
(continuação)
Mário aproximou-se e, com a ponta do pé, deu-lhe meia volta. Dois olhos negros, negros, gentios da Guiné, vidrados, ainda brilhantes, fitavam-no interrogativamente. Do peito, jorrava sangue com abundância, ensopando a camisa esverdeada. Maquinalmente, Mário baixou-se e apanhou a arma de Mamadú. Mas logo a soltou, com horror. A arma ameaçadora estava travada. O último gesto do negro, o movimento ínfimo notado por Mário nos seus dedos, fora travar a pistola metralhadora. Mamadú pagara com a vida a vida que devia ao português.
(continua)
Magalhães Pinto
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