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11.8.08

CRÓNICA DA SEMANA

Naturalmente, eu compreendo que a mãe e a irmã do brasileiro ferido em Lisboa, quando assaltava um banco e ameaçava de morte dois reféns, tenham dito o que disseram. Que a Polícia portuguesa tinha agido com brutalidade. Não correspondiam as suas palavras a um raciocínio frio e objectivo sobre os acontecimentos. Eram a expressão da dor que sentiam pelo desaparecimento de um familiar em condições extremamente trágicas. Mas, objectivamente, não tinham razão nenhuma para dizer o que disseram. Afinal, a Polícia portuguesa fez tudo o que podia para que não fossem necessários actos mais violentos. Tendo deparado com uma resistência dos assaltantes à rendição para além de todos os limites.

Se quisermos avaliar bem o sucedido, devemos colocar, em paralelo com a situação dos dois brasileiros, a situação dos dois reféns. Qualquer assalto é hediondo e horrível por natureza. Mas um assalto ganha particular fealdade quando os assaltantes assentam a defesa do seu acto criminoso na ameaça contra outras pessoas, inocentes, também elas com família, com filhos, com pais, os quais sofrem, por isso, tanto ou mais do que os familiares dos assaltantes. E, por mais voltas que demos, vamos sempre ter àquelas fotos dramáticas que mostram um dos assaltantes com uma pistola (uma pistola de verdade, engatilhada e armada, pronta a disparar) encostada ao pescoço de uma senhora, ameaçando dispará-la a qualquer momento. E foram horas passadas nisto. Tenho muita pena do que aconteceu ao assaltante. Mas sei que estaria mil vezes mais triste se estivéssemos agora a chorar a vida perdida por alguém inocente.

Outro paralelo que podíamos estabelecer era precisamente com a polícia brasileira. Ainda não há muitos dias, todos assistimos ao drama de um pai e uma mãe a chorarem a morte de um filho, morto por engano pela Polícia brasileira, tão só porque esta primeiro disparou e só depois perguntou. Uma atitude nos antípodas daquela que adoptou a Polícia portuguesa, a qual passou horas a falar com os criminosos, tentando convencê-los de que deviam desistir dos seus intentos e só quando pareceu já não haver esperança se decidiu a agir de modo violento.

No final desta acção em que, tal como nos filmes com fim moral, são os criminosos a pagar pelos ventos que semeiam, sinto um grande orgulho na minha Polícia. Sendo a sensação de segurança, tal como é, uma questão do foro psicológico, devo confessar que, nos dias subsequentes aos acontecimentos, me senti muito mais seguro no meu país. Afinal, temos uma Polícia que sabe cuidar dos seus pacatos cidadãos. E defendê-los dos criminosos. Só tenho pena que quem faz a Lei não faça, geralmente, o que fez a Polícia. Bem haja, por isso, a Polícia de Segurança Pública.

Crónica QUEM SEMEIA VENTOS - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 12/8/2008

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