Foi uma pomba que me trouxe a nova. Se boa se má, isso não se sabe. Mas intrigante, isso é. Tudo porque, na mesa lá do canto, se encontravam, em amena cavaqueira, o presidente da Distrital do Porto do PSD, Marco António Costa, também já indigitado candidato às eleições autárquicas em Matosinhos, e o meio socialista e também auto-indigitado candidato às mesmas eleições, Narciso Miranda.Fiquei a pensar com os meus botões em qual seria o tema da conversa. Claro que podia ter sido um encontro fortuito, por acaso, do jeito de “olá, pá, tu por aqui?”. Mas eu não acredito em acasos na política. O encontro deve ter sido provocado. E, se assim foi, que de importante haveria para se encontrarem os dois potenciais adversários? Uma hipótese, seria o de estarem a combinar usar punhos de renda de um para o outro, na campanha que se avizinha. O que deixava entrever uma outra consequência de vulto. É que ambos guardariam as luvas de boxe para atingir o adversário mútuo, que está na Presidência agora. Tinha a sua piada. Desde logo, porque a JSD, uma entidade muito dada a este último desporto, teria que mandar fazer um novo cartaz, não já só com Guilherme e Narciso, mas juntando-lhe o querido líder distrital, estando o Presidente da edilidade entre os dois, a ser esmurrado valentemente. Mas depressa recusei estes pensamentos. É que, tanto quanto conheço dos dois convivas sentados à mesa, nenhum deles costuma usar punhos de renda seja para o que for.
Assim, fixei-me numa outra ideia, porventura mais imaginada do que real, mas que teria imensa piada. A de os dois estarem a combinar colocar Guilherme Pinto no meio duma pinça. Isso funcionaria mais ou menos do seguinte modo:
- Os dois, entre si, fingir-se-iam adversários, mas ficar-se-iam pelos argumentos sem importância, daqueles que não fazem ganhar nem perder votos;
- Narciso atacaria Guilherme pela esquerda, procurando roubar-lhe votos entre a arraia-miúda dos desprotegidos da sorte;
- Marco António atacaria Guilherme pela direita, arregimentando os votos da classe média, que nem se revê no socialismo e, muito menos, em Narciso Miranda;
- Nas eleições, até podia ser que Guilherme Pinto as ganhasse com maioria relativa; mas com menos votos do que Narciso e Marco juntos;
- Aí, tudo dependeria da expressão dos pequenos partidos, especialmente do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda; mas não seria impossível que Narciso e o PSD tivessem maioria absoluta;
- E, então, Guilherme Pinto não poderia governar.
É uma hipótese dos diabos, esta. É que, para que ela se verificasse, era necessário que Marco António se esquecesse do sacrifício de tantos candidatos social-democratas que, ao longo de mais de trinta anos, tiveram que arrostar com a arrogância de um agora candidato que sempre os tentou tratar abaixo de cão. Mas, como para os políticos de carreira as moralidades contam pouco, ainda aposto uma cervejola em que este era o tema do dito encontro.
Crónica O ENCONTRO - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 14/4/2009
1 comentário:
As pessoas cujas acções são determinadas pela lógica têm estados de alma completamente diferentes dos outros. A única diferença reside no facto de que os seus estados de alma não fazerem grande sentido...
Oscar Wilde.
Saudações Marítimas
José Modesto
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