Procurei conhecer um pouco da história das termas, para além duma lenda que se conta estar na sua origem. Sobretudo, interessava-me saber o que é que os comunistas, no seu longo consulado sobre o país, tinham feito de tanto luxo. Confesso que me surpreendeu a resposta. Durante o domínio comunista, aquelas instalações luxuosas, construídas para servir reis e príncipes, eram utilizadas para premiar os operários que se mostravam mais produtivos. O prémio mais almejado que recebiam eram umas férias em Karlsbad. Imagina-se, naturalmente, o estado a que foram reduzidas todas aquelas instalações. Sobretudo, porque nunca foi um objectivo muito perseguido pelos comunistas reparar o que se estragava.
Quando, no início dos anos noventa do último século, acabou a ditadura comunista, todos os edifícios de Karlsbad ficaram, naturalmente, propriedade da autarquia local. E logo veio a febre da privatização. Contam os checos que tal foi feito com a corrupção a campear livremente. A autarquia despachou todos aqueles belos e grandiosos edifícios por tuta e meia, imaginando-se aonde teria ido parar a outra tuta e meia. A privatização teve uma vantagem: permitiu a recuperação das termas e dos edifícios arruinados na era comunista e o regresso das termas ao conjunto das estâncias de luxo que há por esse mundo fora. Hoje, são novamente os endinheirados a poder passar umas férias em Karlsbad.
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Excerto da crónica CRÓNICAS CHECAS (II) - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 11/11/2008
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