, não temos nós, todos, filhos do mesmo deus, direito a uma fatia de felicidade equilibrada com as demais gerações?

Não se pense que é uma questão teórica. Das respostas que dermos, assim uma qualquer política de governação sairá mais ou menos legitimada pela moral. Quando dizemos que é necessário evitar a ruptura da Segurança Social e, por força dessa necessidade, definimos para a actual geração sacrifícios adicionais, estamos no âmago deste problema. Por um lado, são-nos pedidos sacrifícios porque gerações anteriores consumiram demasiado em relação ao que produzimos. E, por outro lado, entendemos que as gerações vindouras deverão ter, pelo menos, o que nós tivermos. Do mesmo modo, é em função da consciência colectiva em redor deste problema que se há-de coonestar a política fiscal do Governo – pesada, em termos de sacrifício, neste momento – e entendê-la como legítima ou não. É, finalmente, em função das respostas que encontrarmos que havemos de ver quem tem razão, se Marques Mendes ao pedir que os impostos baixem ou o Governo ao dizer que não deve fazê-lo.

Eu sei que há relações com Bruxelas, que há o desequilíbrio das Contas Públicas, eu sei isso tudo. E que isso tudo não é pouco como argumento justificativo. Mas também sei que o Homem é capaz de arranjar argumentos justificativos para tudo. Especialmente em política. Mas, também em política, tais argumentos apenas serão válidos se corresponderem a um sentimento colectivo sério, descomprometido, que vá no mesmo sentido. E colocar as questões que eu coloco aqui é procurar fazer com que tenhamos um sentimento colectivo àcerca do problema, seja qual seja esse sentimento.

Rememoremos então o que achamos até aqui:

-    Não devemos consumir tudo o que produzimos;
-    Devemos, mesmo, deixar para as gerações futuras alguma parte do que produzimos;
-    Mas não é justo que sejamos excessivamente sacrificados para que as gerações futuras sejam excessivamente beneficiadas.

Como se há-de medir, então, o que, da nossa produção, devemos deixar para o futuro?

Temos vindo a assistir, recentemente, a uma acalorada discussão pública, que teve, até agora, mais ou menos os seguintes termos:

-    Marques Mendes, o presidente do Partido Social-Democrata (PSD), propôs que fossem baixados os nossos impostos;
-    O Secretário de Estado do Orçamento do actual Governo admitiu que os impostos talvez estivessem mais elevados do que era necessário;
-    A antiga Ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, do PSD, afirmou publicamente que "era uma irresponsabilidade  pedir neste momento a redução dos nossos impostos";
-    A partir daí, uma série de membros do Governo e do Partido Socialista passaram a chamar irresponsável ao presidente do PSD;
-    Entretanto, o antigo Ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, do PSD também, afirmou que havia espaço para baixar os impostos neste momento;
-    E, finalmente, o Primeiro-Ministro veio a público afirmar três coisas: que o défice do orçamento teria sido, em 2006, menor do que o previsto (o que significa que se cobraram impostos mais do que exigiam os nossos compromissos com Bruxelas); que a redução de impostos chegaria antes do que o seu Governo havia prometido; e que o presidente do PSD era um oportunista e irresponsável.

Parece, de tudo isto, poder concluir-se uma coisa segura: que, efectivamente estamos a pagar mais impostos do que é necessário, não apenas en função da solidariedade inter-geracional, mas também para cumprir os nossos compromissos com a Comunidade.

Pessoalmente, até nem acharia mal que fossem usados os meios excedentários em novos investimentos públicos. O que corresponderia à necessidade moral que sinto em querer para os vindouros algo melhor do que eu tive. Mas haveria de ser em investimentos que fossem realmente úteis e reprodutivos. E não em investimentos sumptuários de duvidosa utilidade, como está a ser o caso do aeroporto da OTA. Porque, no quadro do meu raciocínio, a utilidade que as gerações vindouras vão retirar do meu sacrifício é incrivelmente desproporcionada, para o lado negativo. Ora, porque o Governo insiste em realizar aquilo que todos, menos ele, Governo, vão dizendo que está mal, é realmente preferível que se reduzam os impostos. O que acaba por dar extrema e dupla razão ao Presidente do PSD.

RECORDAR É VIVER

Tema musical do filme "O Piano".

EDUARDO GAGEIRO - XXIV


(vide I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1954, faleceu o político brasileiro Getúlio Vargas.


Foi presidente da república do Brasil em dois períodos. O primeiro de 15 anos ininterruptos, de 1930 a 1945, e dividiu-se em 3 fases:
No segundo período, em que foi eleito por voto directo, Getúlio governou o Brasil como presidente da república, por 3 anos e meio: de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando se matou.

Getúlio era chamado pelos seus simpatizantes de "o pai dos pobres", frase bíblica e título criado pelo seu Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, enfatizando o facto de Getúlio ter criado muitas das leis sociais e trabalhistas brasileiras.

FOTO DO DIA


SORRISO DO DIA

Autarquia cuidadosa (sinalização financiada por fundos europeus)...


23.8.11

FRASE DO DIA

"Acusação retira queixas contra Stauss-Kahn."

Título de PÚBLICO - 23/8/2011

***

Pelos vistos foi só um acto de compra e venda. Devemos desculpas ao homem.


PENSAMENTO DO DIA

Enquanto não penalizarmos criminalmente os funcionários públicos - políticos ou não - que não cumprem os seus deveres mínimos, continuarão a aparecer facturas por contabilizar e a pagar por todos nós.


CRÓNICA DA SEMANA - I


JOÃO LOURIVAL

Recordo-me de quando falei a primeira vez com a Rádio Clube de Matosinhos. Há aproximadamente uns vinte anos atrás. Decorria uma campanha eleitoral autárquica. Ainda a Rádio da nossa cidade era dirigida por esse incomparável homem da rádio e do espectáculo chamado Domingos Parker, embora já estivesse na fase descendente da sua brilhante carreira. Com o seu falecimento, surgiria na Rádio Clube de Matosinhos um homem, pequeno de tamanho mas grande de talento, com uma carreira recheada de sucessos onde quer que tenha deixado impressa a sua marca. Na música, no teatro, na banca, nos estudos, na vida associativa de Matosinhos e, por fim, na rádio. João de Oliveira e Silva, conhecido de todos como João Lourival. A ele se deve a sobrevivência da RCM 91.0, depois do desaparecimento do seu fundador.

Conheço o João Lourival quase há tanto tempo como me conheço a mim. Partilhámos o mesmo banco da escola primária. Oriundo, tal como eu, de família humilde – o meu pai fazia massas alimentícias na Manutenção Militar e o dele vendia lixíva ao domicílio - pressentia, também tal como eu, que só a aplicação esforçada aos estudos o poderia tirar do gueto a que a pobreza, maioritária no país nesses tempos, o parecia querer condenar. João Lourival, para além dos muitos sucessos obtidos – profissional bancário de qualidade, cantor com voz privilegiada, membro de um conjunto musical que fez sucesso pelos anos setenta, actor de teatro premiado a nível nacional, é hoje Mestre em Comunicação Social e um cidadão matosinhense com um mérito que muito poucos se atreverão a contestar.

Foi pela mão dele que me iniciei nas crónicas radiofónicas na RCM. Já lá vão muitos anos. Foi um privilégio para mim, poder ter uma voz na minha comunidade, com a audiência que a RCM tem. Haveria de chegar à Rádio Nova, à Rádio Press, à Rádio Festival e à Rádio de Santiago do Cacém. Mas é aqui, nestas Marés Vivas, que a minha satisfação foi, é e será sempre, enquanto durar, muito grande. Uma satisfação jamais censurada, sempre respeitada, apesar de muitas das minhas intervenções irem no sentido da contestação do credo político de João Lourival. Um respeito democrático que eu reconheço, sem nenhuma espécie de contestação.

Por todas estas coisas, acho que, nesta hora que João Lourival passa o testemunho da RCM para outras mãos, seguramente tão competentes como as dele,  Matosinhos lhe deve muito. Pela minha parte, deixo aqui o meu quinhão do agradecimento. Por tudo quanto tens feito pela nossa terra, também pela RCM, e por tudo quanto ainda seguramente vais fazer, obrigado, João, meu companheiro de infância.


RECORDAR É VIVER

Gene Kelly. Singing in the Rain.

EDUARDO GAGEIRO - XXIII







(vide I)

EFEMÉRIDE DO DIA

Neste dia, em 1912, nasceu o bailarino e actor de cinema americano Gene Kelly.


Ao lado de Fred Astaire, Kelly foi um dos expoentes enquanto os Musicais eram o estilo preferido de Hollywood. Foi ator, diretor, produtor e coreógrafo em várias peças e filmes, com passagem pela televisão norte-americana.
Seu trabalho mais conhecido, verdadeiro clássico dos musicais, é Cantando à chuva, do qual também foi director. Gene Kelly é tema da música "Take Away My Pain" do álbum Falling Into Infinity da banda de heavy metal progressivo norte-americana Dream Theater.

FOTO DO DIA