...A guerra era inevitável. Desde o “25 de Abril” – e não digo desde o “25 de Novembro” – que nunca se havia verificado uma tão encarniçada perseguição a uma classe social. Desde que tomou posse, a Senhora Ministra acumulou atitude atrás de atitude, decisão atrás de decisão, discurso atrás de discurso, num único objectivo: desprestigiar os professores. À frente de toda a gente. Essencialmente, por mais importante, à frente dos alunos. À frente de pessoas ainda em formação, naturalmente sujeitos ao efeito imitação. Se fosse necessário exemplificar, mesmo à frente dos olhos da Ministra, os caminhos ínvios pelos quais lançou a Educação, nada poderia ter sido mais esclarecedor do que o banho de ovos que teve que aparar em Fafe. Vindos dos alunos, pois claro. Se não há que respeitar os professores, muito mais importantes, em minha opinião, do que Ministros, porque haveria a Ministra de ser poupada? Não se pense, com isto, que aprovo a atitude dos alunos. É extremamente reprovável. Mas só existe uma verdadeira culpada disso: ela própria. Directamente responsável. Porque, indirectamente, há outro. É bom que não esqueçamos, quando esta Ministra for despedida do Governo, mesmo que seja sob a forma eufemística de ela pedir a demissão, que as coisas só chegaram a este ponto, porque o Primeiro-Ministro – provavelmente tanto ou mais leigo do que eu em matéria de Educação – lhe deu mais cobertura do que devia. Ainda não há muito a reiterou. Há apenas dois dias.
Agora, a Ministra e o Primeiro-Ministro estão num beco sem saída. Estão confinados ás trincheiras que eles próprios cavaram. A Ministra perdeu nitidamente o domínio dos acontecimentos. O nervosismo leva-a a cometer erros que são verdadeiramente infantis. Nega que há escolas que paralisaram a avaliação quanto todos nós conhecemos pelo menos uma escola onde isso está a acontecer. Acusa – como qualquer bom ditador – os jornalistas pelo ambiente que está criado à sua volta. O que, diga-se de passagem, não é nada abonatório da sua inteligência. Pelo menos, política. Os seus olhos mostram a angústia que já vai dentro dela. Presumindo de extremamente forte. Vai ter o fim que todos os presumidamente fortes têm, na vida política. Vai sair pela porta do cavalo. De início, ainda pôde contar com o apoio da maioria dos pais. Pais que, embora tarde, estão a ver aonde conduz esta política. Um pouco pelas medidas implementadas e muito mais pela insuportável arrogância da Ministra. Como alguém anotou um dia, ainda não há muito, com inteira propriedade embora quase ninguém notasse, que raio de general era este (esta) que queria ganhar uma guerra desprezando e desmoralizando as suas tropas?
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Excerto da crónica A GUERRA - Magalhães Pinto - VIDA ECONÓMICA - 13/11/2008
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