
...
Os pequenos accionistas lutam com uma desvantagem de monta. Não têm voz forte nas Assembleias Gerais. Cada um de per si, não conseguirá nunca influenciar o destino das empresas em que investe. De algum modo, e porque assim é, adquirir uma acção de capital numa empresa que conta, por vezes, com milhões e milhões de acções, é o mesmo que adquirir um vigésimo na lotaria. Pode ser que dê, pode ser que não dê. Só que, aqui, a sorte não é determinada pelo acaso. É determinada pelos actos, pelas decisões, de um punhado de indivíduos que, para isso, são lautamente remunerados. Vão os negócios como vão. Seja a cotação na Bolsa qual seja. O referido artigo do "Público" mostrava vários casos de desajuste na marcha entre os resultados e as remunerações. Do qual ressaltavam dois exemplos que considero didácticos. Por um lado, o Grupo Sonae. No qual, para uma redução das cotações da ordem dos 55%, as remunerações dos administradores tinha sido reduzida de 42%. E, por outro, o caso do BCP, no qual, para uma redução das cotações da ordem dos 52%, as remunerações apenas tinham sido reduzidas de 9% e, mesmo assim, pela diminuição do número de administradores, devido à saída intempestiva, há cerca de ano e meio, de alguns deles. Um fenómeno, este, que, quando comparado, não deixa de dar que pensar. Já que sabemos estarmos, num caso, perante um Grupo de controlo familiar - a Sonae - e no outro, face a algo que se aproxima bastante da sociedade anónima pura.
...
Excertos da crónica IMPARÁVEL - Magalhães Pinto - VIDA ECONÓMICA - 27/5/2003
Sem comentários:
Enviar um comentário