
(continuação)
Mário arremessou a sua arma para longe. Vazio, sonâmbulo, ajoelhou-se e tomou o corpo inerte nos seus braços, abandonada toda a precaução a si mesmo jurada. Abraçou-o. Afagou-lhe a carapinha, enquanto deixava correr, rosto abaixo, duas lágrimas redentoras. Apenas duas. Tinha já passado a época das chuvas.
No chão do tarrafo, a beber sequioso o sangue de Mamadú, uma pequena flor silvestre, amachucada na queda do negro, fazia esforços para erguer-se novamente. No poente, um sol avermelhado e ainda quente dardejava os últimos raios daquele dia. Não tardaria a desaparecer, dando lugar à noite. Mas nasceria outra vez logo que fosse manhã.
FIM
Magalhães Pinto
Sem comentários:
Enviar um comentário