(continuação)El-Rei sentiu, por essa altura, que era tempo de dar pão e circo à plebe. Vai daí, decide anunciar a construção, ali perto do sítio onde viviam os otários do Reino, de um campo para aterragem de balões de ar quente, de dimensões nunca vistas. Os castelhanos iam ficar com água na boca quando vissem o nosso campo de aterragem para balões. O campo deles, de Baralhas, seria um quintalzito à beira do nosso. O pior é que surgiram uns chicos espertos a dizer que o empreendimento ainda não havia começado e já estava a meter água. Seria melhor chamar-lhe um lago de aterragem e não um campo de aterragem. E que o melhor seria mudar o projecto para sul do Tejo. Mas El-Rei não era pusilânime. Decisão que tomasse era escrita na pedra. Jamais se apagaria. E mandou o seu assessor para as Artes e Ofícios defender o projecto inicial. Este, vai daí, arma barraca no terreiro frente ao Paço e grita a plenos pulmões:
- Em Alcacete nunca! Never! Jamé! Aí só há camelos!
Notícias vindas a lume mais tarde deram mesmo origem a más línguas, que afirmavam que isso era já uma preparação para derrotar um inimigo de El-Rei, que tinha banca montada e se encontrava em dificuldades, esperando vencer estas com uns terrenitos que comprara adjacentes ao campo para balões.
Fosse como fosse, o barulho na praça pública ia em crescendo e El-Rei não teve outra solução senão entregar o empreendimento aos camelos.
(continua)
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