...Como acontece com tantas coisas na nossa vida, assim lhe chamamos, sem pensar um segundo no que terá originado esse nome. Mas eu tive explicador. O senhor António Carlos, industrial de “bolacha americana”. Disse-me ele que a produção era artesanal. Fiquei a saber depois que se referia aos métodos de fabricação. Porque, no resto, o senhor António Carlos explora uma verdadeira indústria. Arregimenta tarefeiros, produz a bolacha com todo o requinte, segundo fórmula que já vem do seu avô. E contrata vendedores para calcorrearem as praias, colocando o delicioso produto de manhã à noite. Paga à peça. A todos eles. Ganha quarenta cêntimos em cada bolacha vendida. A um euro cada. Quarenta por cento de margem. Para mim, guloso da bolacha, uma margem mais do que merecida. Gosta de pagar bem aos colaboradores. “Se eles sentirem, ao fim do dia, os bolsos com dinheiro que se veja, no dia seguinte querem trabalhar para mim outra vez”. Lógica indestrutível. De um empresário moderno. A poder dar lições a quantos Jardins haja por aí. Tem contratadas que fazem bolachas, uma a uma, durante cerca de dezasseis horas por dia. Cobre as praias que vão da Falésia, em Vilamoura, até Santa Eulália, já perto de Albufeira. Nem titubeia quando lhe pergunto se o mercado é grande. Nestas praias, em plena estação, podem vender-se entre oito e dez mil bolachas por dia. Se isto é artesanato, vou ali e já venho. Durante uma estação, é bem capaz de ganhar, líquido, entre mil e quinhentos e dois mil contos. Que vai administrar durante o resto do ano, acompanhados de alguns cobres mais oriundos de negócios de ocasião fora da estação estival. A fabricar e a vender bolacha desde os nove anos, criou já três filhos. Todos a frequentar cursos superiores. Um deles, fazendo uso da sua habilidade com os pés ao serviço da Académica.
...
Excerto da crónica A BOLACHA AMERICANA - Magalhâes Pinto - VIDA ECONÓMICA - 24/8/2002
(Imagem de www.torradinha.com)
1 comentário:
i think you add more info about it.
Enviar um comentário