...A lista não é, de modo nenhum, exaustiva. É apenas um exemplo. Mas a crise grassava lá fora e em Portugal não havia nenhuma tragédia. É bem possível que tal acontecesse porque António Guterres – que eu considero o verdadeiro coveiro das Finanças Públicas portuguesas – usou o desequilíbrio financeiro do Estado para manter o povo a navegar em águas tranquilas. Mas, mesmo que assim seja, o argumento não serve aos actuais governantes. Admiti-lo implicaria terem de retirar todas as acusações que têm feito ao principal partido da oposição, a quem culpam pelos três anos de cinto apertado que nos deram. Isto é, por muito que se esforce, o Governo não pode escamotear que, apesar de todos os sacrifícios a que nos sujeitou nos últimos três anos, não preparou o país para o que está a acontecer. É um facto indesmentível que vivemos hoje muito pior do que há quatro anos atrás, apesar da tanga em que o país estava, segundo Barroso.
Bom, dir-se-á, pelo menos o Estado está mais equilibrado. O que também começa a não corresponder à verdade. Foi verdade até finais do ano passado. Mas o défice orçamental para que aponta o orçamento “de verdade” (o primeiro foi a fingir) que acaba de ser apresentado à Assembleia da República, o défice público irá já para cerca de 4% do PIB, isto é, a um pouco menos de meio caminho entre a meta prometida e o valor que tinha quando este Governo tomou posse, segundo a auditoria da “amigo” Vítor Constâncio, o tal que parece ser melhor a auditar o défice público do que as contas dos bancos que lhe compete supervisionar. Veremos como é que este Governo vai deixar as Finanças Públicas quando a próxima auditoria for feita.
Temos, assim, as seguintes conclusões, em minha opinião:
1.- Apesar de ter vivido com o cinto apertado durante três anos, o país estava menos preparado para resistir a crises internacionais do que esteve noutras circunstâncias;
2.- Por isso mesmo, atirar com todas as culpas para a CRISE MUNDIAL é uma falácia, apenas repetida até à exaustão porque os livros da política ensinam que qualquer afirmação, mesmo que seja mentira, será tomada como verdade se for suficientemente repetida;
3.- Nem mesmo aquilo que poderia ser a bandeira mais desfraldada por este Governo – a do equilíbrio orçamental – chegará ao fim do mandato a voar.
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Excerto da crónica A FALÁCIA DOS ARGUMENTOS - Magalhães Pinto - VIDA ECONÓMICA - 22/1/2009
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