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7.2.08

OS HERÓIS E O MEDO - 167º. fascículo

(continuação

XXI

As notícias que chegavam de Lisboa não eram tranquilizadoras. Já em Mansoa, António Soveral não conseguia concentrar-se na sua missão. Consumara-se a saída do filho do Exército. O curso de engenharia militar que possuía deveria ser suficiente para encontrar outra ocupação. Mas não queria continuar em Portugal. Anunciara à mãe a sua ida para França. O velho oficial sentia o desgosto imenso que a atitude do filho lhe provocava, ao abandonar a carreira militar. Mas conseguia encontrar alguma justificação para ela. Mal ia a Pátria que prendia os seus filhos apenas porque estes se haviam recusado a morrer no campo de batalha face a um inimigo imensamente superior. A honra militar não residia em oferecer uma resistência inútil e estúpida a um exército ocasionalmente mais forte, colocando em perigo de vida os homens comandados. O poder político superintendente na Pátria tinha o direito de atribuir às Forças Armadas todas as missões justas que entendesse por convenientes. E a honra militar estava em desenvolver todos os esforços, inclusivé sacrificando a própria vida, para bem desempenhar essa missão. Mas as Forças Armadas tinham também um direito correspondente àquele dever. O de que o poder político fornecesse todos os meios necessários ao bom desempenho da missão encomendada. Não era desonra negar o cumprimento da missão se os meios fornecidos eram nitidamente insuficientes. Poderia até, em muitos casos, ser uma atitude honrada e inteligente.

(continua)
Magalhães Pinto

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