(continuação)Em campanha, só há duas situações nas quais os homens quase todos se juntam. À hora da refeição e na chegada do correio. O primeiro-sargento procura retocar a imagem, combalida pelas exigências administrativas e pelas famas de governado, procedendo, ele mesmo, à distribuição do correio. Associando-se, subliminarmente, à alegria que isso traz. Em seu redor, feitos ansiedade concentrada nos ouvidos, os homens esperam ouvir o seu número. O nome desaparece, não vá dar lugar a confusões. Alguns, como o Manel, enchem as mãos de missivas e ganham ocupação para as próximas duas horas. A sôfrega leitura dos primeiros momentos há-de ser ruminada com mais duas ou três voltas, já no remanso da caserna. Outros, no extremo oposto, por ali ficam, cabisbaixos, sem ouvirem cantar o seu número. Nem sempre o moirejar sol a sol, nos trigais do Alentejo em tempo de ceifa, ou nas arribas do Douro, em tempo de vindimas, deixa um minuto sequer para umas linhas de amparo. No meio estão os normais. Em maior número. Uma carta da mãe e uma carta da mulher ou namorada, aqui e além reforçadas pela episódica lembrança de um amigo mais chegado ou parente mais afastado. Apesar de repetitivo, o espectáculo das quartas-feiras fascina Mário.
(continua)
Magalhães Pinto
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