RUA COM ELES, DISSEEntrevistado sobre o já célebre caso conhecido como o processo Face Oculta, que envolve em negócios obscuros e, provavelmente, corruptos muita gente da esfera das suas amizades, o Primeiro-Ministro não hesitou, desta vez, em afirmar, com todas as letras, que não permitirá que os acusados pelo Ministério Público no referido caso permaneçam em funções. Foi extremamente surpreendente que tivesse falado desta maneira. E vamos ver porquê.
Até aqui, José Sócrates sempre tinha afirmado em casos semelhantes, que:
1º. – Não se pronunciava sobre casos que estivessem em segredo de justiça – como é o caso do processo Face Oculta;
2º.- Que havia que esperar que as pessoas fossem julgadas e só depois se podia agir ou não contra elas.
Assim, a atitude que o Primeiro-Ministro adoptou, desta vez, foi muito diferente. Desta vez, Sócrates não esperou pelo julgamento para dizer “rua com eles”. E seria interessante saber porque mudou de atitude. Eu tenho a minha teoria. Que vale tanto como qualquer outra.
O caso Face Oculta ronda, como nenhum outro, a esfera íntima de José Sócrates. Inclusivamente, foi apanhado a falar ao telefone com o principal e mais importante suspeito do referido caso, Armando Vara, embora sobre outro assunto a roçar, senão a atropelar, a fronteira do tráfico de influências. Sendo assim, parece que não restava, ao Primeiro-Ministro, outra solução senão a de ser, em tudo quanto dissesse, o mais duro possível contra os suspeitos. Agindo assim, Sócrates conseguia, se conseguisse, dois objectivos. Por um lado, distanciava-se do assunto, num tardio voltar as costas a gente que, pelo menos, anda em muito más companhias. E, por outro lado, chamava a atenção para o caso Face Oculta, desviando-a das outras conversas que terá tido com os suspeitos.
O facto de terem estado, na Procuradoria da República, durante quatro meses, sem qualquer decisão, as certidões extraídas do referido processo, sobre as conversas telefónicas de Sócrates com Armando Vara não nos deixa tranquilos. Depois dos segredos do Presidente da República sobre as escutas de Belém “para não perturbar as eleições”, só nos falta ouvir o Procurador-Geral da República dizer que foi com o mesmo objectivo que guardou silenciosamente as certidões.
E, enquanto isso, os cidadãos vão-se perguntando que qualidade de gente é esta a quem os destinos do país estão confiados.
Magalhães Pinto, em MATOSINHOS HOJE, em 10/11/2009
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