Há liberdade na República Checa. Os cidadãos pronunciam-se sobre os governantes com clareza, considerando-os iguais aos demais cidadãos. E foi por falarmos disso que me aconteceu algo incrível. Imaginem quem é que um checo, em Praga, conhecia. Alguém que nos é muito familiar, a nós, matosinhenses. Estou certo de que não imaginam. Era a última coisa que eu esperava. Em plena República Checa, falando com um checo, depois de lhe dizer que era de Portugal e de Matosinhos, ele fala-me de Narciso Miranda. Eu sei que ele é muito conhecido. Mas, na República Checa?! Bom. O que aconteceu é que Narciso fez turismo por aquelas bandas. E esse checo teve a possibilidade de estar por perto, nessa viagem, durante mais de uma semana. O que o levou a fixar Narciso foi ter sucedido algo que o escandalizou. É que, antes de Narciso chegar, foi-lhe dito que ia receber um senhor muito importante de Portugal e que devia tratá-lo muito bem. Professor universitário, esse checo não gostou. Chegou mesmo a, ironicamente, perguntar se queriam que ele pegasse nas malas dessa pessoa importante. Importante porquê, perguntava-me o checo. A mesma pergunta que eu me fazia a mim próprio, sem encontrar resposta. Depois de conhecer melhor Narciso, entendeu. E eu pergunto: quem é que disse que o senhor devia ter um tratamento diferente das outras pessoas que o acompanhavam na viagem? No final da longa conversa, o checo perguntou-me ainda: como é que vocês deixam estar alguém assim, a governar a cidade, vinte e cinco anos? Um pouco envergonhado, eu respondi: trinta, foram mais de trinta!
Excerto da crónica CRÓNICAS CHECAS (III) - Magalhães Pinto - MATOSINHOS HOJE - 18/11/2008
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