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12.8.08

OS HERÓIS E O MEDO - 351º. fascículo

(continuação)

Mário já não esperava mais surpresas naquela guerra maldita. Mas, francamente, a Regina era a última pessoa que ele esperava ver atrás das grades. Quis saber o que se passara. Chorosa, a mulher explicou-lhe.

Umas noites atrás, a lua não estava lá e já todos dormiam na tabanca, alguém irrompera pela sua morança dentro. Acordada em sobressalto, não reconhecera os intrusos. Traziam cruzadas sobre o peito, duas fitas de metralhadora. E seguravam nas mãos uma arma com tambor. Agarraram-na bruscamente e, com violência, empurraram-na para o exterior. Aos baldões, iam chegando ao terreiro os restantes habitantes da sua tabanca, os mais recalcitrantes convencidos pelos encostos vigorosos das coronhas. Já com todos reunidos sob a ameaça das armas duma vintena de guerrilheiros e à luz de meia dúzia de improvisados archotes, aquele que parecia ser o chefe invectivara-os e censurara-os pela colaboração dada aos brancos. Se não fosse essa ajuda e a de outros como eles, há muito a tropa teria sido vencida e a guerra terminado. Para castigo, iam levar consigo todos os mantimentos que pudessem carregar.

(continua)
Magalhães Pinto

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