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18.12.08

MEMÓRIA

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"É melhor ter défice orçamental do que deixar agravar ainda mais o desequilíbrio social e a ruptura do tecido empresarial".

São palavras sábias, estas, as de Miguel Cadilhe. A taxa de desemprego aproxima-se dos dois dígitos, tornando-se socialmente inaceitável. As empresas contabilizam prejuízos sucessivos, deixando de contribuir com os impostos recolhidos para o OGE. Provocando o agravamento do défice, o qual, a persistir-se na sua redução, só poderá ser eliminado mediante sacrifícios maiores e, repete-se, socialmente inaceitáveis. Isto é, no espírito disciplinado de Miguel Cadilhe, começa a ficar evidente que a disciplina orçamental do Estado tem que levar um retoque.

Muitas vezes tenho dito aqui que défice hoje é dívida para pagar amanhã. E não deixa de ser verdade isso. Aliás, estamos hoje a pagar as consequências do défice - não apenas contemporâneo, mas também futuro - que os governos socialistas acumularam. Mas uma coisa é um défice esvaído em despesas não reprodutivas - isto é, despesas que apenas subsidiam o consumo, como aconteceu no passado - ou despesas reprodutivas - isto é, de investimento, que produzirá frutos. E o economista do Porto não deixa de colocar em perspectiva esta diferença. Para ele, o aumento do défice público, porventura assente nas regras de excepção que Bruxelas admite - e que parecem estar a verificar-se em Portugal - não pode redundar em indisciplina das despesas. O desequilíbrio orçamental necessário TEM QUE ser devido à realização de despesas de investimento. No que tem que se estar de acordo. Um posição porventura inatacável. Por a colocar assim, no meio da rua, contra a corrente dominante no Poder estabelecido, Miguel Cadilhe merece aplausos.

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Excerto da crónica PACTO SOCIAL - Magalhães Pinto - VIDA ECONÓMICA - 23/3/2003

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