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9.9.08

CRÓNICA DA SEMANA (II)

Tenho que fazer uma declaração de interesses antes de ir ao que aqui me traz. Eu gosto muito da política Dra. Manuela Ferreira Leite. Um pouco pelas mesmas razões porque gostei imenso do Professor Cavaco Silva quando foi Presidente do PSD e com ele fui parte da sua Comissão Política Nacional. Ambos são pessoas estruturalmente honestas. Não apenas do ponto de vista venal, mas também do ponto de vista social e político. Ambos interessados em melhorar o bem estar dos mais desfavorecidos, ambos incapazes de dizer mal só por dizer. Aliás, José Sócrates, se bem se lembrasse de tudo quanto a Dra. Manuela Ferreira Leite disse e fez durante grande parte do seu mandato, se lembrasse de que modo ela afirmou publicamente o seu apoio à política do Governo Sócrates relativamente ao reequilíbrio das contas públicas, tinha um pouco mais de dignidade no modo como se refere agora à Presidente do principal Partido da Oposição e não a procurava tratar como uma mentecapta, antes procurando compreender que razões estão por detrás das acusações que a Presidente do PSD lhe fez na sua primeira grande intervenção. Por uma razão simples. É que se a Dra. Manuela Ferreira Leite disse aquilo é porque está convencida de de que aquilo que disse é a verdade. Graças à sua honestidade intrínseca, a Dra. Manuela nunca dirá coisas apenas com o sentido de denegrir. É preciso uma de duas coisas para admitir que ela o possa fazer: ou não a conhecer ou, então sim, dizer mal dela só por maledicência e com o temor de perder o Poder. Isto é, só por burrice ou por medo. Portanto, dito isto, fica a minha declaração de interesses para que o Leitor esteja prevenido.



Apesar do dito, também eu acho que a Dra. Manuela Ferreira Leite ficou àquem do que podia e devia na sua primeira grande intervenção pública. Não por excesso, mas por defeito. Já lá vamos. Mas, mesmo assim, tal não merece a intervenção pública do seu camarada de Partido Luís Filipe Meneses. O auto denominado Rolls Royce da política laranja. Um – diz ele – carro de luxo, mas que nós sabemos movido a óleo de fritar. Ele, também, igualzinho ao que conheci quando fui seu Vice-Presidente na Distrital do Porto. Um pequeno Maquiavel, sempre a arquitectar tricas que possam remeter os adversários para o inferno de ter que lhe dar resposta. Até porque as respostas que ele geralmente merece não são suportáveis e, muito menos, dizíveis por esses adversários. São respostas de Fiats seiscentos, mas lavados e sem lixo no interior. Uma intervenção pública, a de Meneses, perigosíssima. Porque das duas uma: ou arruma de vez com Meneses para o sótão das coisas inutilizáveis ou – como pode ser o caso, face às fragilidades de coesão do principal Partido da oposição – arruma com o Partido para o caixote do lixo. Provavelmente, a primeira das alternativas, uma vez que Meneses cometeu um erro de tomo: falou muito cedo. Para quem andou seis meses a dizer dislates, usar a primeira intervenção da SUA Presidente para uma tentativa de assassínio político é reveladora das características de vingança política que bem lhe conheço. Muito provavelmente falhará o tiro, por descrédito.

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Naturalmente, cuidar daqueles três sectores com carinho defronta-se com uma dificuldade de tomo. O dinheiro disponível. Mas aí deveria ter ficado clara uma ideia. Se a escolha é entre a saúde, a educação e a segurança dos cidadãos, por um lado, e os investimentos públicos faraónicos por outro, não pode haver dúvidas. Os portugueses estão primeiro. É preciso que o Poder saiba que estamos fartos de sacrifícios en nome de um futuro que nunca chega. É necessário procurar outro equilíbrio. Não precisamos de mais auto-estradas, Não precisamos de TGV para o Porto. O Novo Aeroporto de Lisboa é um luxo que o Aeroporto de Madrid poderia bem substituir. Sobretudo se tudo isso tem que ser feito à custa de lágrimas de sangue de todos os Portugueses. Durão Barroso, na sua campanha para Primeiro-Ministro, teve uma ideia brilhante. Disse ele mais ou menos isto: “Se eu for Primeiro-Ministro, não haverá nenhuma obra faraónica paga pelo Estado enquanto houver um velho desvalido, uma criança desprotegida, um desfavorecido sem apoio”. Não cumpriu e a bandeira caiu. É urgente que alguém pegue nessa bandeira de novo. Porque ela corresponde aos mais belos sentimentos de humanidade que se espera ornem os políticos topo de gama.

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Excertos da crónica A ESPERANÇA - Magalhães Pinto - VIDA ECONÓMICA - 10/9/2008

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