(continuação)A tensão entre os dois aumentava de segundo a segundo. Envolvidos num universo só seu, denso de cortar à faca, Mário e Mamadú fixavam-se, sem pestanejar. Mário quis falar mas não conseguia. As ideias borbulhavam-lhe no cérebro, desciam vertiginosamente às cordas vocais que se recusavam à vibração.
Sacana de Mamadú! Porque havias de ser tu e não outro? Outro qualquer e já o teria mandado para o demónio! Logo havias de ser tu, meu estupor! Porque é que fugiste, bastardo? Deita fora a arma e rende-te, porra! Não me forces a matar-te! Está quieto, cabrão! Julgas que não vejo o teu dedo a mexer-se? Não faças isso, porra! Não faças isso, meu cabrão!…
(continua)
Magalhães Pinto
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