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6.8.08

OS HERÓIS E O MEDO - 345º. fascículo

(continuação)

A explosão do primeiro detonador acordou o enfermeiro, sobressaltado. Abanou a mulher, estremunhada a seu lado, e já se encontrava de pé ao detonar o segundo. Às escuras e aos tropeços, correu a um canto da sala e pegou na caçadeira usada na caça grossa. Chegou-se à janela. No quarto, três dos quatro filhos choravam, agarrados à mãe. Só o mais velho, com sete anos, veio para junto do pai e segurou na caixa de projécteis. O rebentamento dos detonadores seguintes já teve acompanhamento, No quartel, ali mesmo ao lado, um sentinela disparava a esmo. Mário Lima enfiou o cano da arma num buraco da janela já estilhaçada. E espreitou. Alguns vultos corriam pela rua, em direcção aos abrigos. Estúpidos. Desta vez, “eles” estavam dentro da povoação. A fuzilaria aumentava. Rajadas de metralhadora à procura de nada. Mário Lima pensou que devia chamar a atenção da tropa para os seus lados, pois ali havia tudo começado. Disparou sem cessar, às cegas.

(continua)
Magalhães Pinto

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