(continuação)O pandemónio durou uma eternidade. E só começou a esmorecer quando os carros patrulha, com equipas de soldados a bordo, se ouviram nas ruas da povoação.
Os autores da brincadeira tinham-se abrigado como puderam, colados ao solo. A imprudência colocara-os no meio de fogo cruzado. A semi-embriaguez dissipara-se com as inesperadas consequências do seu gesto. Serenados os ânimos, começaram a levantar-se. Todos. Excepto um. O “Estica” parecia ter adormecido. Levanta-te pá! Acabou a brincadeira! Mas o “Estica” teimava. Abanaram-no. Nada. Alguém tentou levantá-lo pelos sovacos. Que grande carraspana! A luz duma pilha de mão de um dos homens incidiu em cheio no rosto do rapaz. Mais ou menos à altura dos olhos, quase equidistante das sobrancelhas do moço, um buraco negro, ensanguentado, não deixava dúvidas a ninguém.
O “Estica” esticara o pernil, pensou o Mário. O “Ana Mafalda” levaria um passageiro a menos do que o previsto. Estupor! Não soubera proteger-se. Isso não ia suceder com ele. Bolas. O melhor era ir dormir.
(continua)
Magalhães PInto
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