O chefe não erra. Na função pública, o chefe pensa. É um pensador. Medita. É um meditador. Verifica. É um verificador. Lê. É um leitor. Analisa. É um analista. Confere. É um conferente. Controla. É um controlador. Às vezes, controleiro só. E decide. E o que é que o chefe pensa, medita, verifica, lê, analisa, confere e controla e decide? Isso depende. De quê? Do que os superiores querem. Porque, na função pública, o chefe tem sempre um chefe. Aliás, o mais humilde funcionário público é chefe de qualquer coisa. E isso determina o que ele quer que se faça. E o que ele quer que se faça é determinado pelo que o chefe dele quer que se faça. E por aí acima, até chegar ao chefe máximo, se é que o há. Logo se vê que a responsabilidade do que decide o mais humilde chefe do mais humilde funcionário público está sempre no chefe máximo. É uma cadeia de quereres indestrutível, que começa lá no alto e termina ao nível do chão....
É uma situação danada. Uma maçada. Uma trapalhada. Isto de viver em democracia dá um trabalho dos diabos. Não se pode decidir sem assumir a responsabilidade. Quase mais valia não ser chefe. Mas o pior é que, na função pública, toda a gente é chefe de alguma coisa. E toda a gente tem superiores a quem prestar contas. Além de que ainda aparecem uns curiosos, chamados jornalistas, a quererem saber o que não é da sua conta. Má sorte ser chefe na função pública. Sobretudo se, para além de se querer agradar aos chefes, se é chefe de quem não tem a coluna tão gelatinosa como a do chefe em questão.
...
O autor dos actos relatados é já sobejamente conhecido. Não sei se tem filhos. Se os tem, deve estar com um problema terrível para os olhar nos olhos. A não ser que, tal como fez com os técnicos do Parecer, já os tenha despromovido.
Excertos da crónica O CHEFE - Magalhães Pinto - "VIDA ECONÓMICA" - 6/2/2008
Sem comentários:
Enviar um comentário