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7.1.09

CRÓNICA DA SEMANA

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Governar um país nem é assim tão difícil como isso. Resume-se a saber quanto dinheiro se vai buscar e onde se vai buscar, saber quanto dinheiro se vai gastar e onde se vai gastar. Esta é que é a verdadeira floresta. É na resposta a estas duas duplas questões que tudo se joga, que está o cerne da governação. Naturalmente, cada Governo faz as suas escolhas. Isto não tem nada que ver com as eleições que colocaram alguém a governar nem com as promessas que possa ter feito. Costuma dizer o Primeiro-Ministro que um Orçamento é uma previsão. E que, por isso, não se pode dizer que está correcto ou que está incorrecto, uma vez que só depois de executado é que se pode saber. É isso mesmo. Pena é que não se tenha lembrado de explicar isso aos Portugueses quando, em campanha eleitoral, prometeu a criação de 150.000 empregos. Uma previsão. Que, por ironia, é bem capaz de sair precisamente ao contrário. É bem capaz de chegar ao fim do mandato com 150.000 empregos destruídos em lugar de criados. Sua culpa? Obviamente que não. Ele não podia prever o que ia acontecer. É por isso que promessa em campanha eleitoral é ensaboadela, ao jeito de quem, tendo-se acreditado nele, diz: “estes já eu embrulhei”. Depois de chegado ao Governo, quem governa defronta-se apenas com aquelas questões cruciais: quanto dinheiro vou buscar e aonde; e quanto dinheiro vou gastar e em quê. E as respostas que vai dar dependem de dois factores primordiais. Das prioridades que o governante entende dever ter-se e daquilo que as circunstâncias exteriores obriguem que seja.

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Excerto da crónica DESCOMPLIQUEMOS - Magalhães Pinto - VIDA ECONÓMICA - 7/1/2009

1 comentário:

JOSÉ MODESTO disse...

Caro Magalhães, como diz e bem:
Escrito na Pedra:
O que distingue uma época económica de outra... é menos o que se produziu do que a forma de o produzir.