Eram duas notícias chocantes. Não apenas cada por uma por si mas, essencialmente, as duas em conjunto. Duas notícias tendo por nexo aquilo que parece ser a única bússola da governação corrente, o dinheiro do Orçamento Geral do Estado. Duas notícias por igual dolorosas, com a dor potenciada quando colocadas lado a lado. Duas notícias que mostram até que ponto vivemos numa Pátria mal agradecida. Só que a Pátria não tem rosto. Pátria é este conceito que nos une a todos, Portugueses, naquilo que de mais essencial temos: uma História comum, uma Língua comum, uma consciência colectiva de que fazemos uma unidade dentro da diversidade de povos do mundo, tradições e costumes comuns. Donde, a Pátria não tem rosto. Cada um de nós é uma célula do rosto da Pátria. Podemos estar em desacordo relativamente a muita coisa. Mas não temos desacordo nenhum quando Portugal é o tema e o motivo.Mas a Pátria, se não tem rosto, tem, para alguns fins, donos. Donos são aqueles que, a cada momento, detêm o Poder de representar a Pátria. Sobretudo, têm o Poder de fazer leis, de adoptar comportamentos, de provocar duas notícias, em nome da Pátria. E foram esses que, em nome da Pátria, ditaram o conteúdo das duas notícias que me chocaram. Foram esses que, provavelmente, nem por um segundo estavam a dar à Pátria a legenda de mal agradecida.
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Excerto da crónica MAL AGRADECIDA - Magalhães Pinto - VIDA EOCNÓMICA - 6/8/2008
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