Esta foi uma semana para esquecer, em Matosinhos. O nosso Presidente da Câmara ainda deve estar a perguntar que mal terá feito a Deus para que tudo lhe corresse tão mal. Foram azares uns atrás dos outros. E, desta vez, nem sequer terá encontrado alguém para quem atirar as culpas. É. Há semanas assim. E, quando elas aparecem, o melhor é esquecer e partir para outra. Não sei é se ele quererá partir. Uma coisa temos de reconhecer. Ele é muito tenaz. Não desiste com facilidade. Estou bem em crer que vai arrumar para aí alguma que faça esquecer depressa as tragédias desta semana.Tudo começou com a ponte pedonal sobre a estrada 107, ali perto do hipermercado. Apareceram uns técnicos a fiscalizar a ponte e a dizer que ela era perigosa. Sabe-se o que isto quer dizer. Houve, aliás, um exemplo recente lá para os lados de Lisboa. Quer dizer que um dia podemos ir a passar e a ponte passar a voadora. Ela e quem mais estiver em cima. É um azar. Há pontes que são centenárias e estão ali para as curvas. Esta, nem para as rectas. Fica no ar apenas uma questão. Porque é que teve que vir gente de for a para dizer que havia perigo. Então a Câmara não se preocupa com a segurança dos cidadãos?
Depois, tivemos o dia sem trânsito automóvel. Uma tolice no modo como foi definido Em primeiro lugar, esta mania das grandezas. O mundo inteiro celebra UM dia assim. Nós, em Matosinhos, tínhamos logo que decretar TRÊS. Está bem de ver porquê. Para sermos notícia. Temos uma ambição enorme de ser notícia. E isso, às vezes, sai caro. Depois, em lugar de escolhermos cuidadosamente o espaço onde não haveria trânsito, inclusivamente ouvindo a população - por exemplo, através da Associação Empresarial de Matosinhos - não fizemos isso. À boa maneira matosinhense, decretamos. E a malta que cumpra. Depois, nem nos dignamos informar convenientemente o Zé. Que se lixe o Zé. Ordens são para cumprir. Resultado: uma monumental confusão de trânsito e reclamações que roçaram o apupo. Chegando-se ao cúmulo de ter que ver o Presidente da Câmara a servir de sinaleiro. Maior desgraça só podia ser mesmo a que veio a acontecer. O santuário de apoio, que o Mercado de Matosinhos costuma ser para ele, a renegar o seu Senhor. Há dias de manhã que um homem de tarde não pode sair à noite! E a Câmara a desfazer o que laboriosamente tinha arquitectado. No Domingo já não havia impedimentos ao trânsito que devia durar até segunda-feira.
Para coroar com uma coroa de espinhos esta semana louca para Matosinhos, no Domingo surgiu a notícia. A Exponor vai-se embora de Matosinhos. Nem quero imaginar os prejuízos que esta decisão, do chefe dos industriais nortenhos Ludgero de Castro, vai causar à economia matosinhense. Recordo-me bem dos benefícios para essa mesma economia que Narciso Miranda anunciou quando autorizou a Exponor em Leça. Enormes, segundo ele. Os prejuízos terão agora a mesma dimensão. Só que com sinal inverso. O que era mais, passa agora a ser menos. Diz-se por aí que a Exponor se vai embora porque já não aguenta o carácter arrogante de Matosinhos. Uma cidade que, diz ela, ajudou a fazer.
Valha-nos Deus. Acho que o Senhor de Matosinhos - o da cruz - está a abandonar-nos.
Crónica UMA SEMANA AZIAGA - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 21/9/2003
4 comentários:
Boas Doutor Magalhães Pinto,
Copiei um excerto deste seu tópico para o meu blogue ( Matosinhos Online link: http://matosinhosonline.blogspot.com/2009/04/perigo-de-vida.html ) se vir algum inconveniente, por favor comunique-me para
matosinhosonline@gmail.com
Retirarei de imediato, caso veja algum problema.
Melhores cumprimentos
Vítor Maganinho
Obrigado pela visita, Vítor.
O que aqui coloco deixa de me pertencer para pertencer a todos que me dão o prazer de passar por aqui. Fez muito bem.
Muito obrigado.
Quanto ao passar por aqui, é um prazer diário.
Abraço
Dr.Magalhães Pinto, permita-me uma pequena reflexão:
Não acha que nós bloguistas já demos...já apontamos algumas soluções para que se faça algo pela CMM?
A Vereação em vez de andarem nas marisqueiras ao final do dia, que saem dos gabinetes e que vão ao encontro dos cidadãos ouvindo-os.
Saudações Marítimas
José Modesto
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