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7.2.08

MEMÓRIA

Procuro à minha volta. Procuro de razões para ser patriota. Folheio, com ansiedade, as páginas dos jornais. Negras, geralmente. Na tinta e nas notícias. Desprezo as pequenas tragédias que eles imprimem em cada página. Afinal, todos os povos têm as suas pequenas tragédias. E não deixam de ser patriotas. Procuro nas entrelinhas uma réstea de esperança. O tal farol. Algo que me diga: aí tens! Isto é teu, é futuro, é moderno, é esperança. As páginas dos jornais rompem-se no meu folhear angustiado. As únicas promessas de bem estar estão nas páginas dos anúncios anti-stress. A dez contos a hora. Faço as contas. Se cada uma daquelas promessas for realizada uma vez por dia, o IRS que ali se cobraria daria para fazer mais um estádio de futebol por ano. Só que o referido rendimento não é taxado. Nem adianta a quebra do sigilo bancário, porque aquilo é chapa ganha, chapa batida.

Mas o raciocínio acendeu uma luz. Aí está um motivo para ser patriota. O futebol. Em todos os escalões. Todos, menos o futsal. Que o Senhor Pinto da Costa comparou ao jogo do berlinde, apenas porque ganhou o Benfica. O ódio ainda vai matar um dos poucos motivos modernos que encontro para ser patriota. Não obstante, deixo-me embalar pela ideia. E se formos campeões europeus? Mesmo que não sejamos campeões, vamos ter sobejas razões para ser patriotas ao ver todos esses basbaques, que nos demandarão a propósito, a olhar, quais burros aos palácios, para os rutilantes estádios que vão encher Portugal, de norte a sul. Ah! Portugal! Mais um anito e até vamos ficar roucos a gritar o teu nome! Nem que seja o brasileiro Deco, treinado pelo brasileiro Filipe, a marcar o golo da vitória.

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Excerto da crónica UM MODERNO PATRIOTISMO - Masgalhães Pinto - "VIDA ECONÓMICA" - 14/6/2003

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