(continuação)Estralejaram palmas. Sem se saber se destinadas à elegância da oração se ao alívio de ela ter terminado. Enquanto duravam os aplausos, o “Estica” fez-se de morto. Outros quatro pegavam nele, em charola, e simulavam um enterro, entoando hossanas ao inimigo desaparecido. Quando chegaram junto de uma das filhas da Emília Sá, a observar a loucura divertida, encostada a um canto, apresentaram-lhe o pretenso cadáver e perguntaram se queria ser ela a enterrá-lo. Mais gargalhadas.
E ia a festa em crescendo. A rolha tinha saltado e a loucura sem sentido dos dois últimos anos jorrava, impetuosamente, daquelas vidas agora em descompressão, derramando-se, espumosa, por sobre as chagas abertas, limpando-as do pús acumulado por incontáveis acções voluntárias mas não queridas. Um pouco distante daquela alegria geral, Mário observava-os pensativamente.
(continua)
Magalhães Pinto
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